Sul-Americano sub20 / Venezuela 2009
Amarelo, para não variar
O Brasil venceu o campeonato sul-americano do escalão sub-20 pela segunda vez consecutiva. Welinton Souza e Rafael Tolói tiveram uma boa presença no centro da defesa, Walter foi a principal referência atacante, mas, provavelmente, o fator que mais distinguiu esta equipa de todas as outras foi a qualidade dos dois médios-centro: Sandro e Giuliano. Uma breve análise sobre alguns dos campeões.

Patric (Lateral-direito, DN: 25/3/1989, Criciúma)Ainda denota alguma precipitação no entendimento das jogadas e na concretização do passe em corrida, mas tem de se reconhecer o seu esforço ao longo da prova. Nunca baixou os braços e foi dessa forma que foi escondendo alguns dos seus problemas ao nível técnico ou até tático. Patric utilizou a sua excelente preparação física para subir no flanco direito e, assim, criar constantes situações de superioridade numérica na fase ofensiva, aspeto essencial na mecânica deste 4-4-2 com meio-campo em quadrado.
Welinton Souza (Defesa-central, DN: 10/4/1989, Flamengo)Uma das diferenças entre os dois defesas-centrais Welinton Souza e Rafael Tolói foi a iniciativa que o jogador do Flamengo mostrou nas subidas ao meio-campo adversário. Foram várias as vezes em que este gigante quis surpreender a equipa contrária, avançando, sem receio, com ou sem bola controlada. Muito importante no jogo aéreo devido à sua elevada estatura, Welinton Souza foi peça-chave na conquista deste título.
Sandro (Médio-defensivo, DN: 15/3/1989, Internacional-RS)
Uma espécie de Patrick Vieira brasileiro. Encontra-se, indiscutivelmente, entre os cinco jogadores que melhor desempenho tiveram neste campeonato e soube ser o capitão que o Brasil precisava. Não é muito comum as seleções canarinhas darem a conhecer médios-defensivos estilo “perna longa” e que, simultaneamente, consigam demonstrar conforto no trato da bola. Sandro é uma feliz exceção. Por causa da sua elevada estatura, foi importantíssimo a ganhar bolas pelo ar no meio-campo e, juntamente com Giuliano, formou uma dupla bastante intimidadora no desarme – as equipas contrárias tiveram sempre muita dificuldade em contra-atacar, pois ambos eram muito rápidos e agressivos na compensação. Joga regularmente na equipa titular do Internacional de Porto Alegre.
Giuliano (Médio-centro, DN: 31/5/1990, Internacional-RS)

Muito possivelmente, o melhor jogador desta edição do campeonato sul-americano sub-20. Tem mais vocação ofensiva do que Sandro, mas isso não significa que também não seja um excelente recuperador. Extremamente completo e com uma resistência impressionante, Giuliano foi o principal motor da seleção brasileira, revelando uma notável disponibilidade de desmarcação para explorar os espaços do meio-campo adversário e aparecer em situação de finalização. Recupera muitas bolas na linha média, pressiona bem, oferece linhas de passe aos colegas e tem bastante domínio de bola e discernimento para fazer com que a equipa saia a jogar. Ao serviço do Paraná, foi a principal revelação da Série B brasileira no ano de 2008. Ao longo de 2009, vê-lo-emos precisamente ao lado de Sandro, no Internacional de Porto Alegre, com quem assinou contrato recentemente. Será interessante ver a evolução deste verdadeiro craque tático.
Maylson (Médio-ofensivo, DN: 6/3/1989, Grémio-RS)
Beneficiou do eclipse de Renan Oliveira e revelou-se como um dos jogadores mais consistentes desta seleção. Maylson é um médio com boa compleição física, mas destacou-se principalmente pela simplicidade com que joga. É muito preciso no passe, decide e conduz com rapidez e conseguiu ser muito útil a auxiliar a equipa no processo defensivo. Pela forma positiva como se impõe em campo, nota-se que é um jogador bastante fiável.
Renan Oliveira (Médio-ofensivo, DN: 23/12/1989, Atlético Mineiro)
Já é habitual titular no meio-campo do Atlético Mineiro, tendo roubado o lugar ao veterano Dejan Petkovic. Recorre à excelente visão e capacidade de último passe para abrir as defesas contrárias e a sua qualidade técnica é indiscutível. Na ausência de Alex Teixeira (Vasco da Gama), Renan Oliveira iniciou a prova como titular, mas o nível das suas exibições foi decrescendo lentamente, razão que levou Rogério Lourenço a apostar mais vezes em Maylson ou Tales na fase decisiva. Tem imenso talento, mas convém que comece a dedicar mais tempo à componente física.
Douglas Costa (Médio-ofensivo, DN: 14/9/1990, Grémio-RS)
Esquerdino com drible frenético, fortíssimo no 1v1 e com muita rapidez de movimentos, o irreverente Douglas Costa consegue abanar o jogo quando pega na bola. Ainda tem de perder alguns traços de imaturidade na tomada de decisão, mas tem um potencial elevado. É muito difícil de ser travado quando arranca para cima dos defesas.
Dentinho (Extremo/segundo-ponta, DN: 19/1/1989, Corinthians)
É uma pena que às vezes jogue de forma tão pouco objetiva, pois trata-se de um atacante com uma habilidade fora do normal. Dentinho dribla curto e com muita rapidez, ao estilo do melhor futsal, e o defesa que o abordar à queima será facilmente batido. Movimenta-se pelas alas, pelo eixo, nas costas do ponta-de-lança, e será um caso muito sério nos próximos anos caso consiga tornar-se num jogador mais racional e consequente. Para já, vale-lhe a relação chegada que tem com a bola.
Walter (Ponta-de-lança, DN: 22/7/1989, Internacional-RS)
No primeiro jogo, com o Paraguai, estavam decorridos sete minutos quando Walter se lembrou de rematar com o pé direito, em zona frontal, a uns bons 35 metros da baliza. A bola entrou bem colocada, com uma força incrível. Alguns dias depois, outra proeza, com maior grau de dificuldade: Tolói aliviou a bola da grande área do Brasil, ela sobrevoou o campo quase todo e Walter, em corrida, entre dois defesas uruguaios, matou a bola caída do céu para rematar prontamente para golo com o mesmo pé direito. Recepção e remate executados à velocidade de Lucky Luke. Bastava ter visto estes dois golos para ter ficado imediatamente com uma opinião favorável sobre o jogador, mas a sua qualidade de jogo é extensível a outros domínios. É um ponta-de-lança possante (físico um pouco semelhante ao de Adriano), recebe bolas de costas para os defesas e é altruísta, sabendo trabalhar para as entradas dos colegas em área de finalização. Tecnicamente evoluído, tem confiança no drible e a jogar pelo chão e procura espaços exteriores de forma a não se entregar à marcação.
Resultados:Primeira faseParaguai (1-1; Walter 7)
Bolívia (2-1; Walter 35, Tales 51)
Chile (2-0; Dentinho 10, Maylson 77)
Uruguai (2-3; Douglas Costa 33, Alan Kardec 63)
HexagonalUruguai (3-2; Walter 20, 30, Douglas Costa 77)
Argentina (2-0; Alan Kardec 66 pen., Giuliano 85)
Venezuela (3-0; Maylson 34, Giuliano 46, Sandro 57)
Colômbia (2-1; Walter 30, Douglas Costa 34)
Paraguai (0-1)
Luís CatarinoFotos: AP e Reuters
» 2009-02-14