Europeu sub-17 / Alemanha 2009
Alemanha: Eliminando a crise
O futebol da Alemanha deparou-se com uma crise de matéria-prima que se intensificou no início do novo século, mas, paulatinamente, os clubes e a federação nacional daquele país foram encontrando as soluções adequadas para voltar a produzir e a desenvolver talentos com qualidade. Comparativamente com aquilo que se observava no início da presente década, as atuais gerações de jovens futebolistas alemães revelam maior aptidão ao nível técnico e conseguem já rivalizar com as melhores seleções europeias e mundiais, o que permite à
Nationalmannschaft encarar o futuro com mais otimismo. No ano passado, a Alemanha já se tinha sagrado campeã da Europa de sub-19 e note-se que o último troféu que os germânicos haviam conquistado antes desse título de 2008 havia sido em 1986, quando a RDA, onde figurava Matthias Sammer, derrotou a Itália na final do então Euro sub-18.
Os novos campeõesLabus e Mustafi (ambos do Hamburgo) preencheram o centro da defesa com autoridade, enquanto a cobertura pelas laterais era da responsabilidade de Plattenhardt (esquerda) e Basala-Mazana. O primeiro, elemento do Nuremberga, sobressaiu pela eficácia no desarme e nos cruzamentos. Já Basala notabilizou-se pela potência e velocidade a subir pelo flanco e pelo facto de saber jogar com os dois pés. Zimmermann (Karlsruher) desempenhou o papel de médio mais defensivo, dedicando-se quase exclusivamente a tarefas de recuperação. Numa segunda linha do meio-campo, Yabo fazia um pouco de tudo. Ajudava Zimmermann no momento defensivo e era também um daqueles que mais vezes pedia a bola para iniciar a construção na zona média. Robusto e resistente, o capitão Yabo (colega de Basala no Colónia) apareceu algumas vezes perto da grande área adversária e foi um jogador-chave na conquista do título.
Talvez por já atuar em Inglaterra, no Liverpool, Buchtmann jogou a uma rotação maior do que a grande maioria dos jogadores nesta prova. É um canhoto com boa qualidade técnica (drible, cruzamento, passe) e que fez a diferença devido à sua omnipresença. Outro jogador que embora tendo participado menos tempo na competição acabou por ser importante foi Trinks, médio-ofensivo do Werder Bremen. Foi ele que apontou o grande livre direto que deu a vitória na final contra a Holanda (a três minutos do fim). Faz boas diagonais das alas para o eixo e foi sempre consistente. Habitualmente mais adiantado no campo, Scheidhauer (Wolfsburgo) não é tão irreverente como Buchtmann, Götze, Trinks ou Janzer, mas recorre à pujança física para furar as defesas, principalmente quando descai sobre o lado direito. O ponta-de-lança é o possante Thy, do Werder Bremen. Domina bem o jogo aéreo, é incisivo a atacar os espaços, mas terá de estar mais concentrado na finalização para se tornar um avançado de topo. Por fim, Götze, o baixinho médio-ofensivo do Dortmund. Jogou muito melhor quando o treinador lhe deu liberdade a partir da zona central, onde revela inteligência e objetividade a desmarcar-se entre linhas. Repentino, criativo e habilidoso, é o tipo de jogador que a Alemanha precisa sempre.
ResultadosFase de gruposTurquia (3-1: Scheidhauer 11, Buchtmann 51, Mustafi 67)
Inglaterra (4-0: Labus 13, Thy 37, Scheidhauer 56, Götze 74)
Holanda (2-0: Thy 35, Janzer 44)
Meias-finaisItália (2-0: Yabo 70, Basala-Mazana 76)
FinalHolanda (2-1 no prologamento: Thy 34, Trinks 97)
Luís Catarino
» 2009-05-20