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Mundial sub20 / Canadá 2007

Outros destaques do Mundial


Mauricio Isla (Médio-defensivo, Chile)

Sobressaiu pela certeza no passe. O capitão Mauricio Isla (Universidad Católica) jogou à frente da defesa tendo em vista o desarme, mas vimo-lo instalar-se no meio-campo adversário em várias ocasiões, aproximando-se de Vidangossy ou Alexis Sánchez a fim de ajudar na circulação. Denota uma excelente leitura de jogo e foi sempre célere a recuperar a posição-base, dobrando igualmente os alas no momento em que a equipa perdia a posse de bola. Além dos aspectos de recuperação, é um jogador com imensa capacidade técnica, que demonstra muita facilidade na condução de bola e até no 1v1 ofensivo.


Alexis Sánchez (Médio-ofensivo, Chile)

Neste Mundial sub20, actuou inclinado sobre o lado direito, mas sente-se que é mais influente na zona central do meio-campo. Alexis Sánchez teria lugar na convocatória de Nelson Acosta na recente Copa América, mas os responsáveis chilenos preferiram que Sánchez exercesse a sua grande influência nos sub20. Para felicidade de José Sulantay. É um médio-ofensivo que ainda não apresenta os processos mais práticos na definição dos lances, mas é muito difícil aos adversários roubarem-lhe a bola, pois, além de ter muito bom toque de bola com o pé direito, é bastante possante.


Giovani dos Santos (Extremo/Segundo-ponta; México)

Houve excelentes desempenhos neste Mundial sub20 e alguns jogadores provaram que não terão dificuldade em assumir-se como futebolistas de top na cena internacional. No entanto, houve dois que demonstraram estar num patamar acima de todos os outros: os fora-de-série Sergio Agüero (Argentina) e Giovani dos Santos (México). No que diz respeito a este último, já não há grandes dúvidas que poderá ser um dos jogadores marcantes da próxima década.

Na selecção mexicana sub20, percorreu todas as zonas do ataque para servir o ágil e refinado Carlos Vela e estender a sua influência pela maior área possível – também foi visível que Giovani jogou muitas vezes de costas para a baliza, à frente da grande área, recebendo a bola e fazendo tabelas. Tal como Messi, é fortíssimo quando se desloca do flanco direito em diagonal para o meio, guardando a bola com o seu precioso pé esquerdo. Mas seja qual for a área do campo, Giovani faz a diferença porque tem a tal capacidade única e exclusiva aos grandes génios de prever o desfecho das jogadas antes de elas efectivamente acontecerem. Passe, remate, drible, controlo de bola em velocidade, aceleração e equilíbrio: são itens nos quais Giovani praticamente atinge a perfeição. Tendo em conta que só tem 18 anos, tem uma qualidade verdadeiramente absurda.


Yosuke Kashiwagi (Médio-ofensivo, Japão)

Foi de cabeça levantada que os japoneses sairam da competição, após terem sido eliminados pela República Checa nos oitavos-de-final. Esse foi, aliás, um desafio que contou com uma arbitragem, no mínimo, controversa. Surpreendentemente, a selecção do Japão bateu-se bem a nível físico com os seus oponentes. Mas foi na resolução dos lances ofensivos no meio-campo adversário que os nipónicos conseguiram afirmar a sua categoria. Jogadores como Morishima, Umesaki e Kashiwagi foram determinantes para implementar mais velocidade na definição nos últimos 35 metros. Yosuke Kashiwagi, médio ofensivo de 19 anos, foi o jogador japonês que mostrou mais capacidades. Do seu pé esquerdo sairam passes de elevada precisão, mas mostrou igualmente um bom entendimento do jogo, antecipando a melhor posição para efectuar recepção e passe. Kashiwagi, a quem a generalidade da imprensa japonesa gosta de comparar a Nakamura devido ao seu recorte técnico com o pé esquerdo, representa o Sanfrecce Hiroshima, o mesmo clube de Tomoaki Makino, o melhor defesa (central) do Japão neste Mundial.


