PESQUISA:
Primeiro Toque logotipo
Liga Portuguesa

Estrela da Amadora


Os dez pontos conquistados nas primeiras cinco jornadas confirmavam o bom início de época do Estrela da Amadora. Lito Vidigal, que sucedeu a Daúto Faquirá no comando dos Tricolores, conseguia, desta forma, bons resultados na sua estreia na primeira divisão, mas não demorou muito tempo até que tivesse abandonado o cargo. Perante a falta de vontade que os jogadores revelavam em treinar devido à falta de pagamentos dos salários, Lito Vidigal anunciou a saída do clube após a vitória contra a Académica na Taça de Portugal, sendo substituído por Lázaro, que permaneceu até ao final da temporada.

Tendo em conta o facto de os jogadores não terem recebido ordenados durante largos meses, é legítimo enaltecer os bons resultados obtidos pelo conjunto da Amadora. Já no período Lázaro, o Estrela esteve seis jornadas sem perder, entre o fim da primeira volta e o início da segunda (4 empates e 2 vitórias). Essa boa série foi quebrada com uma derrota nos Barreiros (Marítimo), mas logo os Tricolores fizeram uma nova linha de bons resultados: quatro jogos sem derrotas: uma vitória e três empates. Ou seja, da 12.ª à 22.ª jornada, conquistaram 16 pontos (3V, 7E, 1D) e ganharam mais alguma tranquilidade para encarar a luta pela permanência na primeira divisão. Na última fase da temporada, o Estrela acabou por vacilar um pouco, não só devido à maior dificuldade do calendário, mas também pela acumulação de desgaste provocado pelo não pagamento de salários: greves, ansiedade, indefinição.

Apesar das gritantes dificuldades financeiras, houve jogadores que se conseguiram destacar nesta equipa. O principal de todos foi Silvestre Varela, perigoso em ambas as faixas, mas mais presente no lado esquerdo, apoiando o ponta-de-lança (Anselmo ou Rui Varela). Silvestre Varela foi sempre um atacante extremamente influente, quer a marcar golos (5 no campeonato), quer a assistir. Com força, velocidade, objetividade e destreza, Silvestre Varela conseguiu reunir uma série de condimentos de forma a liderar a equipa no momento ofensivo. No entanto, é possível que o volume de jogo de Varela não tivesse sido tão elevado caso não houvesse no meio-campo uma boa dupla de recuperadores, que desse maior liberdade a outros jogadores, como o próprio Varela, Celestino/Jardel e inclusivamente o veloz Pedro Pereira. Marcelo Goianira e Fernando Alexandre coordenaram-se bem um com o outro e ajudaram o Estrela a garantir um futebol estável, com boa orientação defensiva e objetivo nas saídas para o ataque, onde Silvestre Varela era quase sempre a opção primordial para conduzir os lances ofensivos.

Emprestado pelo Porto, o defesa-central Nuno André Coelho foi outra boa revelação nos Tricolores, especialmente porque era necessário encontrar alguém com qualidade suficiente para colmatar a saída de Maurício. Poder de antecipação, sobriedade e qualidade técnica são as suas caraterísticas dominantes. Começou por fazer dupla com Daniel Mustafa, mas uma lesão afastou o argentino e foi a partir daí que Coelho encontrou um novo parceiro para o centro da defesa: Luís Vidigal. Depois de quase uma dezena de anos no futebol italiano, Vidigal regressou a Portugal para jogar na equipa treinada pelo irmão, Lito. Cumpriu os treinos necessários para atingir a forma física ideal e até fez bons desempenhos como médio. No entanto, face à lesão de Mustafa e perante a possibilidade da transferência de Hugo Carreira, Vidigal recuou para junto de Coelho e utilizou a maturidade para comandar a zona defensiva da equipa.

Na baliza, Nélson garantiu alguns pontos com defesas determinantes e a sua experiência ajudou alguns dos restantes colegas a ganhar calma. Apesar de haver jogadores com presenças bastante convincentes, também houve alguns que terão desiludido, como o irregular médio-ofensivo Celsinho, emprestado pelo Sporting. Celsinho tinha na Amadora uma boa oportunidade para mostrar qualidades, mas falhou completamente a temporada. Em teoria, era um bom jogador para preencher o lugar que em 2007/08 tinha pertencido a Mateus, mas, na verdade, foram Celestino e/ou Jardel quem melhor aproveitaram as situações. Uma última referência para o lado esquerdo da defesa. O versátil Vítor Moreno, os menos utilizados Nélson Pedroso e Vítor Vinha e até Hugo Carreira chegaram a desempenhar a posição de defesa-esquerdo, mas foi o brasileiro Ney, na segunda volta da temporada, quem mais se destacou, pela agressividade e propensão ofensiva. O Estrela esteve perto de atingir a final da Taça de Portugal, mas foi eliminado pelo Porto nas “meias”.

Classificação final: 11.º lugar.


Luís Catarino

» 2009-06-09
PRIMEIRO TOQUE © 2007
CONTACTOS semmais.com