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Liga Portuguesa

Académica


Chegou a Coimbra como uma das principais aquisições para 2008/09 e no seu jogo de estreia (2.ª jornada frente ao Rio Ave) até marcou um grande golo na vitória por 1-0 aos vila-condenses. Pelo que já tinha mostrado anteriormente com a camisola do Belenenses, José Luis Garcés parecia ser uma boa opção para dar fazer golos. No entanto, a meio da época, o jogador decidiu não regressar do Panamá, aonde se tinha deslocado nas férias de Natal, não representando a Académica durante toda a segunda volta do campeonato.

Garcés não foi o único jogador da Académica que não passou da primeira para a segunda volta. O combativo médio-defensivo Milos Pavlovic transferiu-se para os romenos do Vaslui no mercado de inverno e foi a partir desse momento que a formação coimbrã melhorou ao nível da qualidade das transições ofensivas, sobretudo devido à colocação de Nuno Piloto à frente da defesa. O capitão, bom recuperador, com visão de jogo e toque de bola para fazer a bola circular a partir das linhas mais baixas, foi determinante para estabilizar o meio-campo da Briosa. Teve um erro crasso no empate a 1-1 em Braga, na 22.ª jornada. Ainda assim, foi capaz de emendar essa perda de bola infantil com um excelente e decisivo golo na jornada seguinte, ante o Belenenses, em Coimbra.

Dois dos principais jogadores desta época foram Lito e Sougou. Ambos encostam nas faixas e recorrem à sua grande velocidade para provocar embaraços aos defesas adversários. O veterano atacante cabo-verdiano foi um dos elementos mais regulares, mas também Sougou foi muito incisivo no modo como se aproximava da baliza. Nesta época 2008/09 do senegalês, talvez a sua expulsão no Dragão (entrada sobre Fernando; 10.ª jornada) tenha sido a sua marca mais negativa.


O problema de jogar fora

A Académica teve muitos problemas para pontuar fora do Estádio Cidade de Coimbra e a primeira vez que venceram noutro campo, em jogos a contar para o campeonato, foi no Estádio da Luz (24.ª jornada), com o golo de Tiero – o ganês afirmou-se na segunda volta e conferiu um importante cariz técnico à linha média, enquanto Cris mantinha o seu traço mais musculado e mais vocacionado para pressionar.

Antes dessa vitória na Luz, a Briosa tinha um registo bastante frágil nos jogos fora. Era, aliás, uma das duas únicas equipas (a outra era o Rio Ave) que ainda não tinham conseguido vencer fora: 0V, 3E, 8D, o que significava que, dos 28 pontos conquistados nas 23 jornadas anteriores, 25 tinham sido conseguidos em Coimbra.

Domingos enfrentou ligeiras dificuldades na primeira volta, por exemplo com uma série de sete jogos sem vencer – EEEEDDD, quebrada na 11.ª jornada na receção ao Paços. Porém, com a estabilização do onze inicial, sobretudo a partir de Março, a equipa ganhou mais solidez e consistência. Atingir a manutenção na primeira divisão foi apenas uma questão de tempo.

Nas faixas laterais da defesa, Pedro Costa, destro, atuava no lado esquerdo e era pouco propenso a iniciativas ofensivas. No lado direito, Pedrinho constituiu uma das principais garantias de qualidade da Académica, mostrando um futebol seguro, empenhado e sempre com um bom enquadramento tático – chegou a jogar algumas vezes como médio-direito (e bem). O gigante brasileiro Luiz Nunes, contratado no início de época para colmatar a vaga aberta por Kaká (transferido para o Hertha), fez dupla com Orlando no centro da defesa, à frente do eslovaco Peskovic, guarda-redes que ocupou o lugar de Pedro Roma. Luiz Nunes não escondeu os seus limites ao nível da agilidade, mas o seu nível de desempenho melhorou de acordo com o crescimento coletivo de toda a equipa.

A Briosa foi cometendo menos erros por falta de concentração e terminou a época com um futebol consistente, assente numa inteligente ocupação dos espaços, astuta na gestão dos ritmos e com qualidade a sair para o ataque, onde a velocidade de Lito e Sougou, depois coadjuvada pela presença positiva de Carlos Saleiro, foi um trunfo evidente. Uma última nota para dois jogadores com alguma margem de progressão: Licá, internacional sub-21 que marcou um bom golo na vitória da Académica frente ao Marítimo, e Éder, um ponta-de-lança interessante para observar nos próximos tempos, tendo em conta o seu magnífico potencial físico.

Classificação final: 7.º lugar.


Luís Catarino

» 2009-06-03
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