Liga dos Campeões
Os 150 melhores golos - II
#50 a #1
50. Hernán Crespo (Ajax v Inter, 2002/3)Ambos os golos de cabeça que Crespo marcou em Amesterdão foram excepcionais. A Inter de Cúper era uma equipa extremamente perspicaz na exploração dos contra-ataques e dá para imaginar o contentamento do técnico argentino quando o compatriota Crespo, em três minutos, marcou dois golos ao Ajax. No primeiro tento, o cruzamento de Luigi di Biagio no lado direito é desviado por Crespo com um toque de cabeça a grande altura. No segundo, após uma boa jogada de envolvimento colectivo (8 passes desde o guarda-redes), o ponta-de-lança argentino antecipa-se ao defesa adversário com mais um voo espectacular. A assistência foi de Christian Vieri, que fez uma boa diagonal antes do passe final. Contra o Manchester, já com a camisola do Milan, voltaria a marcar outro excelente golo de cabeça, em 2004/5.
49. Pavel Nedved (Juventus v Dinamo Kiev, 2002/3)Esqueçam o resultado e o adversário. Este registo de Nedved vale unicamente pela portentosa demonstração individual, pois aos 80 minutos já havia uma notória falta de motivação por parte dos ucranianos, que perdiam por 4-0 antes deste tento. O remate explosivo de pé esquerdo (que fez lembrar o golo que apontou ao Olympiacos na época seguinte) e a pujança física são impressionantes e mostram bem por que razão o checo é um fora-de-série. Em Itália, Nedved é conhecido como “cavallo che corre e corre anche quando dorme”. Vejam, além deste, o golo que marcou ao Real Madrid, na 2.ª mão das meias-finais desta mesma época de 2002/3. A Juventus perdeu a final de Old Trafford frente ao Milan e a verdade é que Nedved, devido a castigo, não participou nesse encontro. Foi uma ausência determinante para a Juve, não tivesse ele vencido a Bola d’Ouro nesse ano de 2003.
48. Edu (Celta v Arsenal, 2003/4)Não é todos os dias que se vê um esquerdino obter um golo destes com o pé direito. Edu foi o melhor em campo na partida entre Celta e Arsenal, com dois golos anotados. O segundo foi num remate fabuloso em arco. Conduz a bola num espaço reduzido, faz uma última finta sobre Berizzo com o pé esquerdo e bate com o direito. Força e medida certas num golo repleto de inspiração.
47. Juninho Pernambucano (Bayern v Lyon, 2003/4)A lista de livres directos de grande qualidade marcados por Juninho Pernambucano é interminável, mas a ter de escolher um será este apontado em Munique. Na época de 2003/4, o brasileiro, em zona frontal, a cerca de 30 metros da baliza, executa um remate com uma curva descendente tão pronunciada que acaba por surpreender Oliver Kahn, que choca desamparado com o poste da baliza. Um ano depois, em Bremen, repetiu a dose. E por aí fora…
46. Mateja Kezman (PSV v Manchester United, 2000/1)Desde que saiu do PSV, Kezman nunca mais voltou à sua melhor forma. Hoje, deve sonhar todos os dias com golos como aquele que apontou ao Manchester United na temporada de 2000/1, a sua primeira em Eindhoven. Ultrapassa Silvestre no lado direito e, sem que o ângulo seja muito favorável, aplica um remate explosivo que deve ter deixado Van der Gouw em estado de choque.
45. Luis García (Liverpool v Juventus, 2004/5)Muitas vezes, para se bater um guarda-redes do nível de Buffon, tem de se recorrer aos lances mais improváveis. Luis García, em mais um momento de grande inspiração, aplica um remate que desenha uma curva inatacável, por cima do gigante italiano que conta pelos dedos de uma mão os golos sofridos desta forma. Na época de 2004/5, em que os Reds se sagraram campeões em Istambul, era notório que acreditavam nas suas capacidades muito mais do que qualquer outra equipa. Sabiam jogar com o coração e este golo de García exemplifica essa atitude que entretanto se foi desvanecendo no conjunto de Benítez nos tempos mais recentes.
44. Romário (Manchester United v Barcelona, 1994/5)Marcar um golo fazendo a bola passar por entre as pernas do guarda-redes é um desejo secreto de qualquer ponta-de-lança. Agora tentem imaginar a satisfação de Romário quando o fez a Peter Schmeichel em Manchester… Bom passe de Bakero, que procura a diagonal rápida do brasileiro.
