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Europeu sub17 / Bélgica 2007

Holanda sem força


A selecção laranja não obteve um desempenho satisfatório neste Euro sub17. Albert Stuivenberg teve sempre que lidar com ausências de alguns jogadores importantes durante a fase de grupos e nunca lhe foi possível aplicar o onze-base desejável. A única vitória proveio do confronto frente à Islândia (3-0), tanto que o empate com a Bélgica (2-2) e a derrota com a Inglaterra (2-4) atiraram a Holanda para o terceiro lugar do grupo B. No jogo único de play-off para o apuramento das cinco selecções europeias a participar no Mundial da categoria, na Coreia do Sul, a Holanda perdeu com a Alemanha (2-3).


O azar de Daley Blind

Muito devido ao facto de ser filho de Danny Blind - antigo líbero da Oranje e do Ajax, clube onde também foi treinador, sucedendo a Ronald Koeman -, Daley era um dos jogadores mais em foco no cartaz desta edição do Euro sub17. Contudo, acabou por actuar em apenas um encontro e a Holanda nem sequer chegou às meias-finais. Após ter cumprido um jogo de castigo no desafio inaugural com a selecção da casa, Daley Blind foi titular na vitória frente à Islândia. E com um contributo decisivo, uma vez que anotou dois golos (um deles de livre directo). Porém, uma lesão no tornozelo afastou-o do resto da competição e a Holanda viria a perder com Inglaterra e Alemanha. Na selecção de Stuivenberg actua como médio-defensivo, ao lado do capitão Leroy Fer, mas nos escalões de formação do Ajax – tem como treinador Sonny Silooy, antigo colega de Danny Blind no clube de Amesterdão - até tem actuado com alguma frequência como defesa-central.


Wijnaldum desapoiado

Sem o futebol fino de Daley Blind a contribuir para a gestão de posse de bola no meio-campo holandês, foi muito difícil à equipa de Stuivenberg assegurar o mínimo de qualidade de jogo no 4-3-3. O criativo Georginio Wijnaldum tem bastante capacidade técnica (passe de média/longa distância, remate, controlo e protecção de bola), mas sem a presença válida de pelo menos um dos outros dois médios do triângulo centrocampista holandês, não era possível criar a dinâmica necessária na definição dos lances ofensivos.


Mais rápido, pode ser?

Leroy Fer era um desses médios que não mostrou capacidade de criar desequilíbrios no meio-campo adversário. Falamos de posicionamento sem-bola, criando linhas de passe ou finalização. O capitão é o elemento fisicamente mais possante da equipa e, em lances de bola parada, era o “target-man”. No entanto, revela uma notória falta de reflexos e de aceleração/velocidade. Em qualquer 1v1 era impressionante como o pesado médio tinha dificuldades em encarar o adversário no momento do desarme. Convinha que evoluísse igualmente em termos de domínio e condução de bola.


O ataque

Daley Blind falhou a comparência nos jogos mais importantes da Holanda, mas há que referir que a equipa também sentiu a falta do ponta-de-lança Género Zeefuik no terceiro jogo frente à Inglaterra (derrota holandesa por 2-4). Zeefuik, do PSV, jogador com presença forte na grande área, é a principal referência da equipa no que diz respeito a golos. Dos restantes atacantes, destaque para o extremo-direito do Arsenal, Nacer Barazite. Agressivo na procura da bola, joga rápido e com critério. Uma boa promessa que certamente terá rampa de lançamento preparada por Arsène Wenger. Luís Pedro (apontou um grande golo à Inglaterra – remate de fora de área) e Narsingh são rápidos e movimentam-se bastante pelo ataque, mas nem sempre se revelaram objectivos. A pouca colaboração de Wijnaldum na fase de definição - pelas razões que já vimos acima - também afectou negativamente os seus desempenhos. No caso de Narsingh, nota-se que tem uma presença mais forte na grande área do que Luís Pedro, por exemplo.


Defesa-esquerdo de recurso

Fidelíssima ao 4-3-3, a Holanda actuou quase sempre com a linha de defesas bastante alta, com os defesas-laterais na linha do meio-campo a oferecer largura na construção. Benthem revelou mais apetência ofensiva do que o defesa-esquerdo Cairo, o que não é de estranhar devido ao facto de o último ser destro. Aliás, o defesa-esquerdo habitualmente titular do onze de Stuivenberg é Miquel Nelom - colega de Fer, Wijnaldum e Luís Pedro no Feyenoord -, mas que esteve ausente deste Euro sub17. Daí a chamada de Cairo (PSV) – defesa-central de origem - ao onze inicial para aquela posição.


O promissor Patrick van Aanholt no meio da indefinição estratégica

Um dos que causou uma impressão mais positiva foi Patrick van Aanholt, defesa-central canhoto de 16 anos. Tem bastante capacidade técnica para sair a jogar com a bola controlada, mas por vezes tentou em demasia (quase escusadamente) o recurso ao passe longo. Não tanto por culpa do próprio Van Aanholt, mas devido à inexistência de um pivot de referência para a construção de jogo à frente da defesa. Os defesas-laterais adiantavam-se, o guarda-redes Padt entregava a bola nos defesas-centrais, mas Leroy Fer, por exemplo, foi sempre incapaz de pedir a bola. Por essa razão os defesas-centrais tiveram de utilizar o passe longo e o habitual estilo de jogo apoiado holandês desvaneceu. Daley Blind teria sido o tal médio-centro com maior influência nas transições defesa-ataque. De qualquer forma, Van Aanholt (por agora no PSV) é um jogador a seguir nos próximos anos. Possui uma excelente estrutura física e é muito rápido. Potencial enorme.


Luís Catarino


» 2007-05-14
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