Liga Portuguesa
Leixões
O sexto lugar nunca será um mau resultado para o Leixões, mas compreende-se que alguns adeptos do clube de Matosinhos tenham sentido um sabor amargo no final da temporada. Apesar da derrota na primeira jornada, em casa, ante o Nacional (dois golos de Bruno Amaro), e da venda do craque Jorge Gonçalves para Santander (cumpriu duas jornadas), o Leixões realizou uma primeira volta de grande nível. Disputadas 10 jornadas * eram líderes na tabela com 23 pontos em 30 possíveis, tendo empatado com o Benfica e vencido no Dragão e em Alvalade. Os problemas, porém, começaram no início de 2009 – série de sete jornadas sem vencer - e foram agravados com a transferência de Wesley para os romenos do Vaslui. Funcionando como falso ponta-de-lança, Wesley era o melhor marcador da equipa com 7 golos e fundamental no desenho ofensivo do Leixões, recuando e interpretando as desmarcações de Diogo Valente e Bruno Braga. Por aí se percebe que José Mota, que já se debatia com as permanentes lesões de Roberto, tenha encontrado dificuldades em busca de soluções ofensivas no 4-3-3 durante a segunda volta.

Uma das maiores revelações da temporada, embora o seu nível de desempenhos tenha decrescido na segunda volta, foi Bruno Braga. O ex-jogador do Leça não é um extremo particularmente robusto, mas poucos demonstram tanta fibra e determinação dentro de campo. Dispara bem com os dois pés e foi um dos principais jogadores do Leixões durante esta época de 2008/09, enquadrando-se perfeitamente nas dinâmicas táticas do 4-3-3. No flanco esquerdo, sucedeu-se um pouco o inverso. Diogo Valente foi regular, mas notabilizou-se muito mais na segunda volta do que na primeira, assumindo muitas vezes a liderança num ataque fragilizado com a saída de Wesley. Um dos elementos interessantes do plantel leixonense foi o médio-ofensivo Chumbinho, que surgiu na segunda volta. Embora lhe faltasse físico para desempenhar as funções de Wesley, mostrou técnica, rapidez e criatividade. Não foi dos mais regulares da equipa, mas teve a sua melhor noite na 17.ª jornada contra o Trofense, na qual marcou dois bons golos e ajudou o Leixões a quebrar uma série de sete jornadas sem vencer.
Um dos jogadores com rendimento mais consistente ao longo da época foi o guarda-redes Beto. Muito ágil entre os postes e concentrado nas saídas, tornou-se também no herói da equipa no desempate por grandes penalidades numa eliminatória da Taça de Portugal em que deixaram o Benfica pelo caminho. A época de 2007/08 já lhe tinha corrido muito bem e esta foi apenas a confirmação como um dos melhores guarda-redes portugueses da atualidade. Além de Beto e Wesley, um outro elemento que merece realce é o médio-defensivo Bruno China. O capitão manteve o seu estilo batalhador na linha média e nunca baixou os braços nos momentos difíceis. Além desse caráter lutador, sabe tocar a bola e isso ajuda-o a sair com sucesso de situações de pressão. Tanto Bruno China como Roberto Sousa e Hugo Morais tinham capacidade para marcar, recuperar e fazer a bola circular. De tal forma que, na primeira volta, a equipa se apresentava em qualquer campo com imensa confiança e sem medo do adversário.
*: Só nas primeiras dez jornadas de 2008/09, o Leixões colecionou 23 pontos. Para se perceber a diferença entre esta temporada e a precedente, refira-se que o clube matosinhense finalizou 2007/08 com… 26 pontos.Classificação final: 6.º lugar.
Luís Catarino
» 2009-06-12