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Carisma



Eusébio embala o 'Menino de Ouro'.

Em finais de Agosto de 1996, o Benfica, comandado por Paulo Autuori, recebia o Sp.Braga, em partida a contar para a 1.ª jornada da época 1996/97. Foi a primeira vez que entrei no antigo Estádio da Luz e recordo-me dos carrinhos devastadores de Bermúdez, da transpiração de Bruno Caires, das pantufas de Valdo, do penalty convertido por Hélder e até da (raríssima) má intervenção de Preud’homme, que não foi capaz de segurar a bola cabeceada do vigésimo quinto andar por Idalécio.

Porém, a principal sensação que guardo dessa tarde de estreia na Luz é a da relação que o Terceiro Anel mantinha com um jogador específico. Era o capitão de equipa e percebia-se que não era por acaso. Cada vez que esse camisola 8 recebia a bola e encarava os defesas, o estádio crescia e ansiava. Era automático. Lá ia o empolgante João Pinto, cheio de pinta, a tentar pegar no jogo ao mesmo tempo que escapava da dura marcação individual.

Esta semana, o bi-campeão mundial de sub-20 (1989 e 1991) anunciou a retirada como jogador profissional. Do seu livro de memórias ficam alguns grandes momentos: além do hat-trick no 3-6 (1994), lembra-se, por exemplo, o golo que marcou à Inglaterra (Euro 2000), na sequência do seu típico golpe de testa em mergulho.

Esse gesto técnico tornou-se bastante característico na figura de JVP, mas aquilo que o mantém inesquecível em todas as equipas por onde passou é o carisma. Não se ensina, nem se pratica nos treinos. É, antes, consequência natural de uma personalidade forte que o futebol português só pode admirar.


Luís Catarino

» 2008-07-27
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