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Porto

Notas do Porto - Man.Utd.


No jogo do Dragão, na sequência do golo de Ronaldo, o Porto passou a precisar de marcar desde muito cedo. Ou seja, inverteram-se os papéis, pois na primeira mão, em Old Trafford, havia sido Rodríguez a bater Van der Sar aos 4 minutos. As circunstâncias de estar subitamente em desvantagem na eliminatória condicionaram também o estilo de jogo dos dragões.

Nesta segunda mão, já com Ferdinand no centro da defesa, Rooney a bloquear Cissokho, Berbatov a jogar entre linhas atrás do ponta-de-lança Cristiano Ronaldo e com Anderson a conferir maior capacidade coletiva de circulação de bola, o Manchester United deu muito poucas hipóteses aos portistas para reagirem. Após o golo de Ronaldo aos 6 minutos, os ingleses tiveram a oportunidade de defender mais recuados e negaram os pontos fortes do ataque dos campeões portugueses, fundamentalmente situados nas corridas de Hulk e de Rodríguez e nas desmarcações de Lisandro.


Hulk e a necessidade do espaço

Sem espaço, Hulk não conseguiu impor o seu jogo de potência física. Falhava passes simples, mas a sua desorientação tática era igualmente visível na forma como insistia em esconder-se entre Vidic e Ferdinand, o que não tem nada a ver com o seu estilo de jogo. Hulk falha no momento em que é necessário assumir maior imaginação e criatividade, soltar a bola com mais rapidez, exatamente o mesmo problema que costuma atingir outros jogadores do Porto, como Rodríguez e Mariano – este já é um defeito antigo do Porto nesta temporada e que também já se tinha verificado no clássico do Dragão com o Benfica. A agravante é que, depois da lesão de Lucho aos 30 minutos, os jogadores do Porto ficaram mais ansiosos e tiveram ainda menos discernimento na fase de definição.

No flanco, Mariano tentou várias situações infrutíferas de 1v1 porque nem Sapunaru nem outros jogadores o apoiaram. Mesmo antes da entrada de Farías, Lisandro procurava a bola no meio-campo porque Raúl Meireles já não podia estar em todo o lado e ninguém aparecia a conduzir jogo pelo corredor central - Lucho, obviamente, já não estava em campo para fazer a ligação entre a linha média e o ataque.

Apesar da importância da lesão de Lucho, foi o facto de ter havido necessidade de perseguir o resultado desde muito cedo que mais condicionou o desempenho do Porto, que tem atacantes muito específicos para jogar em velocidade, com espaços amplos, nomeadamente Hulk e Rodríguez. Pelo contrário, quando o espaço de ação é mais curto, o cenário configura-se muito mais complicado para este Porto, especialmente quando o adversário sabe defender tão bem. Tendo o MU controlado a sua zona defensiva quase com a mesma qualidade com que o fez em San Siro frente à Inter e tendo o Porto jogadores com menor criatividade no ataque, recorrendo muitas vezes ao remate de longe (sem muita convicção), a decisão da eliminatória favorável aos ingleses acaba por ser natural.


Luís Catarino

» 2009-04-17
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