43. Ronaldinho Gaúcho (Barcelona v Levski Sofia, 2006/7)O Barça iniciou a época 2006/7 de forma fácil na Champions. Em Camp Nou, a equipa de Frank Rijkaard recebeu o Levski Sofia e os búlgaros foram cilindrados por 5-0. Já em tempo de descontos, Ronaldinho anotou o último da partida com um belo lance individual. A oposição não foi a mais aguerrida, mas o desenho que a curva da bola faz antes de entrar no ângulo superior da baliza é tão bonito que impossibilita que o golo fique fora desta lista.
42. Edgar Davids (Juventus v Dinamo Kiev, 2002/3)Nos seus tempos aúreos, Davids destacava-se claramente pela sua energia e carácter competitivo. Na goleada imposta ao Dinamo Kiev, o holandês faz um sprint de longa distância para acompanhar o movimento de contra-ataque (Nedved e Del Piero), contorna um defesa com uma finta longa e, não se amedrontando com a saída rápida do guarda-redes, ainda tem lucidez para o driblar e finalizar com o seu pé esquerdo.
41. Charles-Edouard Coridon (PSG v Porto, 2004/5)Hoje, aos 34 anos, depois de 226 partidas na primeira divisão francesa, Coridon vai gozando o jogo pelo jogo num clube da terceira divisão distrital gaulesa. Contudo, ninguém se esquece do golo que marcou ao Porto pós-Mourinho, na temporada de 2004/5 – a única em que Coridon esteve no PSG. O remate de calcanhar do médio francês é tão estranho, imprevisível e espectacular que Vítor Baía demora muito mais tempo do que o habitual para reagir ao lance.
40. Michalis Konstantinou (Barcelona v Panathinaikos, 2001/2)O Panathinaikos realizou uma óptima campanha europeia em 2001/2 (apurando-se nas duas fases de grupos), tendo apenas sido eliminados pelo Barcelona nos 1/4 de final. Todavia, o destino dos gregos na eliminatória com os catalães até podia ter sido diferente. Na 1.ª mão, o Panathinaikos venceu por 1-0 e na 2.ª, em Camp Nou, o cipriota Konstantinou abriu o marcador aos 8 minutos com um tiro tremendo de fora de área. Terão que ser atribuídas algumas responsabilidades a Frank de Boer, que devia ter dado menos facilidades no confronto físico, mas houve muito mérito da parte de Konstantinou, que estava em grande forma e confiou na sua capacidade para resolver aquele lance. Luis Enrique (2) e Saviola acabariam com a eliminatória a favor do Barça.
39. Ronaldo (Manchester United v Real Madrid, 2002/3)Esta foi uma das melhores exibições de toda a carreira de Ronaldo. Um hat-trick em Manchester não é para todos, ainda para mais quando culminado com um grande golo. O trabalho de Figo é fundamental para arrastar a marcação de Silvestre e proporcionar a possibilidade de remate frontal ao “Fenómeno”, que desfere um tiro magnífico à baliza de Barthez. Wes Brown podia ter fechado a zona central de forma mais conveniente, mas isso não tira valor à acção de Ronaldo. O brasileiro recebeu uma salva de palmas, de pé, por parte dos adeptos do Manchester United.
38. Thierry Henry (Sparta Praga v Arsenal, 2005/6)O avançado francês tinha recuperado de uma lesão relativamente prolongada e até começou o desafio no banco de suplentes. No entanto, uma vez que Arsène Wenger foi forçado a efectuar uma substituição prematura devido à lesão de Reyes (aos 15 minutos), Thierry Henry regressou à competição um pouco mais cedo do que o esperado. Seis minutos em campo chegaram para marcar a diferença. Uma belíssima trivela desbloqueou o 0-0 e foi, assim, em grande estilo, que Henry igualou o record de golos marcados por um só jogador com a camisola do Arsenal, que pertencia a Ian Wright (185). Resta dizer que Henry ultrapassou a marca ao apontar o 0-2 ainda durante a segunda parte desse mesmo desafio de Praga.

