A selecção de Israel foi aquela que teve pior desempenho na competição e, neste caso, as três derrotas nas três partidas disputadas revelam bem a falta de qualidade da equipa orientada por Guy Levi.
As correcções (Taga e Srur)Amir Taga e Idan Srur. Estes dois médios ainda deram alguma esperança na tentativa de alterar o rumo negativo de Israel na competição. No jogo inaugural contra a Holanda, nenhum deles foi titular – Srur jogou (bem) os últimos cinco minutos -, pois foram Yeini e Jan que figuraram no onze inicial, atrás do mais ofensivo Baruchyan. O problema é que Yeini e Jan não têm qualquer apetência para interpretar transições, sejam elas mais rápidas, ou mais lentas. Não conseguem incentivar a troca de bola na equipa. Ainda por cima, o indisciplinado Baruchyan é daqueles jogadores que parecia mais preocupado em querer mostrar toques de habilidade no vazio. Praticamente não corria e, quando o fazia, era mal, deixando, inúmeras vezes, um grande espaço no meio-campo para que os holandeses avançassem sem oposição. Foi uma partida em que Israel teve uma grande dificuldade em sair a jogar, já nem tanto pela pressão holandesa, mas por própria incapacidade técnico-táctica.
Perante o fraco desempenho da equipa no jogo inaugural, Guy Levi fez algumas alterações no onze para o confronto com a Bélgica. As entradas que mais se fizeram notar foram, sem dúvida, as de Taga e de Srur. Até aos vinte minutos, Israel bateu-se bastante bem e é de elogiar a bravura em como o pequeno Srur confrontou, sem medo, os gigantes Fellaini e Vertonghen. As coisas nem estavam a correr mal para Israel e pareceu que iam ficar melhor quando Fellaini foi expulso aos vinte minutos. Os israelitas tiveram, então, que fazer frente a uma Bélgica ultra-agressiva, que se sentiu injustiçada com a expulsão e que, por isso, decidiu abusar das entradas duras. Na segunda parte, o jogo pertenceu, quase exclusivamente, a Israel. Só uma incrível falha de concentração do recém-entrado lateral-esquerdo Peser deitou tudo a perder. Peser virou as costas a um lançamento lateral dos belgas, permite que Vanden Borre coloque em Mirallas e este corre para a baliza, perante a gritante falta de velocidade de Keinan. O golo da Bélgica acabou por ser um castigo merecido para uma equipa que não soube aproveitar a superioridade numérica durante setenta minutos. Pior que isso, cometeu erros imperdoáveis.
Srur foi, possivelmente, o melhor jogador de Israel no Euro sub21. Esquerdino com boa técnica e com uma determinação e espírito de luta contagiantes, fez com que a equipa acreditasse num bom resultado frente à Bélgica, inclusivamente antes da expulsão do belga Fellaini. Jogou mais adiantado em relação a Jan e Taga, pois era claramente aquele que tinha melhores características para organizar as jogadas de ataque (visão de jogo e variação do passe, por ex.). Tem, igualmente, um bom remate e viu-se que gosta de aparecer perto da grande área para tentar a finalização. Ainda no desafio contra a Bélgica, houve momentos em que abriu o posicionamento até ao flanco esquerdo de modo a fazer “campo grande”. Não só para dificultar as marcações dos belgas propriamente ditas, como também para providenciar espaço de recepção e penetração a Ben Sahar pela faixa central. Foi o dono das bolas paradas na equipa (cantos e livres directos).
O melhor coadjuvante que Srur teve no onze foi Amir Taga. Jogador nascido na Etiópia, não tem, de facto, um porte físico que imponha muito respeito numa competição deste nível. Todavia, tem um excelente sentido de recuperação de bola. Se bem que Srur fosse o jogador com melhor passe, Taga também tinha alguma noção de como distribuir a bola correctamente. Recuperava-a ao adversário e sabia o que fazer com ela nos pés. Pena é que, tal como a equipa, em geral, tenha quebrado tanto a nível físico no jogo contra Portugal, manchando, assim, a boa imagem individual que tinha ficado do desafio anterior com a Bélgica. Recorde-se que Taga não defrontou a Holanda, pois foi Yeini quem alinhou de início. No entanto, Taga é muito melhor jogador que Yeini, que se limitou a jogar algemado a Jan, com demasiado receio dos ataques holandeses.
