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Liga Portuguesa

Belenenses


Três treinadores, pior registo defensivo dos 16 clubes da primeira divisão (52 golos sofridos) e época finalizada na zona de descida. A temporada 2008/09 foi um longo sofrimento para o Belenenses, mas a verdade é que logo na fase da pré-época a situação não era prometedora. Com Casemiro Mior, treinador que sucedeu a Jorge Jesus, vieram 11 jogadores brasileiros e o plantel tornou-se demasiado extenso para que se pudesse treinar com qualidade.

Casemiro durou cinco jornadas. Os maus resultados – apenas 2 pontos em 15 possíveis - forçaram o afastamento do técnico brasileiro, que foi substituído por Jaime Pacheco. Este ainda conseguiu algumas mudanças positivas na equipa, mas o problema de fundo manteve-se durante o resto do campeonato: falta de concentração, falta de rotinas e inclusivamente falta de qualidade em determinadas posições. O emblema do Restelo viu alguns jogadores importantes saírem no último verão, como Rolando, Rodrigo Alvim, Ruben Amorim, Rafael Bastos, Meyong e especialmente Weldon, e foi notório que a qualidade geral do plantel diminuiu, ainda que os habituais craques Zé Pedro e Silas tenham permanecido.

A principal aquisição de inverno foi Saulo, que se encontrava perdido na Figueira da Foz. O extremo brasileiro recuperou o moral em Belém, marcou 6 golos no campeonato e a sua velocidade foi um bom trunfo no ataque da equipa, que ainda foi contando com bons lances ocasionais protagonizados por Marcelo Faria, Roncatto, Vinicius ou Wender. Porém, a desorganização tática coletiva foi sempre uma evidência.

A equipa estava desarticulada entre setores e a contratação de Diakité, com quem Pacheco já tinha trabalhado no Boavista, foi efetuada com o fim de tentar dar energia ao meio-campo. A força do maliano ajudou a recuperar algumas bolas, mas faltou-lhe capacidade técnica para encaminhar a transição ofensiva. Nesse aspeto, Gabriel Gómez tinha uma leitura mais evoluída e uma melhor aptidão para agir com a bola no pé.

Pela sua versatilidade, Mano merece crédito. O guarda-redes Júlio César, embora tenha sofrido bastante com as debilidades defensivas da equipa – entre Fevereiro e Maio concedeu golos durante 13 jornadas consecutivas – foi evitando problemas ainda maiores e Cândido Costa teve alguns contratempos devido a lesões.

Como vimos, o Belenenses teve tudo menos uma época fácil. Os jogadores, cada vez menos confiantes durante a segunda volta, fizeram um péssimo registo de 9 jornadas sem ganhar entre Janeiro e Abril e a situação na tabela começou a agravar-se. A vitória contra o Setúbal (24.ª jornada) podia ter sido o impulso que Jaime Pacheco procurava para a sua equipa, mas logo os azuis voltaram a uma nova série de desaires, culminada com uma goleada sofrida em casa frente ao Braga por 0-5. Pacheco foi substituído por Rui Jorge, promovido dos juniores, que liderou o Belenenses nas últimas duas jornadas.

Classificação final: 15.º lugar.


Luís Catarino


» 2009-06-04
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