37. Stéphane Dalmat (PSV v Bordéus, 2006/7)Dalmat é um dos grandes talentos do futebol europeu que nunca chegou onde se esperava que chegasse. É um médio-centro com muita escola e uma qualidade técnica espantosa, mas houve alturas na sua carreira em que não soube tomar as opções certas. De qualquer forma, o seu nível técnico ficou bem registado neste golo marcado em Eindhoven, em que ultrapassa Alex com um drible rápido e faz um chapéu ao guarda-redes Gomes.
36. Olivier Kapo (Arsenal v Auxerre, 2002/3)Quantos jogadores fizeram um túnel a Patrick Vieira? Não existe uma contabilidade exacta, mas são muito raras as vezes em que isso aconteceu. Mesmo assim, Olivier Kapo pode sentir-se um privilegiado por entrar no restrito lote de jogadores que fazem parte dos pesadelos do antigo capitão do Arsenal. Kapo sente a aproximação de Vieira e faz a bola passar por debaixo das pernas deste, antes de executar um remate com o pé esquerdo. A bola sai com muita força e entra colada à base do segundo poste da baliza de Seaman.
35. Thierry Henry (Real Madrid v Arsenal, 2005/6)O Arsenal chegou à final da competição na época 2005/6 com dez jogos consecutivos sem sofrer golos. Mesmo garantindo um excelente registo defensivo, também era necessário facturar no ataque e, para isso, o contributo de Thierry Henry foi fulcral, especialmente na 1.ª mão dos 1/8 de final, no Santiago Bernabéu. Uma fantástica jogada individual do francês, que arranca desde a linha do meio-campo, evitando quatro jogadores do Real Madrid antes de rematar rasteiro para golo, foi um dos últimos grandes momentos de Henry com a camisola do Arsenal.
34. Alessandro del Piero (Manchester United v Juventus, 1997/8)Pouquíssimos segundos após o apito inicial da partida entre Manchester United e Juventus (1997/8), Del Piero inaugurou o marcador com um golo de inegável categoria. Dentro da grande área, o avançado italiano simula que remata com o pé esquerdo e mete a bola para dentro, fintando Berg e Schmeichel em simultâneo. Depois, foi só empurrar com o pé direito. Só precisou de tocar duas vezes na bola. Parece tão fácil…
33. José María Bakero (Barcelona v IFK, 1994/5)O Barcelona foi eliminado pelo PSG na eliminatória seguinte, mas José María Bakero ainda foi a tempo de celebrar, em pleno Camp Nou, um espectacular momento de futebol na edição 1994/5. Canto apontado por Stoichkov no lado esquerdo e o capitão, aparecendo na zona do primeiro poste, corresponde ao cruzamento tenso do búlgaro com um formidável golpe de cabeça. Um golo que exigiu bastante agilidade e rapidez da parte do médio basco.
32. Filippo Inzaghi (Juventus v Galatasaray, 1998/9)Esta época de 1998/9 foi uma das mais atípicas na história da Juventus. Se na Liga dos Campeões a formação de Turim até chegou às meias-finais, no campeonato, por exemplo, terminou a temporada em 7.º lugar. Poucas coisas correram bem à Juve, desde a fraca adaptação de Thierry Henry à realidade do calcio, como também a grave lesão que Del Piero sofreu nos ligamentos do joelho esquerdo logo no mês de Novembro. Impossibilitado de ajudar a equipa durante quase toda a temporada, Del Piero ainda tinha ido a tempo de, dois meses antes, efectuar o cruzamento para a espectacular “rovesciata” de Filippo Inzaghi no desafio da 1.ª jornada contra o Galatasaray.
31. Dennis Bergkamp (Arsenal v Barcelona, 1999/2000)Poucos avançados terão mostrado tanta habilidade para definir em espaços curtos como Dennis Bergkamp. O golo que o holandês marcou ao Barcelona, na época 1999/2000, ilustra perfeitamente essa capacidade extraordinária para inventar situações onde ninguém pensava que fosse possível inventar alguma coisa. O cruzamento de Kanu do lado direito é de difícil recepção, mas, uma vez que é Bergkamp o destinatário do passe, tudo se simplifica. A bola é dominada de forma fantástica com o pé direito, ao mesmo tempo que funciona como uma finta a Abelardo, que nunca deve ter imaginado que pudesse ser enganado daquela forma. Perante a saída rápida de Arnau, Bergkamp remata rasteiro com o pé esquerdo. Tal como o magnífico golo que marcou ao Newcastle, em que driblou Dabizas da forma que se sabe, bastaram dois toques na bola para se fazer magia.