Diego Capel (Extremo-esquerdo, Espanha)

O jogador mais espectacular da selecção espanhola. Durante este último ano - e tal como alguns outros elementos dos sub20 convocados para este Mundial do Canadá -, Diego Capel participou na qualificação dos sub19 para o Europeu da categoria, que também se disputa em Julho, na Áustria. Porém, não foi por esse facto que o extremo-esquerdo do Sevilla se amedrontou. Muito longe disso. Incute uma enorme valentia no seu jogo e vai para cima do adversário sem hesitar. E sem se cansar. Apesar de se fazer notar pelo aparato da velocidade alucinante com que acelera com a bola colada ao pé esquerdo e parte os rins aos defesas, o craque do Sevilla é tacticamente evoluído, evidenciando uma boa noção dos espaços que deve explorar, quer para receber a bola, quer para progredir. Joga melhor junto ao flanco, ganhando frequentemente a linha final para efectuar cruzamentos, capítulo em que regista uma eficácia muito interessante. Nas partes finais dos encontros, quando a fadiga tendia a surgir, foi comum deslocar-se para o flanco direito para não ter necessidade de correr tantos metros, apostando, antes, na colocação da bola no ponta-de-lança ou no remate. Mas foi geralmente para ele que a equipa direccionava o jogo. Pela execução técnica e pela altura em que aconteceu, o golo que marcou ao Uruguai (2-2) foi tremendo. Um jogador que apaixona a plateia.


Gerard Piqué (Defesa-central, Espanha)

Impõe-se naturalmente pela presença física. E mais ainda nos sub20. Defesa-central que pertence ao Manchester United e que esteve emprestado ao Real Zaragoza, Gerard Piqué tem uma série de características que o fizeram distinguir-se da grande maioria dos jogadores no Mundial do Canadá. Além da estampa física, é rápido a recuperar distâncias médias/longas e tem uma impulsão magnífica que permite-lhe tornar-se numa ameaça para a baliza contrária em situações de bola parada, bem como a disputar, sem concorrentes à altura, as bolas que chovem na zona dos médios-defensivos da sua equipa. Não tem, todavia, a mesma facilidade em dominar o adversário quando este acelera perto dele – nesse aspecto assemelha-se ao argentino Fazio. É destro e jogou sobre o lado esquerdo do centro da defesa, com Marc Valiente do lado direito. Uma vez que falamos na linha defensiva espanhola, destaque-se ainda José Crespo (jogou como defesa-esquerdo, mas é destro), que mostrou ser difícil de ser ultrapassado.


Alberto Bueno (Ponta-de-lança, Espanha)

Alberto Bueno é um tipo de ponta-de-lança em vias de extinção. Não possui, por exemplo, o poder físico de Adrián López ou de alguns outros avançados-centro presentes no Mundial, como Martin Fenin (Rep. Checa) ou Josmer Altidore (EUA). Mas no que diz respeito a faro pelo golo, terá muito poucos rivais à altura. Quando recebe a bola na grande área, mesmo com marcação apertada, tem sempre uma solução e consegue arranjar espaço para executar o remate, que normalmente sai bem colocado. Um ponta-de-lança com convicção. E muita escola.


Luis Suárez (Extremo-esquerdo, Uruguai)

Num registo diferente do de Diego Capel – forçosamente com menos adrenalina – o uruguaio Luis Suárez é também um extremo-esquerdo muito interessante para seguir com atenção nos próximos tempos. Tem facilidade em jogar apoiado ou a ser lançado em velocidade, conseguindo fazer a diferença com movimentos rápidos e imprevisíveis no 1v1. Remata bem com os dois pés, embora o seu preferido seja o direito - apontou um grande golo à Espanha com um tiro de fora de área em zona central. A sua elevada qualidade técnica e a forma adulta como aborda o jogo fazem com que Suárez tenha grandes possibilidades de vir a ser uma referência incontornável do Uruguai a longo prazo.


Petr Janda (Médio-esquerdo, Rep. Checa)

Corre até à exaustão. A República Checa levou ao Canadá uma selecção muito forte do ponto de vista físico e o multifuncional Petr Janda foi um dos que mais contribuiu para essa premissa. Embora destro, jogou sobre o lado esquerdo do meio-campo, conferindo equilíbrio ao bloco. É um jogador bastante muscular, que vive da força e da resistência, e não propriamente da criatividade e da imaginação para elaborar as jogadas de ataque. Nesta competição - os checos foram finalistas vencidos -, foi importante para esticar a equipa e simultaneamente em não deixar desmoronar a estrutura defensiva, fechando frequentemente a zona central ao lado de Kudela e Suchy, colega seu no Slavia de Praga. Apesar de no Mundial ter actuado no lado esquerdo, Janda joga muitas vezes no lado direito (defesa ou meio-campo) quando veste a camisola do Slavia.


