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Liga Portuguesa

Naval


A Naval cumpriu o objetivo de evitar a despromoção, mas só até bem perto do final da época é que a equipa de Ulisses Morais ficou mais tranquila. A segunda volta do campeonato rendeu apenas 10 pontos (19 na primeira) e uma das razões para esse menor rendimento está relacionado com o facto de alguns jogadores terem acusado desgaste físico e decréscimo de forma. Um dos exemplos paradigmáticos dessa quebra é o médio-ofensivo Alexandre Hauw, que foi um dos melhores jogadores do campeonato durante a primeira volta, mas cujo nível de exibições caiu a pique na segunda metade da temporada. Este criativo esquerdino – campeão francês pelo Lyon em 2002 e 2003, embora muito pouco utilizado por Jacques Santini e Paul Le Guen – utilizou a sua notável qualidade técnica para liderar a Naval na tal primeira metade da época, com assistências, com rapidez na mudança de direção e com uma boa capacidade para reter a bola. Sem Alex Hauw na sua forma ideal, Ulisses Morais encontrou noutro francês, Godemèche, uma alternativa para fazer funcionar o meio-campo. Godemèche é mais vocacionado para tarefas de recuperação, mas a sua disponibilidade fê-lo entrar nas linhas mais adiantadas com determinação. A omnipresença de Godemèche foi relativamente importante para aguentar a equipa nos jogos finais, mas há que reconhecer que a equipa sofreu com a quebra de rendimento de Alex Hauw.

Depois da boa exibição na Luz frente ao Benfica (derrota por 2-1), a Naval foi premiada com uma boa vitória na jornada seguinte (7.ª) contra o Porto, aproveitando uma fase de maior indefinição nos dragões. O lateral-esquerdo brasileiro Daniel Cruz, que chegou à Figueira da Foz para substituir China, transferido para o Belenenses, foi o autor do único golo dessa partida.

A Naval tinha começado a época com três guarda-redes novos no plantel: Jorge Baptista, Romuald Peiser e Bruno Jorge. O primeiro ainda fez as primeiras jornadas como titular, mas o francês não demorou muito a ganhar a titularidade e até conseguiu assinar boas exibições ao longo da temporada. No centro da defesa residia um dos pontos mais fortes da equipa. Os brasileiros Paulão e Diego Ângelo formaram uma respeitável dupla e batê-los pelo ar era praticamente impossível. À sua frente, Bruno Lazaroni aproveitou a saída de Delfim para a Trofa e teve a possibilidade de jogar mais minutos em comparação com a temporada anterior. Ainda assim, convém dizer que, à imagem de quase todos os médios do plantel da Naval, Lazaroni teve problemas físicos que não o deixaram jogar com maior regularidade. O francês Sekou Baradji, canhoto, demonstrou problemas a controlar o ímpeto na disputa de alguns lances na cobertura defensiva, mas também vimos que o seu toque de bola é bem razoável.

Com dez golos apontados na edição 2007/08 do campeonato, o ponta-de-lança brasileiro Marcelinho entrou com esperanças de fazer igual ou melhor em 2008/09, mas não foi capaz de alcançar um registo mais rico em termos de golos (apenas 6 na liga). A exclusão de João Ribeiro e a saída anunciada de Saulo permitiram a Marinho assegurar a titularidade na faixa e a sua tremenda velocidade foi sempre um grande quebra-cabeças para os defesas contrários - foi, indiscutivelmente, um dos melhores jogadores da temporada navalista. Noutro registo, mais pausado e técnico, Davide foi também um bom recurso no momento ofensivo da Naval, equipa que só alcançou a sua primeira vitória fora no campeonato na 15.ª jornada, em Setúbal.

Classificação final: 13.º lugar.

Luís Catarino
foto: lusa

» 2009-06-03
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