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E a bola?




Um dos perigos da marcação individual em lances de bola parada ficou bem demonstrado no primeiro golo da Holanda frente à França, assinado por Dirk Kuijt. Van der Vaart cobrou o pontapé de canto do lado direito com o pé esquerdo e o defensor francês, Florent Malouda, marcou Kuijt, dentro da pequena área, com recurso a uma estratégia de homem-a-homem.

Nestas situações, a preocupação por parte dos defensores em impedir os movimentos do atacante é tão grande que é frequente esquecerem-se do mais importante: a bola. Malouda encontrava-se tão empenhado na batalha com o holandês que nem sequer reparou que a bola se deslocava na sua direcção. Kuijt fez, assim, o golo de cabeça e Malouda só viu a bola quando ela já estava dentro da baliza.

Este lance tem algumas semelhanças com um golo que Pepe marcou pelo Porto, em Glasgow, na casa do Rangers, na primeira jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões 2005/06. No segundo golo de Pepe nesse encontro (pontapé de canto), Sokota sofreu marcação individual por parte do defesa Rodríguez, que só teve olhos para seguir o avançado do Porto. Se Rodríguez não estivesse tão obstinado a executar a marcação individual e a empurrar Sokota para dentro da baliza, teria facilmente evitado o golo de Pepe, pois a bola passou calmamente nas suas costas.


Supremacia física: fundamental ou dispensável?

A supremacia física, sob o ponto de vista da estatura e/ou robustez muscular, ganha particular importância quando se recorre a marcação individual nas bolas paradas defensivas. Ao assumir esta estratégia, pode haver tendência do defensor para prestar demasiada atenção à anulação do atacante adversário e a “negligenciar” a bola. O segredo do defensor está, portanto, em saber posicionar-se de forma a controlar o adversário directo e, simultaneamente, a conseguir ver a bola. Daí que seja fundamental o defensor ter vantagem no confronto físico, para dificultar a acção/desmarcação do atacante (espaços são sempre muito reduzidos) e, ao mesmo tempo, para não ter de recorrer tanto a agarrões ou a outro género de faltas para o segurar.


Luís Catarino

» 2008-06-14
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