Martin Fenin (Avançado-centro, Rep. Checa)

O gesto técnico com que Martin Fenin marcou o golo na final frente à Argentina foi bastante bom e acabou por ser a conclusão possível para o bom desempenho que o avançado-centro registou na prova. Tem a vantagem de ser forte e de ter uma boa capacidade técnica, que sabe aplicar quando cai (frequentemente) nas faixas laterais, ou dentro da grande área. Quando o gigante ponta-de-lança Pekhart entrava em campo, o seleccionador Miroslav Soukup colocava Fenin a jogar mais recuado.


Alexandre Pato (Segundo-ponta, Brasil)

É o jogador mais mediático neste Brasil que participou no Mundial sub20. Face à ausência de Lucas, a recuperar de lesão antes de começar a temporada no Liverpool, Alexandre Pato assumiu a liderança da equipa. Porém, ao contrário do que aconteceu no campeonato sul-americano sub20, Pato não conseguiu colocar em campo o mesmo brilhantismo que tem vindo a mostrar, quer pela Canarinha, quer pelo Internacional de Porto Alegre. Actuou como segundo-ponta e ligeiramente encostado ao flanco direito, em apoio ao avançado-centro Jô. Muito rápido a tentar ganhar a linha ou a surgir nos espaços de finalização, Pato ainda tem, contudo, que melhorar na tomada de decisões quando tem a bola na sua posse.


Leandro Lima (Médio-ofensivo, Brasil)

Fazendo lembrar Rummenigge, o baixinho Leandro Lima apontou um golo espectacular à Espanha com um pontapé de moinho indefensável. Veloz médio-ofensivo que pertencia ao São Caetano, mas que tem já acordo com o Porto, mistura uma grande habilidade no controlo de bola com uma agressividade elevada. Deve, contudo, reflectir sobre esse pormenor da agressividade, pois convém que aprenda a doseá-la quando disputa determinados lances divididos.


Dawid Janczyk (Avançado-centro, Polónia)

Causou impacto imediato no Mundial e ficou logo conotado como a vedeta da equipa. É um avançado-centro – actuou quase sempre sozinho no ataque, enquanto os médios lhe lançavam bolas em profundidade – que aposta sobretudo na sua pujança física e na inteligência na desmarcação para derrubar/evitar os marcadores directos. Dawid Janczyk (destro) não tem uma técnica assim tão elevada que compense a sua falta de explosão. No entanto, será sempre um avançado perigoso para os adversários porque sabe movimentar-se correctamente. Tem ainda que aprender a moderar o seu temperamento e a protestar menos, seja com os árbitros, seja com os adversários.


Freddy Adu (Médio-ofensivo/Segunda-ponta; EUA)

Com 18 anos, Freddy Adu é um dos talentos emergentes do futebol internacional e demonstrou as suas capacidades neste Mundial sub20. Os EUA rubricaram um óptimo desempenho na prova e uma parte considerável desse sucesso deveu-se à dupla atacante Freddy Adu - Josmer Altidore. Enquanto Altidore era o ponta-de-lança de área, possante, que segurava qualquer bola que viesse na sua direcção, o irreverente Adu tentava, nas suas costas, baralhar as defesas contrárias com roturas rápidas e inteligentes entre linhas. Realizou várias jogadas de grande nível ao longo da competição, mas o nó enorme com que eliminou dois defesas brasileiros junto à linha lateral é digno de ser visto com dez, vinte, trinta repetições - desse drible, por acaso, veio a resultar o golo do 2-1 para os EUA, assinado por Altidore. Apesar de ter alguma sensibilidade no controlo de bola com o pé direito, é com o pé esquerdo que consegue transmitir o máximo de precisão, fundamentalmente nos dribles, remates e cruzamentos. Ainda em relação a Altidore, que certamente figura na lista dos jogadores com melhor desempenho no Mundial, registe-se o modo em como também recuava para oferecer possibilidade de passe aos companheiros na construção de jogo.


Luís Catarino


» 2007-07-23
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