Malaury Martin (Médio-centro, França)
Comandou a selecção de Guy Ferrier com autoridade e, pela versatilidade que mostrou, percebe-se que tem potencial para se afirmar no Mónaco e tornar-se um dos melhores médios-centro europeus a longo prazo. O capitão Malaury Martin é um jogador bravo na recuperação de bola e actua preferencialmente do meio-campo para a frente, constituindo-se como um óptimo condutor da equipa. Movimenta-se correctamente entre linhas e efectua o passe com muita certeza, sendo, ainda, muito útil a apontar livres e cantos com o seu pé direito. Dinamizou o ataque francês juntamente com o avançado Monnet-Paquet (Lens) e exerceu ainda mais influência na equipa após a lesão de William Vainqueur (médio do Nantes).
Martin Männel (Guarda-redes, Alemanha)
Quem viu a sua espectacular exibição entre os postes no jogo inaugural frente à Rússia tem de sentir-se constrangido pelos posteriores “azares” contra a Sérvia e Grécia. Männel é um guarda-redes que tentava colmatar a baixa estatura com coragem e velocidade a fazer a mancha, mas a verdade é que foram várias as ocasiões em que ficou mal visto nos cruzamentos ou bolas altas. A Grécia, por exemplo, tentou tirar o máximo proveito da sua baixa estatura, rematando consecutivamente de longa distância. Perante esta circunstância, dificilmente tornar-se-á num guarda-redes de topo.
Änis Ben-Hatira (Médio-ofensivo, Alemanha)
Não foi por ele que os alemães viram negado o acesso à final. Änis Ben-Hatira colocou em campo o seu virtuosismo e registou jogadas notáveis do ponto de vista técnico - drible, rápida condução de bola e, sobretudo, capacidade para efectuar o último passe, se bem que o avançado Tyrala tivesse desaproveitado muitos deles. Coberto por uma linha musculada constituída por Konrad (bom rematador) e Sauter ou Kruse – além do consistente flanco direito com Boateng e Schwaab – Ben-Hatira, menos dado a tarefas de recuperação, teve liberdade para escolher a melhor posição para receber a bola e executar o seu jogo marcadamente técnico. Médio-ofensivo ambidestro de ascendência tunisina, elegeu a Mannschaft como a sua futura selecção, em detrimento dos magrebinos. Actua no Hamburgo.
Jérôme Boateng (Defesa-direito, Alemanha)
Jogou mais minutos como defesa-direito, mas o seleccionador Frank Engel também o fez actuar no meio-campo em determinados momentos, trocando com o habitual médio-direito, Daniel Schwaab. Jérôme Boateng é um atleta imponente (1.92m/91kg) e tem uma técnica bem razoável, embora a velocidade não seja propriamente o seu forte. De qualquer forma, caso continue a trabalhar nesta posição, será um jogador com características muito particulares no mercado europeu, muito devido ao seu porte atlético. Jérôme tem um irmão mais velho que actua consigo no Hertha de Berlim - Kevin-Prince Boateng é um talentoso médio-ofensivo internacional alemão e participou na mais recente edição do torneio de Toulon.
Javi Martínez (Médio-centro, Espanha)
O capitão não participou na final frente à Grécia devido a castigo, mas foi o principal garante de estabilidade no conservador 4-3-3 da campeã Espanha ao longo deste Euro sub19, especialmente tendo em conta a ausência de Sunny, convocado para o Mundial de sub20. Javi Martínez (18 anos; 1.90m) é um médio-centro de essência defensiva, que se destaca pela força e resistência. No Athletic – o clube de Bilbau pagou 6M euros ao Osasuna pelo seu passe há um ano - , Javi Martínez realizou 32 partidas como titular durante a época passada, tendo ainda apontado três golos (dois deles numa vitória na Corunha por 0-2, em Dezembro de 2006). É bastante aguerrido na forma em como divide as jogadas com os adversários e extremamente perigoso na conclusão de lances de bola parada na grande área. Um poderoso médio todo-o-terreno que tem tudo para vingar em San Mamés sob orientação de Joaquín Caparrós.