30. Juan Verón (Lazio v Valencia, 1999/2000)A Lazio registou a dobradinha na época de 1999/2000, mas, já no que diz respeito à campanha na Liga dos Campeões, o conjunto orientado por Eriksson não foi além dos 1/4 de final. Depois de terem perdido 5-2 na 1.ª mão disputada no Mestalla, os romanos tinham a complicadíssima tarefa de recuperar a desvantagem no Olímpico. O máximo que os celestes conseguiram foi vencer o Valencia por 1-0 e o único golo na baliza de Cañizares foi apontado por Verón, com um violento pontapé a 30 metros de distância.
29. Rivaldo (Barcelona v Manchester United, 1998/9)Um pontapé de bicicleta de grande espectacularidade. Rivaldo tinha, reconhecidamente, um pé esquerdo do outro mundo e foi com ele que finalizou uma pequena obra de arte frente ao Manchester United. No meio de Stam e Gary Neville, ‘Rivo’ domina com o peito a bola que vinha do cruzamento de Sergi e bate Schmeichel com uma bicicleta fantástica.
28. Mancini (Lyon v Roma, 2006/7)Da época 2006/7, aquilo que as pessoas mais associam à Roma é a humilhante derrota sofrida em Manchester (7-1), na 2.ª mão dos quartos-de-final. Porém, os giallorossi também guardam boas recordações dessa temporada, como, por exemplo, o segundo tento na 2.ª mão dos oitavos-de-final, em Lyon. O contra-ataque é desenhado de forma rápida e Mancini tem a possibilidade de encarar Réveillère em 1v1. O que se passou a seguir foi um autêntico tormento para o defesa francês, que nunca mais vai conseguir tirar da sua cabeça a imagem das pedaladas sucessivas de Mancini. Configura um trabalho individual excepcional, concluído com um remate forte de pé esquerdo direccionado ao poste mais próximo. Coupet não teve hipóteses num lance que tem algumas semelhanças com um de Robinho num Santos - Corinthians (2002), em que ganhou um penalty a Rogério com uma série de dribles idêntica. Ainda assim, o lance de Mancini é mais perfeito.
27. Gennady Zubov (Sparta Praga v Shakhtar Donetsk, 2000/1)Dois minutos depois de Tomas Rosicky ter inaugurado o marcador a favor do Sparta, Zubov empatava o encontro com um grande golo. Recebe a bola no lado esquerdo, flecte para dentro e aplica um remate em arco, de pé direito, a 25 metros da baliza de Postulka. O guarda-redes do Sparta voa para alcançar a bola, mas esta entra colocadíssima no ângulo superior. O arco perfeito de Zubov não evitou a derrota do Shakhtar por 3-2.
26. Leonardo (Milan v PSG, 2000/1)
Leonardo é um dos casos mais bem sucedidos de polivalência. A regularidade exibicional do brasileiro a interpretar as posições de lateral, médio-ala ou médio-ofensivo foi sempre excelente e esse foi um dos grandes trunfos na sua carreira. Embora não o tenhamos visto actuar como ponta-de-lança, o grande golo que apontou à sua ex-equipa, o PSG, pelo Milan, no Giuseppe Meazza, parece ter ido resgatar o instinto que imaginávamos em Batistuta, Bergkamp ou Van Basten. Na direita, Albertini coloca a bola no meio e Leonardo, com apenas um toque com o pé direito, resolve uma série de situações: a recepção, o drible à marcação de Déhu e a conquista do espaço para o remate final de pé esquerdo à saída de Letizi. Movimento fabuloso!
25. Mauro Bressan (Fiorentina v Barcelona, 1999/2000)Por vezes, há situações em que, perante um inesperado grande golo marcado por jogador X, o colega Y diz qualquer coisa como: “Vocês é que não sabem, mas ele já fez imensos destes nos treinos!”. Isso pode acontecer, mas é quase impossível acreditar que esse caso se aplique ao de Mauro Bressan, que bateu Arnau com um pontapé de bicicleta de fora da grande área. Quem é que se lembraria de fazer uma coisa destas? Um golo fabricado com 100% de convicção.
