Liga Portuguesa
Marítimo
Depois do 5.º lugar alcançado em 2007/08, havia muitas expetativas em relação ao desempenho do Marítimo. Como iria ser o trajeto na Taça UEFA? Iriam os Verderubros terminar 2008/09 novamente na zona europeia? O treinador brasileiro Lori Sandri nunca teve uma vida muito tranquila no Funchal e foi notório que, ao mínimo mau resultado, a pressão sobre o seu trabalho aumentava consideravelmente. O Marítimo começou o campeonato com duas derrotas e a situação de Lori Sandri no clube madeirense parecia ter ficado muito mais dificultada após as eliminações da Taça UEFA (Valencia) e, fundamentalmente, frente ao Arouca, na Taça de Portugal.
Apesar desses desaires, a equipa registou uma franca melhoria no campeonato, realizando uma série de oito jogos consecutivos sem perder na Liga: EVVEVVEV. Assim, foi com moral elevado que o Marítimo recebeu o Benfica nos Barreiros no dia 7 de Dezembro de 2008. Só que nessa noite o guarda-redes Marcos foi expulso aos 17 minutos e potenciou uma derrota catastrófica por 0-6. Já tinha havido da parte de alguns sócios sinais de bastante desagrado face à eliminação frente ao Arouca, mas este desastre contra o Benfica fez regressar às dúvidas em relação à qualidade de Lori Sandri. O Marítimo não quebrou assim tanto, mas uma derrota em Coimbra, ante a Académica (3-1; 19.ª jornada), precipitou a saída do brasileiro, que foi substituído no comando técnico do clube por Carlos Carvalhal, terminada a experiência nos gregos do Asteras Tripolis.

Apesar da demissão de Lori Sandri ter sido questionável, pois os resultados do Marítimo eram bastante razoáveis e as possibilidades de se fixar nas posições europeias eram boas, a verdade é que a estreia de Carvalhal não podia ter sido mais perfeita. Uma vitória por 5-1 na receção ao Setúbal, com um hat-trick da revelação senegalesa Baba Diawara (terminou a época com 10 golos na Liga), parecia augurar uma boa campanha para o resto da segunda volta. Mas não foi exatamente isso que aconteceu. Aliás, essa vitória sensacional por 5-1 foi precisamente a única de Carvalhal no campeonato. Depois disso, o Marítimo obteve cinco empates consecutivos a 1-1 (!) e a confiança do plantel ia diminuindo cada vez mais. O clube sofreu outras cinco derrotas, frente a Benfica, Porto, Paços de Ferreira, Sporting e Leixões, e viram, assim, negada a possibilidade de atingir um lugar na Liga Europa 2009/10.
Baba Diawara ajudou a equipa a garantir golos, mas não foi o único a evidenciar qualidade no ataque. Um dos mais entusiasmantes jogadores de toda a Liga, e que acabou por comunicar bem com Baba e até com o criativo Marcinho, foi o extremo Djalma. O angolano apontou 6 golos no campeonato e confirmou a sua aptidão para fazer estragos junto ao flanco. Pratica muito bem as fintas e as mudanças de velocidade, dribla, move-se, remata e agora só tem de começar a construir uma mentalidade mais sólida. Este último aspeto também se aplica, em certa medida, a outro talento dos Barreiros: Ytalo, que jogou bem em Fevereiro.
O Marítimo teve algumas alternâncias táticas durante a época, mais concretamente quando Van der Linden desempenhou a posição de defesa-esquerdo (Evaldo deixou saudades). Fernando Cardozo e João Guilherme ficavam no eixo da defesa e era Paulo Jorge, mais médio do que lateral, que aproveitava para subir mais vezes pelo flanco direito devido ao facto de Van der Linden permanecer mais recuado no lado esquerdo. Bruno manteve-se no comando do meio-campo, mas notou-se alguma fadiga no seu jogo, pelo que Olberdam e Miguelito tiveram de assumir mais vezes a dinâmica da equipa. Por vezes a velocidade de Manu junto à linha lateral também era uma boa arma para ser utilizada, quer por Lori Sandri, quer por Carvalhal. Uma última nota para o guarda-redes Marcos, um dos jogadores mais influentes e que anunciou o fim da carreira no Marítimo após sete anos no clube madeirense.
Classificação final: 9.º lugar.
Luís Catarino
» 2009-06-10