Euro 2008
Fritz e a geometria das alas
Uma Alemanha muito forte ou uma Polónia muito limitada? Houve um pouco das duas coisas, pois notou-se que Joachim Löw tinha estudado muito bem o seu adversário. Abdicou do losango ao não promover Schweinsteiger e Hitzlsperger para o onze inicial e optou, antes, pela colocação de Fritz (direita) e Podolski (esquerda). Relativamente a Fritz, é um jogador de ala, que não seria tão preponderante nas acções de construção pelo eixo como seria Schweinsteiger ou Hitzlsperger, mas que, por outro lado, é mais adequado para dar largura ao desenho ofensivo. Löw tinha a noção de que a grande arma da Polónia é saber jogar em bloco baixo para depois lançar Smolarek em velocidade, tentando que este ganhasse os espaços vazios em contra-ataque. Ora, a melhor forma de desbravar a concentração defensiva dos polacos no centro do terreno era fazer com que eles saíssem das suas posições-base. A utilização de Fritz, geralmente colado à linha lateral no momento de posse de bola, foi ao encontro dessa premissa.
O recurso ao jogo lateral é, aliás, um dos pontos-chave da evolução táctica alemã desde que Joachim Löw iniciou o seu trabalho na selecção. Não há praticamente um lance de ataque em que não surja um jogador junto à linha para dar uma possibilidade de passe. O entendimento entre os laterais Lahm, Jansen e os médios está muito bem mecanizado e, depois, há avançados, como Mario Gómez, que recuam e arrastam consigo o marcador directo. Foi num desses momentos que Podolski compensou o recuo de Gómez e se aproximou da zona de finalização.
O óptimo trabalho defensivo à zona dos alemãesNo momento em que a Polónia fazia a transição ofensiva, o trabalho dos alemães na cobertura dos espaços era extremamente bem executado. Os avançados Klose e Gómez, lado a lado, impediam que os defesas-centrais polacos Zewlakow e Bak colocassem a bola nos dois médios-centro Dudka e Lewandowski, ao passo que Fritz e Podolski passavam a fazer parte de uma linha muito compacta com Frings e Ballack. Essa linha, perfeitamente paralela e próxima do quarteto de defesas, negava ao adversário qualquer possibilidade para construir pelo centro, forçando os laterais Wasilewski e Golanski a cometerem erros e a abrirem espaços na retaguarda. Para mais, sem o influente médio-direito Blaszczykowski (ausente do Euro por lesão, tal como o lateral-esquerdo habitualmente titular, Bronowicki), a Polónia não foi capaz de pressionar e incutir mais agressividade no seu jogo colectivo.
Luís Catarino
» 2008-06-09