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Europeu sub17 / Turquia 2008

Quem manda é Fofana





Gueïda Fofana (Médio-centro, Le Havre, DN: 16/5/1991)


O jogador mais completo do Euro. Fofana pertence ao Le Havre, mas, pela qualidade e carácter que exibiu nesta prova, não irá ficar muito mais tempo naquele clube. Na partida inaugural actuou como defesa-central. Porém, quando Smerecki foi obrigado a mexer na equipa para virar o resultado negativo frente à Rep.Irlanda, introduziu um defesa-central (William Rémy) de forma a poder deslocar Fofana para o meio-campo. É precisamente na linha média que melhor consegue exercer o seu futebol.

A sua grande robustez física e capacidade de desarme são úteis para recuperar bolas e não é nada fácil para um adversário superá-lo no 1v1. Oferece bastantes garantias quando sai a jogar com a bola controlada em progressão e quando se insere pela faixa central, com processos simples e eficazes. Assumiu a braçadeira de capitão e soube liderar a equipa em todas as vertentes. Tem grande maturidade competitiva, iniciativa, decide rápido, carrega a equipa para a frente e transmite muita segurança aos seus colegas. Na parte final do encontro com a Turquia, notou-se-lhe algum cansaço e falhou alguns passes e recepções de baixa dificuldade. No entanto, por tudo aquilo que mostrou nesta edição do Europeu sub17, ficou perfeitamente explícito que Fofana tem tudo para vir a ser um grande jogador do futebol internacional.


Gaël Kakuta (Extremo-esquerdo, Chelsea, DN: 21/6/1991)


Conhecem aquela expressão do artista que “finta uns quantos defesas dentro da cabine telefónica”, certo? Pois ela aplica-se claramente a Gaël Kakuta. O extremo-esquerdo da França consegue driblar adversários em espaços curtos a uma velocidade tão elevada que às vezes nem se percebe muito bem como é que os gestos técnicos foram executados. Esguio e extremamente repentino e habilidoso, Kakuta tem um incrível controlo de bola em velocidade, o que faz com que os defesas adversários tenham imenso receio de o desarmar à queima. No entanto, o actual jogador do Chelsea terá de aprender a ser mais consequente e objectivo em grande parte das suas acções com bola: falta-lhe alguma frieza na abordagem dos lances, pois, por vezes, parece querer acelerar em todas as jogadas; o facto de estar sempre eléctrico e de não saber acalmar o jogo implicou algumas perdas de bola desnecessárias.

Além da posição de extremo-esquerdo, Kakuta também actuou atrás do ponta-de-lança, sempre que Smerecki apostava em Yannis Salibur para o lado esquerdo. A intenção do treinador era fazer com que Kakuta aumentasse o ritmo da definição dos lances ofensivos da equipa; ter a bola durante mais fases do jogo, pois é um elemento que facilmente consegue superar a oposição - faz verdadeiramente a diferença e sentia-se que era o jogador mais temido pelas selecções adversárias. Quando algum lance de bola parada pedia um pé esquerdo, Kakuta era sempre o escolhido. É, indiscutivelmente, um jogador com um potencial fabuloso, mas que vai ter de perceber que não pode fazer tudo à velocidade do som.


Thimothée Kolodziejczak (Lateral-esquerdo, Lyon, DN: 1/10/1991)

Foi um dos jogadores franceses que mostrou mais concentração e maturidade nas decisões ao longo da prova. Esquerdino rápido, destemido, com bons detalhes no posicionamento, marcação e antecipação, destaca-se igualmente pela certeza com que efectua o passe, seja paralelo à linha ou direccionado para zonas interiores. Teve mais problemas quando teve de lidar com o extremo espanhol Keko na final, mas não é um ou outro lance que lhe tira o mérito nesta edição do Euro sub17. Marcou um golo nesta edição na meia-final contra a Turquia, a mesma eliminatória onde, no desempate final, também converteu uma grande penalidade com bastante categoria.