Aarón Ñíguez (Extremo/segundo-ponta, Espanha)
Se Javi Martínez conferiu estabilidade na equipa, Aarón Ñíguez ficou encarregue de imprimir irreverência nos últimos trinta metros. Com Diego Capel a representar a selecção de sub20 no Canadá, Juan Santisteban apostou em Aarón para a posição de extremo-esquerdo, desviando-o um pouco da sua posição natural de segundo-ponta. O facto de ser destro podia pressupor que iria procurar sempre as diagonais interiores, mas a verdade é que até chegou a ganhar por variadíssimas vezes a linha de fundo, confundindo a marcação dos adversários. Um jogador irrequieto, com excelente aceleração e uma fantástica visão de jogo e capacidade técnica. De outra maneira, não teria apontado aquele golo brilhante à Áustria – lançamento lateral direccionado para si, um primeiro toque para passar a bola por cima de um adversário, um segundo para desviar de outro defesa, e o último que foi o remate para golo com o pé esquerdo na pequena área. Tudo em velocidade. Refira-se também que é um perito em livres directos. Como ponto negativo, podemos apontar-lhe o facto de às vezes parecer ignorar as necessidades colectivas e querer jogar para os olés.
Aarón pertence ao Valencia e já actuou como titular na Liga dos Campeões da temporada passada, frente à Roma, na última partida da fase de grupos, quando os ché já tinham garantido a presença nos oitavos-de-final. Uma estreia, no Olímpico de Roma, é sempre um momento marcante, mas Aarón teve alguma infelicidade por ter-se lesionado, participando apenas durante os primeiros 27 minutos. E mesmo nesse período a tendência do jogo não estava favorável, pois os giallorossi eram a equipa dominadora e os espanhóis mal tocaram na bola. Quique Flores tinha apostado num 4-4-2 e Aarón era um dos avançados, jogando entre o lado direito e o eixo, nas costas de Tavano. Ou seja, com funções diferentes daquelas que Santisteban (quem orientou a selecção na qualificação foi Ginés Meléndez, que seguiu com a equipa de sub20 para o Canadá) lhe destinou neste Euro sub19. Em 2007/8, este promissor talento do futebol espanhol, de apenas 18 anos, irá actuar no Xerez (segunda divisão) por empréstimo.
Emilio Nsue (Ponta-de-lança, Espanha)
Beneficiou das ausências de Adrián López e Alberto Bueno – acompanharam a selecção sub20 para o Canadá – para conquistar a titularidade neste Euro sub19. Emilio Nsue é um ponta-de-lança, de origem camaronesa, com poder físico e que procura as acções colectivas. A jogar de costas para a baliza é muito forte, de facto. No entanto, durante a prova, não demonstrou a frieza necessária na finalização e não foi suficientemente lesto em várias situações de jogo. Daí que seja legítimo conservar algumas dúvidas em relação àquilo que pode render no futuro. Tem a vantagem de ser relativamente novo (nasceu em Setembro de 1989), mas terá que trabalhar muito no seu clube, o Mallorca.
Sotiris Ninis (Extremo-direito, Grécia)
De longe, o jogador com mais qualidade na selecção da Grécia orientada por Nikos Nioplias. Mesmo com apenas 17 anos, Sotiris Ninis empolgou a equipa com a sua raça e velocidade. Joga melhor sobre o lado direito, mas, face à falta de capacidade dos companheiros em produzir jogadas de ataque, deslocou-se frequentemente para a faixa central, como segundo-ponta. O baixinho Ninis é um talento que foi lançado precocemente nos seniores do Panathinaikos e que tem como principal característica a rapidez de movimentos. De facto, manifesta uma especial propensão para vencer os seus marcadores directos no 1v1, e estes têm imensa dificuldade em pará-lo sem recorrer à falta. Além disso, tem uma boa precisão no passe e no remate, o que lhe permite ter mais soluções para desequilibrar na fase ofensiva. E mesmo assim convém sublinhar o facto de Ninis ter actuado bastante desapoiado.
Konstantinos Mitroglou (Ponta-de-lança, Grécia)
O ponta-de-lança da selecção grega marcou três golos neste Euro sub19, mas chegou a ser confrangedora a forma em como, nos vários jogos que disputou na prova, não conseguiu dominar ou rematar convenientemente a maioria das bolas que lhe foram parar aos pés. Afirmar que fez figura de corpo presente talvez seja exagerado, mas a sua lentidão e capacidade técnica quase roçaram o escândalo. Assim, terá muito, mas mesmo muito, que trabalhar no seu novo clube, o Olympiacos – assinou com o gigante helénico depois de representar o Borussia M’gladbach.
Luís Catarino