24. Lucho González (Hamburgo v Porto, 2006/7)Pela primeira vez desde a gloriosa final de Gelsenkirchen em 2004, o Porto actuou na Liga dos Campeões em solo alemão. E, curiosamente, voltou a marcar três golos. O primeiro, já com o intervalo a chegar, foi anotado por Lucho González. Mathijsen cometeu o erro de aliviar a bola para a zona central e o capitão portista, sem deixar cair o esférico no chão, fulminou a baliza do Hamburgo com um remate tecnicamente perfeito. O conjunto orientado por Thomas Doll somava a sua quarta derrota consecutiva na competição.
23. Ronaldinho Gaúcho (Barcelona v Werder Bremen, 2006/7)Na última jornada da fase de grupos de 2006/7, o Barcelona tinha de derrotar o Werder Bremen para seguir em frente na competição. De outra forma, seriam os alemães a garantir o apuramento. A formação blaugrana, campeã europeia em título, venceu sem discussão por 2-0 e Ronaldinho Gaúcho marcou o primeiro golo com um livre directo verdadeiramente genial. O brasileiro posiciona-se de forma a que a barreira não tenha dúvidas de que a bola vai sair por alto, mas o craque do Barça era mesmo a única pessoa dentro do campo que sabia o que ia acontecer. Depois de incentivar a barreira a saltar para interceptar o expectável remate por cima, Ronaldinho rasga o convite sem aviso prévio e faz a bola rolar pela relva, precisamente por baixo da barreira pendurada no ar. Percebe-se a estupefacção dos alemães.
22. Jean-Pierre Papin (Porto v Milan, 1992/3)Desta vez foi Vítor Baía a vítima de mais um tiro do magnífico Jean-Pierre Papin. Este golo marcado no Estádio das Antas até nem foi uma “papinade” – o gesto técnico celebrizado por Papin, em que rematava em vólei no ar –, mas, ainda assim, demonstra bem por que razão ainda hoje JPP, vencedor da Bola d’Ouro em 1991, é recordado como um dos rematadores mais espectaculares e exímios da história do futebol.
21. Peter Crouch (Liverpool v Galatasaray, 2006/7)Um jogador com 2 metros a executar um pontapé de moinho num desafio da Liga dos Campeões? E foi golo? De facto, para quem não viu, custa a acreditar. Mas aconteceu mesmo. Em Setembro de 2006, em Anfield Road, um tal avançado do Liverpool com silhueta de louva-a-deus aproveita um cruzamento de Finnan pela direita para somar o terceiro golo dos Reds no encontro frente ao Galatasaray. Quem marcou? Peter Crouch.

20. Zlatan Ibrahimovic (Ajax v Celta Vigo, 2003/4)Um golo que exibe Ibrahimovic na íntegra: rebeldia na vontade de ganhar o 1v1, capacidade física explosiva e o precioso génio para inventar situações onde elas não existem. O avançado foge da zona de Berizzo e Cáceres, contorna Velasco com um excelente drible e, nos limites, ainda tem capacidade para finalizar rasteiro com o pé esquerdo.
19. Kaká (Manchester United v Milan, 2006/7)O brasileiro foi, indiscutivelmente, o grande jogador da Liga dos Campeões em 2006/7 e a sua exibição na 1.ª mão das meias-finais, em Old Trafford, foi um dos registos mais memoráveis do campeão europeu nessa temporada. Dos dois golos de enorme categoria que Kaká apontou, o seu segundo foi o que mais impressionou. A situação é simples de descrever: Kaká está sozinho no meio-campo do MU para três defesas adversários. Condenado ao fracasso? Pelo contrário. Depois de vencer a oposição de Fletcher, faz a bola passar por cima de Heinze e, quando Evra se aproxima rapidamente, tem a genialidade de tocar a bola de cabeça para o espaço vazio e conclui com classe à frente de Van der Sar. A imagem de Evra, desamparado, a chocar com Heinze, é cruelmente encantadora.
18. Stelios Giannakopoulos (Olympiacos v Porto, 1997/8)Contra-ataque concretizado pelo Olympiacos com grande rapidez e eficácia. Ilija Ivic assiste Giannakopoulos e este, a cerca de 35 metros da baliza, bombardeia a baliza de Rui Correia, que não tem a mínima hipótese de defesa perante um remate executado com tanto repentismo, força e pontaria. Estavam decorridos 6 minutos de jogo e o Olímpico de Atenas, completamente cheio, exultou à boa maneira grega. Foi, todavia, a única vitória do Olympiacos na Liga dos Campeões de 1997/8.