Outros:

Sébastien Faure (Defesa-central, Lyon). É o típico defesa de marcação agressiva, que gosta de encostar no adversário, de promover o choque. Perante atacantes de maior qualidade, como se verificou nas partidas contra a Espanha, notou-se que Faure perdia facilmente a cabeça e começava a funcionar por impulsos. Muito forte fisicamente, mas com problemas de agilidade. Precisa de ganhar mais serenidade.

William Rémy (Defesa-central, Lens). A sua entrada na equipa foi importante, pois facilitou a deslocação do influente Fofana para o meio-campo, o que fez crescer o rendimento dos gauleses. Falhou a final devido a castigo e tinha apontado um bom golo frente à Espanha durante a fase de grupos, instantes depois de ter falhado na marcação no lance do segundo golo dos espanhóis. É possante e gosta de bater livres directos em força com o pé direito.

Enzo Reale (Médio-centro, Lyon).Tem cultura de passe, mas não mostrou ter profundidade de jogo necessária para o considerarmos um dos melhores elementos desta selecção no Euro. Naquela posição do terreno exige-se também que meta mais vezes o pé e que seja mais agressivo na conquista da posse de bola. Auras e Damour, mais combativos, também foram testados no centro do meio-campo, mas deixaram a equipa muito presa.

Clément Grenier (Médio-ofensivo, Lyon). Não se lhe pedia propriamente que fosse um jogador agressivo na recuperação, mas talvez tenha sido demasiado macio em determinadas fases do torneio, especificamente nos renhidos desafios com a Espanha. Grenier é um médio-ofensivo com gestos elegantes, mas não foi muito feliz neste Euro, apesar de ter apontado um bom golo de livre directo contra os espanhóis.

Gilles Sunu (Extremo-direito, Arsenal). Um jogador com imensos contrastes e que raramente aproveitou o facto de Smerecki lhe ter atribuído a titularidade. Tem uma técnica superior (grande domínio de bola) e junta-lhe uma agilidade e uma velocidade muito apreciáveis. Contudo, às vezes dá a sensação que lhe falta todo o resto, designadamente uma melhor mentalidade competitiva e também níveis de maturidade e de leitura de jogo que evitem que seja tão precipitado e inconsequente. A seu favor joga o facto de ter actuado encostado muito tempo encostado à direita, quando dá a ideia que poderá ser mais produtivo no corredor central.

Yannis Salibur (Extremo-esquerdo, Lille). Se um dia lhe desaparecer a vontade de driblar, deixa de ser jogador de futebol. A sua entrada em campo, para o lado esquerdo, tinha também como objectivo a deslocação de Kakuta para o meio.

Alexandre Lacazette (Extremo-direito, Lyon). Foi talismã na vitória sofrida frente à Rep.Irlanda e mostrou princípios de jogo já bastante evoluídos para alguém que ainda participa nesta escalão etário. Quer na direita, quer no centro, mais próximo do ponta-de-lança, os movimentos de desmarcação de Lacazette foram quase sempre desenhados com inteligência. Tem uma boa estrutura física, velocidade e uma técnica bem razoável. Dá a ideia de que podia ter tido mais minutos nesta selecção.

Yannis Tafer (Avançado-centro, Lyon). Marcou 4 golos. Faltou-lhe um apoio directo mais dinâmico e, talvez por isso, fugiu muitas vezes da grande área para tentar recolher a bola. Tem boa técnica de remate e define bem em zonas exteriores.


Resultados:

Fase de grupos:
Rep.Irlanda (2-1: Tafer, Lacazette)
Espanha (3-3: Tafer, Grenier, Rémy)
Suíça (2-0: Tafer, Tafer)

Meias-finais:
Turquia (1-1: Kolodziejczak; 4-3 pens)

Final:
Espanha (0-4)


Luís Catarino

» 2008-05-20
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