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Sul-Americano sub-17 / Chile 2009

Brasil: Aquecer para Outubro


Sem surpresa, o Brasil conquistou mais uma edição do campeonato sul-americano de sub-17. A Argentina bateu-se bem na final, mas os canarinhos foram melhores no desempate por grandes penalidades, acabando por regressar do Chile com o troféu. Foi uma boa forma de aquecer os motores para aquele que é o principal objetivo desta seleção brasileira orientada por Lucho Nizzo: vencer o Mundial da categoria que irá ter lugar na Nigéria, de 24 de Outubro a 15 de Novembro deste ano. Recorde-se que a última vez que o Brasil venceu o Campeonato do Mundo no escalão de sub-17 foi em 2003, na Finlândia, edição na qual jogadores como Evandro Roncatto (hoje no Belenenses) e Ederson (atualmente no Lyon) bateram a Espanha de Fàbregas e David Silva na final.





Luís Guilherme (Guarda-redes, DN: 4/6/1992, Botafogo)

Manteve uma presença firme na baliza do Brasil e efetuou defesas com algum nível de dificuldade. É ágil e rápido entre os postes e tem boas mãos, tanto a segurar cruzamentos como a lançar ataques rápidos. Veremos como é que este guarda-redes do Botafogo se irá desenvolver nos próximos anos, mas, pelo que foi dado a observar neste torneio, parece ser já um jogador com valor.


Gérson (Defesa-central, DN: 4/10/1992, Grémio)

Ostenta a braçadeira de capitão e foi ele quem ergueu o troféu no final da prova. O defesa-central Gérson é um líder espontâneo, comunicativo com os seus colegas e bastante duro e imponente no duelo físico com os avançados. Tem de desenvolver a sua qualidade técnica, mas diga-se, em abono da verdade, que tem uma boa noção desses seus limites, uma vez que, à mínima dificuldade, não hesitou em despejar a bola para longe ou para fora do campo. Fez dupla com Sidimar, nos jogos iniciais, e, mais tarde, com Maurício.


Dodô (Lateral-esquerdo, DN: 6/2/1992, Corinthians)


Possui uma qualidade incomparavelmente superior a qualquer um dos dois laterais-direitos que alinharam na prova (Crystian e Romário) e, sobretudo por esse motivo, o flanco esquerdo foi quase sempre o mais dinâmico nesta equipa. Dodô é um lateral-esquerdo com boa estatura, mas destaca-se pelo excelente toque de bola. Tem uma grande habilidade técnica com o pé esquerdo e é muito forte no momento em que faz roturas no terço atacante, quer em tabelas, quer em condução. O seu atual clube, o Corinthians, já negociou uma transferência para o Manchester United e talvez nos Red Devils venha a ter todas as condições para evoluir devidamente do ponto de vista defensivo, pois ainda lhe falta alguma contundência na marcação.


João Pedro (Médio-defensivo / ponta-de-lança, DN: 9/3/1992, Atl. Mineiro)

Uma das principais curiosidades da seleção brasileira tem a ver com este jogador. Uma vez que o duplo-pivô era constituído por Elivelton (rápido e bom recuperador) e Carlão (possante, mas lento e tecnicamente pouco dotado), não havia espaço imediato para João Pedro. No entanto, o selecionador Lucho Nizzo não queria abdicar deste elemento dos quadros do Atlético Mineiro e fê-lo jogar como ponta-de-lança no começo da competição, tentando tirar proveito do seu porte físico e do seu remate forte na grande área adversária. Quando Elivelton ficou indisponível para os últimos jogos devido a lesão, então João Pedro passou a desempenhar a posição para a qual estaria mais vocacionado: médio-centro. Remata muito forte (era ele que batia livres diretos frontais), mas terá de ganhar mais precisão e eficácia, não só no remates, mas principalmente no passe.


Zezinho (Médio-ofensivo, DN: 14/3/1992, Juventude)

Muito bom jogador. Atua preferencialmente como médio-ofensivo, mas acabou por revelar uma omnipresença notável. Tanto apoiava os atacantes e abria caminho para os outros médios e laterais, como depois lutava para impedir as saídas do adversário para o ataque. Zezinho é um esquerdino com capacidade técnica elevada e também foi sempre muito disponível nas tarefas de recuperação, não mostrando receio em meter o pé para desarmar, ao bom estilo dos jogadores do estado do Rio Grande do Sul. Procura bem os espaços de receção, aparece a finalizar, é rápido, atlético, sabe proteger a bola com o corpo e remata bem. Na verdade, perante um jogador tão completo, com tanta personalidade, consistência e sentido coletivo, é difícil encontrar pontos negativos no seu jogo. Bateu cantos e livres em alternativa a Wellington.


Philippe Coutinho (Médio-ofensivo, 12/6/1992, Vasco da Gama)


Acrescentou classe à seleção do Brasil. Coutinho é um pequeno génio carioca a quem ainda falta uma considerável dose de robustez física (veremos como cresce nos próximos anos…), mas que já denota uma qualidade notável para desenvolver jogo em espaços curtos. Dribla com a bola colada ao pé direito, pratica muito bem as mudanças de velocidade e de direção e é exímio a definir o último passe. Marcou três golos no torneio, o último dos quais na final frente à Argentina, na sequência de um remate extremamente bem colocado. Tem contrato assinado com os italianos da Inter, mas só depois de completar 18 anos é que irá juntar-se aos nerazzurri. Para já, vai evoluir no Vasco da Gama, despromovido à Série B do campeonato brasileiro.


Wellington (Segundo-ponta, 6/2/1992, Fluminense)


Devido à ausência de Neymar, que não foi libertado pelo Santos para disputar este torneio, o papel de Wellington no ataque ganhou ainda mais relevância. Sempre a procurar a bola em zonas exteriores, o enérgico camisola 11 deu imenso trabalho aos defesas contrários. Habilidoso com o pé esquerdo, rápido e agressivo, este potencial craque do Fluminense conta também com uma boa capacidade de remate. Curiosamente, no jogo contra a Colômbia, o único que o Brasil não venceu, Wellington saiu lesionado aos 15 minutos do jogo. Nos dois últimos desafios (contra Bolívia e Argentina), teve o veloz Felipinho como parceiro no ataque, já com João Pedro a atuar mais recuado.


Resultados:

Primeira fase
Paraguai (4-0: Carlão 12, Zezinho 30, Coutinho 45+1 pen., Felipinho 90)
Peru (3-0: Gérson 37, Coutinho 39 pen., Wellington 83)
Colômbia (0-2)
Bolívia (3-0: Dodô 50, Wellington 55, Romário 66)

Final
Argentina (2-2: Zezinho 4, Coutinho 56; 6-5 em penalties)


Luís Catarino
fotos: ap

» 2009-05-14
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