17. Ronaldinho Gaúcho (Barcelona v Milan, 2004/5)Quando Ronaldinho jogava desta forma, tão solto, era praticamente imparável. À 4.ª jornada da fase de grupos de 2004/5, o Barcelona vingou-se da derrota sofrida na jornada anterior em San Siro. Ronaldinho desfez a igualdade a um minuto do fim com um golo fantástico do ponto de vista físico e técnico: em zona central, faz uma mudança de direcção tão rápida que deixou Nesta e Gattuso sem reacção. O camisola 10 fica, assim, com caminho livre para o remate vitorioso de pé esquerdo à baliza de Dida. Só um verdadeiro fora-de-série poderia protagonizar um momento destes.
16. Fredrik Ljungberg (Arsenal v Juventus, 2000/1)Aos 88 minutos, Ljungberg, o homem do cabelo vermelho, marcava o seu segundo golo na vitória por 3-1 frente à Juventus, em jogo da segunda fase de grupos da época 2000/1. No entanto, a verdade é que a conclusão de Ljungberg até acaba por ser ofuscada pela qualidade da assistência de Dennis Bergkamp. O último passe do camisola 10 é absolutamente brilhante e possui todos os ingredientes: controlo, inteligência, visão, técnica e rapidez de execução. Na quina direita da grande área Bergkamp oferece um autêntico baile a Montero, Tacchinardi também participa vagamente e só depois o holandês solta um passe fabuloso a potenciar a rotura de Ljungberg, com a bola a passar mesmo à frente de Paramatti. É realmente incrível como Bergkamp teve a visão e a noção da posição do seu colega enquanto fintava dois defesas da Juventus. Após o golo, os jogadores da Juve protestaram com Vítor Pereira, pois o contra-ataque dos ingleses só foi possível porque o passe de Davids foi interceptado pelo árbitro português. Compreende-se a frustração do pitbull da Juve, mas tudo indica que este golo foi vontade divina. Pelo menos é o que parece, ao ver a proeza de Bergkamp.
15. George Weah (PSG v Spartak Moscovo, 1994/5)Em recente entrevista, Arsène Wenger considerou que, de todos os jogadores que treinou ao longo da carreira, talvez George Weah tenha sido aquele cuja evolução mais gozo lhe deu acompanhar. Em 1988, quando o liberiano tinha 22 anos e chegou ao Mónaco proveniente do campeonato camaronês, muitos troçavam dele, dizendo que era tosco e descoordenado. Sete anos depois, era eleito o melhor do mundo. Este golo marcado ao Spartak, naquela que foi a sexta vitória em seis jogos da fase de grupos, surgiu de um trabalho individual com assinatura exclusiva de ‘Mister George’. A destreza dos dribles com que ultrapassou os dois defesas adversários, bem como a frieza no remate rasteiro, são de alguém que já tinha deixado de ser tosco e descoordenado há muito tempo.
14. Steven Gerrard (Liverpool v Olympiacos, 2004/5)Este desafio encontra-se certamente no lote das partidas mais emocionantes de sempre na Liga dos Campeões. No dia 8 de Dezembro de 2004, Liverpool e Olympiacos jogavam na última jornada da fase de grupos o seu destino na competição. Para assegurar a qualificação para os 1/8 de final, aos gregos bastava o empate ou até uma derrota, desde que perdessem por uma margem não superior a um golo. Por outro lado, as contas de Rafa Benítez eram simples: tinham de ganhar, pelo menos, por uma margem de dois golos. Imaginem, portanto, a preocupação instalada no KOP quando Rivaldo, de livre directo, inaugurou o marcador a favor do Olympiacos aos 27 minutos. O Liverpool, que, agora, tinha de marcar três golos, arregaçou as mangas e Pongolle facturou logo no início da segunda parte. Quando faltavam 10 minutos para o apito final, Neil Mellor fez o 2-1 para os Reds, mas, neste momento, ainda era a equipa visitante que passava à fase seguinte. Encorajado pelo ambiente intensíssimo que se fazia sentir no estádio, o capitão Steven Gerrard, após um amortecimento de Mellor e sem que nenhum adversário exercesse uma marcação próxima na zona frontal, arrombou a muralha dos gregos com um estoiro de fora de área que só parou no fundo da baliza de Nikopolidis. O Liverpool, com Anfield em completo delírio, confirmava, desta forma espectacular, a sua presença na fase seguinte, em detrimento do Olympiacos. Depois de uma recuperação tão esforçada e tão dramática, era perfeitamente legítimo acreditar no título. Uma equipa com aquele coração podia vencer tudo e Rafa Benítez tinha a noção disso.
