Coreia do Sul
Notas da partida entre Coreias
O único golo do jogo pertenceu à Coreia do Sul e surgiu já muito perto do apito final, pelo suplente Chi-Woo Kim. A Coreia do Norte desenvolveu uma estratégia demasiado defensiva, o oposto da seleção da casa.
A Coreia do Norte está a fazer uma campanha bastante boa nesta fase de qualificação para o Mundial 2010, mas, desta vez, a forma ultra-defensiva como se dispôs frente aos grandes rivais sul-coreanos não facilitou uma análise mais plena da equipa. No entanto, num plano mais individual, podem começar a reparar no avançado Tae-Se Jong, nascido no Japão e que atualmente pertence ao Kawasaki Frontale. É indiscutivelmente um dos melhores jogadores da seleção do Coreia do Norte, conjunto que recorreu à sua elevada solidariedade, mas que defendeu praticamente com onze atrás da linha do meio-campo. Ainda que tenham atuado com bloco muito baixo, por vezes conseguiram explorar os espaços deixados pela defesa da Coreia do Sul, pelo que até tiveram boas oportunidades para abrir o marcador. Numa dessas situações, logo após o início da segunda parte, a equipa de arbitragem não lhes validou um golo limpo, uma vez que a bola cabeçeada por Tae-Se Jong foi aliviada pelo guarda-redes sul-coreano já depois de ter ultrapassado a linha de golo.
E quem é que faz o golo?Ji Sung Park é o capitão e jogador com mais relevo na seleção da Coreia do Sul. Face à presença de Chung-Jong Lee (20 anos; FC Seoul) no lado direito, o extremo do Manchester United deambulou entre o flanco esquerdo e o eixo do meio-campo ofensivo. O larguíssimo “autocarro” da Coreia do Norte obrigou a seleção da casa a apostar na mobilidade de quase todos os seus jogadores e só os defesas-centrais ou o trinco Won-Hee Cho ficavam atrás na transição ofensiva. À frente de Won-Hee Cho jogava Sung-Yeung Ki, médio-centro de 20 anos com técnica razoável, mas algo lento.
A entrada de Dong-Jin Kim (Zenit) na segunda parte deu ainda mais profundidade atacante pelo lado esquerdo do que aquela que estava a ser dada pelo destro Young Pyo Lee (Dortmund), enquanto o lateral-direito Beom-Seok Oh (joga na Rússia, no Krylia Sovetov de Samara) também foi sempre muito participativo na construção dos ataques. Mas o principal problema persistia: não se criavam oportunidades claras de golo.
Keun-Ho Lee era o avançado mais adiantado e tinha o apoio direto de Chu-Young Park (Mónaco). Ambos movimentavam-se com inteligência nas costas dos defesas norte-coreanos, aparecendo de frente para trás para conseguir receber a bola em zonas interiores, com muitas desmarcações e coordenados com os médios-ofensivos, mas faltou sempre alguém para finalizar. O golo aconteceu já perto do apito final. Porém, foram evidentes as dificuldades da Coreia do Sul na fase da finalização. Em relação à linha defensiva, jogou sempre muito alta por via do recuo permanente da Coreia do Norte e, quando estes contra-atacavam, houve situações em que a equipa da casa defendeu com dificuldade, em igualdade numérica.
Luís Catarinofoto: Reuters
» 2009-04-07