Jan foi titular nos três jogos, embora revelasse uma exasperante lentidão. Imensas dificuldades no passe e recepção, bem como na ocupação dos espaços, Jan não aparentou grande futuro naquela posição. Se não fosse o trabalho defensivo de Srur e, sobretudo, de Taga, a equipa teria sofrido ainda mais.
Ter um avançado do Chelsea não resolve tudoPelo facto de jogar no Chelsea, Ben Sahar era um dos jogadores em foco nesta selecção. O seu melhor desempenho foi no jogo frente à Bélgica e ainda fica na retina aquela espectacular recepção de calcanhar, em progressão, na sequência de um passe longo do defesa-central Duani (60 minutos de jogo).
Nascido em Agosto de 1989, Ben Sahar era, nada mais, nada menos, que o jogador mais novo do Euro sub21. Se é verdade que ficou algum desapontamento pelo facto de Sahar não ter produzido tanto quanto se esperava, tem que se admitir que a diferença de idades tem bastante influência nesta competição. Se tivermos em conta essa diferença de idades para os adversários, bem como as limitações técnicas e tácticas do colectivo israelita, que deixaram Sahar muitas vezes desapoiado, facilmente se percebe por que razão o jogador do Chelsea passou relativamente discreto. Apesar disso, mostrou inconformismo e não teve medo de rematar (com força) à baliza – recebendo a bola pelo centro, ou partindo em diagonal da esquerda para o centro, trocando com o possante esquerdino Arbeitman.
No ataque, destaque também para Barak Itzhaki. Médio-ala destro com bom controlo de bola, jogou do lado esquerdo contra a Holanda, com Peretz do lado direito sem grandes hipóteses para superar Drenthe. No entanto, contra a Bélgica e Portugal, Itzahki começou do lado direito. Não detectámos se joga particularmente melhor num ou noutro flanco, mas deu para perceber que devia ter mais arrojo nas situações de 1v1 e ir à linha cruzar. Toca bem a bola, não comete muitos erros, mas convinha que desse mais profundidade ao seu jogo. Esta crítica não invalida que, no quadro sofrível de exibições de Israel, o consideremos como um dos melhores.
Descoordenação tácticaGuy Levi ficou absolutamente rendido à qualidade de troca de bola dos portugueses; vejamos o enquadramento dessa partida frente a Portugal. Se Nani, encostado ao lado esquerdo, teve tantas oportunidades para avançar com a bola dominada foi também devido à estrutura táctica de Israel, pois Jan muito raramente foi ajudar o defesa-direito Shpungin na marcação à zona, o que deixava o último numa situação de muito perigo (não podia pressionar em cima, pois podia ser batido no 1v1, mas também não podia ser paciente porque isso era dar tempo ao ataque português para se organizar).
Foi, de facto, no jogo contra Portugal que pudemos verificar maiores períodos de descoordenação táctica na selecção de Israel. O futebol de primeiro e segundo toque de Portugal não deu hipóteses aos jogadores de Guy Levi, que, também acusando algum desgaste físico, decidiram permanecer no centro e não estender as marcações até às faixas laterais – facto muito bem explorado por Nani e Vaz Té.
Não só neste desafio frente a Portugal, mas também nos outros dois, a linha de defesa jogou muito recuada, evitando que os adversários explorassem as costas dos lentos defesas-centrais (mais visível contra a dupla Rigters - Babel). Neste aspecto, Keinan era quem vacilava mais em termos de velocidade e de timing ao disputar a bola. Dos seus parceiros do centro de defesa, quer Maymon (Holanda), quer Duani (Bélgica e Portugal) revelaram um pouco mais de capacidade, ainda que nada entusiasmante. O guarda-redes Al-Madon transmitiu pouca confiança, com intervenções algo desajeitadas.
Pouco TamuzO facto de Toto Tamuz não ter jogado durante mais minutos neste Euro sub21 é, no mínimo, estranho. Pouco mais de vinte na segunda parte do desafio frente à Holanda e nada mais do que isso. Este avançado-centro do Beitar de Jerusalém - nascido na Nigéria, mas já com internacionalizações pela selecção principal de Israel - não é muito requintado tecnicamente. Contudo, a sua força e explosão poderiam ter dado mais argumentos à (previsível) configuração atacante israelita. Principalmente no jogo com a Bélgica, em que havia necessidade de dar consequência ao acréscimo de posse de bola da equipa na segunda parte. Israel acabou a competição sem qualquer golo marcado...