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Mundial sub20 / Canadá 2007

Destaques na campeã Argentina

Sergio Agüero (Avançado-centro)

Nesta edição do Mundial de sub20, dois jogadores mostraram estar numa categoria acima de todos os outros. Um deles foi Sergio Agüero, avançado-centro que já no Mundial de sub20 disputado na Holanda, em 2005, registara pormenores de qualidade. Na altura, era habitual suplente utilizado na equipa de Ustari (então colega seu no Independiente), Zabaleta, Paletta, Gago e Messi.

Dois anos depois, ‘Kun’ Agüero chegou ao Canadá com um futebol absolutamente excepcional. A maturidade e qualidade de jogo que foi adquirindo no Vicente Calderón com Javier Aguirre fizeram com que se assumisse, de forma natural, como o líder desta selecção orientada por Hugo Tocalli.

A jogada espectacular com que concretizou o primeiro golo frente à Polónia não se esquece facilmente – um movimento sintetizado em três toques: recepção de costas para a baliza, rotação ao mesmo tempo que toca a bola (com o pé direito) por cima do adversário e finalização, pelo chão, direccionando o remate para o segundo poste, com o pé esquerdo.

Aquilo que distingue Agüero não é só a forma extraordinária em como coloca o corpo para proteger a bola e em como se liberta dos defesas, em velocidade, ou em espaços apertados. É principalmente a sua capacidade de antever a conclusão das jogadas. Enquanto o adversário vai pensando na forma em como lhe tirar a bola, já Agüero sabe a quem vai entregar depois de driblar o mesmo adversário. Está sempre uns segundos à frente do oponente e depois conta, obviamente, com fabulosas capacidades técnicas e físicas para interpretar essa faceta… “visionária”. Esta é a fórmula que garante uma percentagem elevadíssima de jogadas bem sucedidas. Transmite calma e certeza à definição dos lances e também aponta muito bem livres directos (em colocação com o seu pé direito).


Maxi Morález (Segundo-ponta/Extremo)

No 4-2-3-1 de Tocalli, Maxi Morález foi um dos atacantes que mais ajudou Agüero e os restantes atacantes argentinos a obterem espaços de aceleração nos últimos trinta metros. Apesar de muito franzino e de baixíssima estatura (infelizmente não aparenta vir a ganhar altura e massa muscular suficientes para se afirmar nos melhores campeonatos a longo prazo), Morález imprimiu uma dinâmica interessante, recebendo a bola em zona exterior e procurando executar a tabela, o último passe ou o remate depois de uma aproximação rápida à grande área (Zarate caía várias vezes no flanco direito, alternando de posição com Morález). Embora tenhamos a impressão que o seu défice de força e potência constituem um importante entrave na sua afirmação a longo prazo, devemos elogiar a qualidade do seu desempenho no Canadá 2007, tal como já acontecera no campeonato sul-americano sub-20 há poucos meses. Maxi Morález poderá ser mais caso de um óptimo jogador nos escalões jovens que se perde na transição para o futebol dos “adultos”.


Ángel Di María (Extremo-esquerdo/Médio-ofensivo)

Há algum tempo que Arsène Wenger o tem na lista de possíveis reforços e o médio-ofensivo provou porque tem vindo a suscitar o interesse mais concreto, não só do Arsenal, como também do River Plate. Di María rubricou um desempenho bem positivo no Mundial, constituindo-se como um dos principais aceleradores na fase ofensiva da Argentina. Muito devido à forma destemida em como encara o jogo, nem sempre opta pela solução mais fácil e isso faz com que perca alguns lances de modo despropositado. Por outro lado, Di María explora precisamente esse seu carácter intrépido para bater o adversário no 1v1. É um médio-ofensivo muito ágil, com um pé esquerdo de recorte técnico bastante acentuado, e que tanto pode actuar junto ao flanco, como no corredor central – é visível que tem muita tendência para exercer o seu jogo em zonas interiores e, assim, assistir o avançado-centro ou aplicar o seu forte remate. A condução de bola é quase sempre feita de forma rápida. À parte do estilo de jogo veloz, gosta de jogar bonito. E às vezes exagera.


Federico Fazio (Defesa-central)

Defesa-central de elevada estatura, destacou-se desde o primeiro dia da competição pelo seu porte físico. Não tem particular intimidade com a bola e apresenta algumas dificuldades em lidar com adversários directos que lhe surjam em velocidade, pois a agilidade e aceleração não são propriamente os seus atributos mais fortes. Por isso, a linha defensiva da Argentina nunca actuou muito distante da sua grande área, evitando-se que a oposição colocasse a bola nas costas do próprio Fazio ou de Cahais. De qualquer forma, Fazio tenta contornar essa situação da relativa prisão de movimentos com um bom sentido de antecipação nos passes e cruzamentos. Ao seu lado na zona central, esteve o já referido capitão Cahais, que o ajudou a dominar o jogo aéreo. Fazio é um gigante que requer, sobretudo, mais treino no passe e controlo de bola. Do modesto Ferro Carril da Argentina, viajou para Espanha no último mercado de inverno para jogar no Sevilla Atlético, filial do Sevilla FC. Juntamente com Diego Capel, ajudou o clube a atingir a promoção da 2.ªB para a Segunda Divisão espanhola. Porém, é no Sevilla FC que os dois irão jogar em 2007/8.


Ever Banega (Médio-defensivo)

Já tem uma maturidade mais elevada do que a generalidade dos colegas e isso nota-se pela forma descontraída em como sai das situações mais complicadas no eixo do meio-campo. E também em como procura mecanismos que facilitem o seu próprio desempenho individual. Afinal de contas, o médio-defensivo fez parte da equipa titular do Boca Juniors (4-4-2/4-3-1-2) que conquistou a última edição da Libertadores e isso fê-lo ganhar um considerável capital de confiança e de conhecimento táctico. Na selecção de Tocalli, foi um elemento importantíssimo no papel de principal pivot do meio-campo para organizar as transições defesa-ataque: ajustando cada passe com a distância aconselhada e subindo com a bola controlada. Comparativamente com aquilo que faz no Boca, teve muito mais condições para se aproximar da grande área do adversário e tentar o remate. Claudio Yacob não trata a bola com o mesmo carinho, mas foi um auxílio decisivo para Banega no trabalho de recuperação de bola.


Luís Catarino


» 2007-07-23
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