A ausência de Ricardo Carvalho no centro da defesa de Portugal, que, no jogo frente à Polónia, também não contemplou Jorge Andrade no onze titular, fragiliza a selecção nacional. Isso é óbvio. Não só do ponto de vista do preenchimento dos espaços e da antecipação dos lances, mas também na qualidade de saídas para o ataque. Aí, mesmo que Bruno Alves e Fernando Meira estivessem em boa forma aos olhos de Scolari, não conseguiriam transmitir – a colegas e adeptos – o mesmo nível de segurança. Por outro lado, a falta de outros líderes como Rui Costa, Figo ou Pauleta, que serviriam para tranquilizar e orientar os colegas em determinados momentos do jogo, também terá tido a sua influência. Até mesmo a incapacidade de Nuno Gomes em dominar a posição de avançado-centro da Selecção pode constituir tópico de discussão para possíveis causas do desaire no Estádio da Luz.
É legítimo problematizar estas questões. Porém, por mais interrogações que haja, a crua verdade é que Portugal deixou fugir a vitória num pormenor perfeitamente evitável.

Minuto 88 do Portugal – Polónia. João Moutinho derruba Blaszczykowski perto da linha do meio-campo e este marca rapidamente a falta. Já com o jogo em andamento, Deco “defende” a sua zona a caminhar (!) e depois permite que Krzynowek corte da direita para o centro com todo o tempo e espaço para preparar o remate. O resultado desse movimento ficou carimbado nas redes da baliza do Estádio da Luz, no poste e nas costas de Ricardo.
Se no momento em que se gere uma vitória, a pouquíssimos minutos do final de um encontro tão importante, um jogador convida um adversário, que, por acaso, é um dos melhores rematadores de longa distância europeus, a atirar à baliza, alguma coisa de muito errado se passa. Falta de análise do adversário por parte da equipa técnica portuguesa, que não terá avisado os jogadores lusos de que Krzynowek é um especialista na longa distância? Não creio.
Este era o tipo de lances em que era necessário um esforço individual extra e que não podia ser encarado com descontracção. No fundo, trata-se também de um bom exemplo de que o simples facto de haver oito jogadores de campo atrás da linha da bola não se traduz, necessariamente, num melhor comportamento defensivo.