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Liga Portuguesa

Rio Ave


A estreia do Rio Ave no campeonato até foi positiva. Os vila-condenses empataram a 1-1 na receção ao Benfica e, na 3.ª jornada, empataram de novo com outro “grande” (FC Porto; 0-0). O problema da equipa de João Eusébio começou a surgir quando era necessário aumentar a densidade atacante, especialmente contra equipas de nível semelhante ao seu. Manter o bloco recuado e aguentar um empate contra uma equipa tecnicamente muito superior podia ser uma boa estratégia, mas, face a equipas que lutavam pelos mesmos objetivos na tabela, o Rio Ave necessitava de maior flexibilidade e velocidade nos desdobramentos ofensivos.

O clube de Vila do Conde terminou a primeira volta no último lugar da classificação e à 14.ª jornada Carlos Brito ocupou a vaga de João Eusébio no comando técnico. A partir deste momento a situação, ainda que de forma paulatina, alterou-se favoravelmente e no final a equipa pôde celebrar a manutenção. Aliás, o Rio Ave somou 13 pontos só nas últimas seis jornadas, mais do que em toda a primeira volta.

Carlos Brito tirou o máximo proveito de duas boas aquisições de inverno: Yazalde e Fábio Coentrão. O primeiro foi determinante em várias jornadas e pode dizer-se que está diretamente relacionado com a conquista de 12 pontos, ou não tivesse o avançado marcado à Académica (1-0; 17.ª jornada), ao V.Setúbal (1-0; 19.ª jornada), ao Trofense (2-1; 25.ª jornada) e à Naval (1-0; 26.ª jornada). Refira-se que esse triunfo na Figueira da Foz foi a primeira vitória fora no campeonato.

Yazalde deu mais força e profundidade ao ataque do Rio Ave, mas outro elemento absolutamente preponderante na época vila-condense é o extremo Fábio Coentrão. Mal sucedido em Saragoça, regressou a uma casa que conhece bem e conseguiu fazer a diferença. Sempre a utilizar o pé esquerdo, o irreverente Coentrão infernizou a vida dos defesas adversários, tanto no flanco esquerdo, como no direito. Marcou três golos, um dos quais através de uma bela execução técnica no Dragão, e foi ele o principal dinamizador do ataque. Semedo (marcou ao Benfica na 1.ª jornada) e Chidi não confirmaram as expetativas criadas pelos adeptos.

Para a estabilização da equipa e para a obtenção de resultados mais consistentes contou também a utilização do tridente do meio-campo. Niquinha e Delson perderam espaço e viram André Vilas Boas, Wires e Vítor Gomes assumirem o controlo. Os três encaixaram bem na parte final da temporada. Na linha defensiva, Edson ultrapassou a concorrência de Bruno Mendes no centro da defesa ao lado do líder Gaspar, enquanto Miguel Lopes, no lado direito, foi a principal revelação do clube. Muito acutilante nas subidas pelo flanco, Miguel Lopes foi frequentemente o jogador que mais vida dava às situações de ataque durante a primeira volta, sobretudo num período em que a equipa tinha dificuldades em acelerar as transições e em que ainda não contava com Fábio Coentrão, Yazalde ou Candeias. Já o lateral-esquerdo Sílvio teve mais problemas físicos e não se conseguiu afirmar de forma tão notória.

Apesar das melhorias ofensivas verificadas a partir da segunda volta, o Rio Ave teve o pior registo atacante do campeonato, com apenas 20 golos marcados no total das 30 jornadas. Como vimos, a equipa de Vila do Conde terminou a primeira volta no último lugar, mas a sua recuperação notável na segunda metade, com quatro vitórias, dois empates e somente uma derrota nos jogos em casa, permitiu-lhes evitar a descida de divisão.

Classificação final: 12.º lugar.

Luís Catarino

» 2009-06-19
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