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Europeu sub17 / Turquia 2008

Turquia: Adeus nas grandes penalidades


Estiveram a um passo da final, mas perderam com a França no desempate por grandes penalidades. Os turcos tiveram um início espectacular com uma vitória por 3-0 à Holanda e, a partir daí, o apuramento para as meias-finais ficou muito mais facilitado. Entre as figuras da selecção turca destacaram-se o ponta-de-lança Batuhan Karadeniz, o lateral-esquerdo Özgür Çek, mas também o médio-ofensivo Gökhan Töre e os defesas-centrais Sertaç Eren e Emrah Yollu.

Sem poder contar com o promissor Cem Sultan, o seleccionador Ustaömer foi testando várias opções no ataque para complementar o poder físico de Batuhan Karadeniz. Vejamos os três atacantes que alternaram na equipa.

Öztürk Karatas (Karlsruher): Segundo-ponta rápido, com mobilidade, mas pouco incisivo com a bola no pé. Marcou o primeiro golo da Turquia à Holanda (remate cruzado) após um bom passe longo do médio-centro esquerdino Soner Aydogdu.

Sefer Sever (Fenerbahçe): Jogou mais encostado sobre o lado direito. Extremo/segundo-ponta de baixa estatura, tem corrida, luta, mas nunca demonstrou a profundidade de jogo necessária para ser mais consequente no passe e no drible. Foi perdendo confiança ao longo da competição.

Eren Albayrak (Bursaspor): Ao contrário de Karatas e Sever, Albayrak não foi titular nos três desafios da fase de grupos. Este esquerdino do Bursaspor foi jogando alguns minutos como suplente e até foi titular na meia-final com a França. Tinha estado seis meses a recuperar de lesão e a sua forma não era a ideal para integrar o onze inicial. Mesmo assim, foi com o extremo-esquerdo que a Turquia mostrou mais dinâmica no ataque, devido à sua mobilidade e capacidade de aceleração. Apontou um golo à Holanda.


As diagonais do esquerdino Töre

Albayrak não foi titular nos três primeiros jogos, mas quando esteve em campo notou-se que melhorou a produção ofensiva da Turquia. Porém, isso também se deveu ao facto de o médio-ofensivo Gökhan Töre se ter deslocado para a meia direita. Töre, o camisola 10, jogador que pertence ao Bayer Leverkusen, é um esquerdino com grande controlo de bola em velocidade e, partindo da direita, conseguiu fazer diagonais rápidas com mais incisão e mais perigo para a equipa adversária. O controlo de bola em velocidade com o pé esquerdo é a sua principal arma, mas ocasionalmente revelou alguma displicência no passe. É um jogador com algum talento, com boa noção de colectivo, mas que não pode permanecer tanto tempo escondido da acção principal.


Kayali, Aydogdu e Çolak

A propósito da deslocação de Töre da meia esquerda para a meia direita, refira-se que a colocação do baixinho Emre Çolak (Galatasaray) à frente do duplo-pivot defensivo constituído por Abdülkadir Kayali e Soner Aydogdu também ajudou o “alemão”. O médio-ofensivo Çolak, igualmente canhoto, foi titular nos dois últimos jogos e, além de ser incansável, agressivo e rápido na pressão ao portador da bola, demonstrou uma boa técnica individual.
No que diz respeito a Kayali e Aydogdu, não terão o valor de Nuri Sahin, a principal referência do meio-campo turco campeão europeu de sub17 em 2005, mas tentaram jogar simples, a dois, três toques. O capitão Kayali foi o autor do golo na meia-final contra a França, mas talvez tenha faltado a um destes dois médios maior capacidade de inserção no meio-campo contrário para estabilizar a posse de bola.


Os defesas-centrais: Yollu e Eren

Ainda uma referência aos dois defesas-centrais, que tiveram um óptimo desempenho. Emrah Yollu (Galatasaray) tem mais apetência para a marcação individual e foi assim que negou praticamente todos os espaços ao holandês Castillion. Ligeiramente mais talhado para o uso do físico do que o seu parceiro da defesa, Yollu mostrou boa capacidade no jogo aéreo e um bom sentido prático na resolução de lances mais complicados. Sertaç Eren (Fenerbahçe) marcou essencialmente à zona. Com excepção de uma imperdoável falha de concentração no jogo com a França, em que tinha o lance controlado e deixou que Salibur cruzasse para o interior da grande área (felizmente não deu golo), Eren jogou muito bem durante a prova, medindo bem o tempo de desarme e revelando iniciativa na condução de bola.


Özgür Çek (Lateral-esquerdo, Fenerbahçe, DN: 3/1/1991)

Entre as quatro selecções que alcançaram as meias-finais, Özgür Çek foi o lateral-esquerdo que melhores exibições assinou durante o Euro. Ainda tem de crescer em matéria de marcação à zona, mas essa acaba por ser uma situação natural num jogador de apenas 17 anos, que tem uma longa margem de aprendizagem. O que realmente importa salientar é a sua velocidade na condução de bola e a notável capacidade técnica no pé esquerdo que lhe permite, não só superar a oposição em drible, como também colocar a bola com precisão nos companheiros. É um lateral-esquerdo com grande iniciativa para se inserir nos movimentos ofensivos da equipa e, visto que tecnicamente é bastante evoluído, até é possível que surja brevemente na equipa principal do Fenerbahçe actuando do meio-campo para a frente. Foi dele a assistência (bola parada) para o golo de cabeça de Yollu na vitória por 1-0 contra a Escócia e, por sua causa, o flanco esquerdo da Turquia foi sempre mais activo que o direito ao longo da prova.


Batuhan Karadeniz (Ponta-de-lança, Besiktas, DN: 24/4/1991)


Mesmo não sendo o capitão, Batuhan Karadeniz é o líder natural da selecção e aquele que mais incentiva os colegas. Por outro lado, dá a impressão que se deixa levar demasiado pelo lado emocional do jogo. Tem tempo para evoluir nesse e em vários outros aspectos, mas, de facto, convém que tenha melhor capacidade de auto-controlo e que seja menos expansivo e aparatoso nas suas reacções. A forma como abordou e falhou a grande penalidade ante a França é um bom exemplo dessa questão. De qualquer modo, trata-se de um talento que o futebol turco não pode desaproveitar. Karadeniz tem um poder físico imponente (1.90m com 17 anos de idade) e tanto domina nas bolas pelo ar como também consegue jogar bem de costas para a baliza. É muito forte, tem uma corrida relativamente rápida e, tendo em conta que tem condições para evoluir a componente técnica, pode tornar-se num excelente avançado nos próximos anos. Durante 2007/8, já actuou algumas vezes na equipa principal do Besiktas.



Resultados:

Fase de grupos
Holanda: 3-0 (Karatas 11, Albayrak 71, Demir 80+1)
Escócia: 1-0 (Yollu 13)
Sérvia: 0-0

Meias-finais
França: 1-1 (Kayali 31)


Luís Catarino

» 2008-05-17
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