13. Alessandro del Piero (Borussia Dortmund v Juventus; Juventus v Steaua, 1995/6)Não aparece nos manuais do futebol, mas existe uma determinada área do campo que é designada por “Zona Del Piero”. Naturalmente, há uma explicação. O avançado italiano é um dos maiores especialistas a definir um determinado tipo de lances, em que segura a bola na quina esquerda da grande área, faz a simulação para iludir o defesa e ganhar ângulo e, depois, com o pé direito, executa um remate em arco direccionado ao segundo poste. Se quiserem ter uma noção da jogada, recuem, por exemplo, até Setembro de 1995 e prestem atenção aos golos da Juventus frente a Borussia Dortmund (1.ª jornada) e Steaua Bucareste (2.ª). A formação de Turim sagrou-se campeã europeia nessa temporada e Del Piero começava a registar a patente.
12. Diego Tristán (Mónaco v Deportivo, 2003/4)Quando uma equipa se encontra em situação de desvantagem, marcar um golo aos 52 minutos será sempre um bom tónico para a recuperação. Todavia, se, com esse golo, a desvantagem for ainda de 7-3, não há muito a fazer. O desastre do Deportivo no Mónaco (derrota final por 8-3) é um dos resultados mais paranormais de que há memória. No entanto, o melhor dos 11 golos marcados nesse desafio pertence à equipa galega. Diego Tristán ultrapassa Squillaci e Rodríguez como o vento e, na cara de Roma, finaliza com imensa subtileza.
11. Dimitar Berbatov (Roma v Bayer Leverkusen, 2004/5)É uma pena que este golo tenha sido marcado com um estádio vazio em pano de fundo – o Olímpico de Roma estava interdito ao público devido ao incidente com o árbitro Anders Frisk na 1.ª jornada da edição 2004/5. O lance de Dimitar Berbatov é de pura classe. Na grande área, levanta a bola com o pé direito, fá-la passar por cima de Dellas, vai buscá-la um pouco mais à frente e conclui com um chapéu subtil ao guarda-redes Zotti.

10. Samuel Eto’o (Barcelona v Panathinaikos, 2005/6)Em Novembro de 2005, na recepção do Barcelona ao Panathinaikos, Samuel Eto’o concretizou aquilo a que se chama um “hat-trick perfeito”. Ou seja, o avançado camaronês distribuiu a marcação dos seus três golos pela cabeça, pelo pé esquerdo e pelo pé direito. Este último foi, aliás, o mais bonito no 5-0 aos gregos. Perto da quina da grande área, Eto’o, de primeira, e apontando a bola à malha lateral interna mais distante, aplica um chapéu espantoso a Galinovic, o guarda-redes do Panathinaikos. Com isto, Eto’o conseguiu duas coisas extremamente raras: não só registou o tal hat-trick perfeito, como também arrancou um sorriso de Rijkaard.
9. Thierry Henry (Inter v Arsenal, 2003/4)Thierry Henry em estado de libertação total. Em contra-ataque, o atacante francês corre desde a linha de meio-campo lado a lado com Javier Zanetti. À chegada à grande área, abranda e volta a aplicar uma mudança rápida de velocidade, deixando para trás o capitão da Inter. É um trabalho individual pleno de confiança, resistência, capacidade de aceleração e culminado com um excelente remate rasteiro de pé esquerdo apontado ao segundo poste da baliza à guarda de Toldo. Este foi o terceiro golo do Arsenal na vitória por 1-5 no Giuseppe Meazza.

8. Dejan Savicevic (Milan v Barcelona, 1993/4)‘Il Genio’ era a alcunha de Savicevic e Berlusconi tinha desafiado o avançado montenegrino antes da final de Atenas frente ao Barcelona, em 1994: “Se és um génio, vais prová-lo neste jogo”. O Milan realizou uma das exibições mais bem conseguidas da sua história europeia e humilhou a Dream Team orientada por Cruijff com um resultado inatacável de 4-0, sendo que o melhor golo dessa noite teve a assinatura de Savicevic, que aproveita um erro de Nadal para aplicar um chapéu bastante íngreme a Zubizarreta. O génio esteve claramente à altura das exigências.
