Euro 2008
Rússia

A Rússia protagonizou a qualificação mais surpreendente para a fase final do Euro, beneficiando directamente do desaire da Inglaterra contra a Croácia na última jornada.
O capitão Arshavin não pode actuar nos dois primeiros jogos, mas Hiddink tem um desafio maior pela frente: melhorar a transição defensiva. É uma equipa que leva muitos jogadores para o ataque, mas, perdendo a posse de bola, possibilita que o adversário responda com perigo. Este é o principal ponto fraco da Rússia, que não abdica da utilização dos três defesas do CSKA Moscovo, prevendo as subidas dos laterais Anyukov e, sobretudo, Zhirkov. Pode haver variantes com quatro defesas, mas o sistema dominante é o de três. Na baliza, Akinfeev tem um lançamento manual de grande alcance.
Um dos jogadores que tenta evitar a exposição aos ataques rápidos dos adversários é Zyrianov, consistente e versátil interior-direito. Foi um dos principais artífices do título russo conquistado pelo Zenit em 2007 e representou o Torpedo durante alguns anos juntamente com Semshov, o “pit-bull” de Hiddink.
Os russos conservam o tradicional estilo de passe e utilização das faixas laterais com movimentos constantes de desmarcação. Tecnicamente hábil, Bilyaletdinov desenvolve uma boa comunicação com os avançados. Além de Pavlyuchenko e Sychev, há que prestar muita atenção a Pogrebnyak. Joga no Zenit, tem 24 anos, força, técnica, age com rapidez e possui valor mais do que suficiente para actuar em ligas europeias mais competitivas.

A figura: Andrei Arshavin, avançado, Zenit, 26 anosApesar de estar suspenso para os dois primeiros jogos do Euro, Hiddink inclui-o nos 23 convocados. Compreende-se o tratamento de excepção, pois Andrei Arshavin é o capitão da selecção e o melhor futebolista russo da actualidade. Entre as suas qualidades como segundo-ponta sobressaem a corrida rápida, notada sobretudo em contra-ataque, a objectividade na tomada de decisão e também a capacidade de passe e de controlo de bola. Foi figura proeminente do Zenit na conquista da liga russa de 2007.
O seleccionador: Guus Hiddink, 61 anosSão muito poucos os técnicos que conseguem ler as incidências de um jogo tão bem como Guus Hiddink. Não é a primeira vez que participa como seleccionador numa fase final de um Euro, visto que orientou a Holanda em 1996. Porém, o seu maior êxito a nível de selecções verificou-se no Mundial 2002, inspirando a Coreia do Sul até às meias-finais, o mesmo degrau até onde já tinha levado a Holanda no Mundial 1998. Era o treinador do PSV quando estes foram campeões europeus frente ao Benfica em 1988.
A jogada: 
O defesa-central Ignashevich tem um bom passe longo e é habitual colocar a bola directamente em Zhirkov. Este pode trocar a bola com Bilyaletdinov ou Arshavin, apostar no 1v1, ou optar pelo cruzamento por alto para a grande área, no caso de os destinatários serem Pavlyuchenko ou Pogrebnyak.
Luís Catarino(trabalho publicado no Guia Euro 2008 do Diário de Notícias, 19/5/2008)
» 2008-06-07