O desempenho dos germânicos foi relativamente positivo, embora a Ucrânia tivesse sido o único adversário que conseguiram vencer (2-0) nos três jogos do grupo A. Uma derrota com a França (1-2) e um empate com a Espanha (0-0) não deixaram a selecção orientada por Paul Schomann alcançar as meias-finais da prova. Ainda assim, o bom futebol de Toni Kroos ajudou a Alemanha a bater a Holanda (3-2) no jogo de atribuição do 5.º lugar.
Toni Kroos, o líder naturalFoi o melhor jogador alemão nesta edição do Euro sub17, na qual marcou três golos (melhor marcador do torneio a par do inglês Victor Moses). Toni Kroos é um médio-ofensivo/segundo-ponta com capacidade física e técnica bem acima da média e que consegue definir os momentos ofensivos quase sempre da forma mais simples e objectiva. Pela forma como os colegas lhe destinavam a resolução das jogadas nos momentos mais críticos, como por exemplo frente à França e Espanha, sentiu-se perfeitamente por que razão Toni Kroos é o líder natural desta Alemanha. Recebe a bola depois da linha do meio-campo e joga para a frente, sem receio. Tira bastante proveito da sua qualidade no 1v1 e torna-se particularmente perigoso quando se desloca com a bola controlada, em velocidade, a partir do flanco esquerdo, pois pensa rápido e aplica um óptimo disparo com o pé direito. É muito possível que o vejamos brevemente na equipa principal do Bayern de Munique.
Bigalke, o verdadeiro “primeiro-defesa”Avançado-centro de baixíssima estatura é, no entanto, um cabo dos trabalhos para qualquer defesa adversário que queira iniciar a construção de uma jogada de ataque. Era impressionante a forma quase obsessiva em como Sascha Bigalke (Hertha de Berlim) perseguia o portador da bola e tentava jogar na antecipação para cortar linhas de passe e conquistar a posse de bola em zonas adiantadas. Um pequeno diabo que usou a velocidade na grande área para confundir os pesados defesas ucranianos, mas que depois não conseguiu fazer o mesmo aos restantes adversários do grupo A. Tentou contornar a situação pela forma mais óbvia, actuando fora da grande área (em demasia) - receber a bola em linhas baixas, ou no flanco direito. Até porque o plano B de Paul Schomann passava também por recorrer ao esguio Richard Sukuta-Pasu (Leverkusen) entre a posição de extremo-direito e a de avançado-centro em dinâmica de 4-3-3, pelo que Bigalke alternava com o jogador de ascendência congolesa. Refira-se que o facto de Bigalke ter descido bastante facilitou igualmente as entradas de Kroos no espaço de finalização.
O promissor defesa-esquerdo e o controlo das transiçõesNos últimos anos, o futebol alemão tem sido capaz de dar a conhecer alguns defesas-esquerdos de muita qualidade, como Philipp Lahm ou Marcell Jansen. Ora, um dos futuros bons jogadores nessa posição específica poderá ser Konstantin Rausch (Hannover), elemento que conferiu uma dinâmica interessante ao flanco esquerdo. Revelou uma apetência especial para a execução dos movimentos de 2v1; media o momento ideal para subir ao meio-campo contrário. Confiante, dava-se quase sempre bem quando entrava nos espaços mais interiores após tabelas com Dowidat/Knoll ou Kroos.
Frente à Ucrânia e França, o elemento que mais se sacrificou por Rausch foi Kevin Wolze. Actual jogador do Bolton Wanderers, o canhoto Wolze raramente passou a linha do meio-campo, pois ficava a resguardar, com bastante agressividade no desarme, o espaço deixado por Rausch. Também pelo facto de o defesa-central do lado esquerdo ser um destro (Marvin Pachan) era absolutamente desaconselhável a Wolze que subisse ao meio-campo contrário. O capitão Patrick Funk (Estugarda) era quem colaborava mais activamente nas transições pelo lado direito. Apesar de não ser tão bom no passe e na recepção como Wolze.
Supersónico SauerbierSe houvesse um prémio para o jogador do Euro sub17 com melhor tempo nos 100m, o supersónico médio-direito Henning Sauerbier estaria garantidamente entre os principais candidatos à vitória. Quanto ao futebol propriamente dito, apesar da velocidade e do esforço, foi pouco objectivo nas decisões. Tem certamente mais capacidade para actuar em contra-ataque, mas essa estratégia raramente foi utilizada na Alemanha de Schomann.