7. Marc Overmars (Liverpool v Barcelona, 2001/2)Muito provavelmente, o lance colectivo mais perfeito dos últimos anos nas competições europeias. Imaginam uma equipa chegar a Anfield e trocar 58 passes entre os onze jogadores da equipa, sem que o Liverpool recuperasse a posse de bola? Vejam o terceiro tento que o Barcelona marcou aos Reds na temporada de 2001/2. O KOP teve a sensatez de bater palmas, como, aliás, se impunha. (Ler mais
aqui)
6. Marco van Basten (Milan v IFK, 1992/3)Entre os vários titulos colectivos e individuais que obteve na sua carreira, o fenomenal ponta-de-lança holandês possui o registo de ter sido o primeiro jogador a anotar um poker na Liga dos Campeões – os seguintes foram Simone Inzaghi, Dado Prso e Andrei Shevchenko. Esses quatro golos que Van Basten apontou num só desafio aconteceram na recepção do Milan aos suecos do IFK (vitória rossonera por 4-0). O conjunto de Gotemburgo só teve de contemplar o momento espectacular de Van Basten, que aproveita um centro do lado direito de Eranio para bater Ravelli com um esplêndido pontapé de bicicleta.
5. Marek Citko (Widzew Lodz v Atlético Madrid, 1996/7)Sejamos sinceros: um golo de chapéu a Molina não é nada que não se tenha visto. Mesmo assim, há que valorizar bastante a iniciativa de Marek Citko. A cerca de 45 metros da baliza, o jogador polaco teve engenho para picar a bola por cima do guarda-redes espanhol após um lance rápido de contra-ataque.
4. George Weah (Bayern v PSG, 1994/5)Weah esteve 65 minutos a guardar energias para esta pérola. Luis Fernandez, o técnico do PSG, tinha iniciado o desafio frente ao Bayern de Trapattoni com algumas das principais figuras no banco de suplentes, como Raí, Le Guen… e Weah. O ponta-de-lança entrou na segunda parte a substituir Ginola e, 15 minutos depois, teve a gentileza de oferecer ao público uma autêntica demonstração de instinto e pujança física. Tabela com Pascal Nouma, tira do caminho Helmer, Jorginho e Scholl e, de seguida, já dentro da grande área, remata de tal forma que certamente deixou o impotente Kahn a pensar se valeria a pena continuar a ser guarda-redes. Além de jogadas arrebatadoras como esta, Weah totalizou 7 golos nesta edição da Champions, tendo-se juntado ao Milan no final da época.
3. Claudio López (PSV v Valencia, 1999/2000)Este golo fabuloso de Claudio López foi marcado em Eindhoven, na segunda jornada da fase de grupos da época 1999/2000. Amedeo Carboni, o defesa-esquerdo dos chés, cobra uma falta na linha do meio-campo directamente para a grande área. López, sem nunca tirar os olhos da bola e aproveitando o facto de a linha defensiva do PSV estar ligeiramente subida, aparece rapidamente nas costas de Dirkx e, sem deixar cair a bola no solo, executa um remate de elevadíssimo grau de dificuldade com o seu pé esquerdo.
2. Romário (PSV v Milan, 1992/3)Só este golo vale por mil. De costas para a baliza e a sentir a respiração de Maldini, Romário recebe a bola com o pé direito, ajeita com o peito, depois com a coxa direita e executa um magnífico remate em rotação, sem hipóteses de defesa para Rossi. Tudo feito na pequena área com o jeito natural do ‘Baixinho’, a grande velocidade e sem deixar cair a bola no chão.
1. Zinédine Zidane (Bayer Leverkusen v Real Madrid, 2001/2)Tal como Peter Shilton ainda hoje é lembrado como o guarda-redes que sofreu os dois golos de Maradona no Mundial de 86, também o nome de Hans-Jörg Butt é associado à obra-prima de Zidane na final da Liga dos Campeões de 2002. O alemão, que era o guarda-redes do Bayer Leverkusen, naturalmente esforçou-se para negar um dos momentos mais perfeitos da história do futebol. Porém, aquela soberba meia-volta de pé esquerdo, que deu sequência a um balão sem muito critério da parte de Roberto Carlos, foi demasiado pura para poder ser contrariada. Há dias, também Zidane considerou este o melhor golo da sua carreira.
» 2008-02-02