Porto
Mais do que simples lagosta
Não é todos os anos que surgem jogadores com um talento tão distinto. A equipa técnica do Porto tem a noção de que Hélder Barbosa possui uma enorme margem de progressão e, embora a ausência de Tarik Sektioui (CAN) possa ter sido vista com algum cepticismo, a verdade é que facilitou o regresso ao plantel portista de um activo que pode desenvolver-se e tornar-se num jogador de excepção nos próximos anos do futebol português.
Embora seja um atacante com grande mobilidade e apareça muitas vezes em zonas interiores de finalização e criação, Hélder Barbosa apresenta um futebol mais incisivo quando joga a partir das alas, podendo, assim, tomar mais balanço para encarar os defesas em 1v1 e executar o cruzamento, aspecto em que é particularmente forte. Muda facilmente de velocidade e, além de um vasto repertório de dribles, cruza bastante bem com o seu fantástico pé esquerdo - ultimamente era ele que cobrava grande parte dos cantos e livres na Académica.
A sua qualidade de drible curto e longo é impressionante, mas é também aí que reside o seu ponto mais frágil, pois ainda tenta recorrer demasiado a lances individuais para definir as jogadas. As perdas de bola e os adornos desnecessários são, naturalmente, fruto dos 20 anos e esta nova etapa no Porto, agora treinado por Jesualdo Ferreira (Hélder estreou-se com Adriaanse, na última jornada de 2005/6, em que, curiosamente, foi expulso), pode melhorar esse detalhe.
Uma grave lesão no joelho em 2006/7 Se bem que ainda com 20 anos, Hélder Barbosa já contraiu uma lesão grave no joelho, que forçou o seu afastamento durante dois terços da temporada de 2006/7 – o seu último desafio oficial pela Académica nessa época tinha sido na 10.ª jornada, contra o Porto. Logo depois, a tal lesão no joelho, sofrida num jogo-treino frente ao Pampilhosa, negou-lhe a participação no resto do campeonato. Recorde-se que Hélder, na maior parte das ocasiões utilizado no lado esquerdo, estava a ser um dos jogadores com melhor rendimento na equipa de Manuel Machado, até porque Filipe Teixeira – o jogador globalmente mais evoluído que passou pela Académica nos tempos mais recentes – estava visivelmente em má forma, muito abaixo daquilo que pudemos ver no período Nelo Vingada. Hélder Barbosa entrou nalgumas partidas na condição de suplente, mas tinha a capacidade para desequilibrar e virar os jogos, como aconteceu, por exemplo, num desafio em casa frente ao Estrela da Amadora, à 9.ª jornada, no qual jogou apenas a segunda parte e contabilizou um golo e uma assistência numa vitória por 2-0.
Devidamente recuperado da lesão, mas já sem oportunidade para jogar com Filipe Teixeira, que se transferiu para os ingleses do WBA, ou com Dame N’Doye (Panathinaikos), Hélder Barbosa voltou, em 2007/8, a assumir-se como uma das referências no ataque da Académica. Antes de ser treinado por Domingos, foi, evidentemente, uma das raras “lagostas” de Manuel Machado no conjunto do Calhabé...
Comparar com Quaresma? Podem ter semelhanças nas posições que ocupam, no jeito como driblam e como encaram os defesas no 1v1, mas também convém relembrar que Ricardo Quaresma já passou por esta fase que Hélder Barbosa vive actualmente - designadamente no que diz respeito a uma certa ingenuidade na tomada de decisões e no controlo da ansiedade. Afinal de contas, nem todos crescem com a maturidade de Cesc Fàbregas ou David Silva, que aos 20 anos já parecem ter 30 pela forma adulta como explanam o seu jogo. Tudo isto faz parte de um normal processo de evolução, pois é inegável que o talento existe e precisa de ser trabalhado com tempo.
LC
» 2008-01-13