Euro 2008
Áustria

Alcançar os quartos-de-final já seria um grande triunfo para a selecção mais fraca do Euro 2008. Nas 12 partidas de preparação efectuadas em 2007, o conjunto liderado por Josef Hickersberger perdeu cinco, empatou seis e venceu apenas uma, por 3-2, frente à Costa do Marfim, que jogou com dez homens na última meia hora. Já em 2008, depois de perderem com a Alemanha por 0-3, os austríacos saíram derrotados pela Holanda num jogo que roçou o absurdo, ou não tivessem estado a ganhar por 3-0 antes de sofrer quatro golos dos holandeses. “Era bom de mais”, terão pensado os resignados responsáveis da Áustria.
Há demasiadas limitações e a situação não vai melhorar de um dia para o outro, por mais testes que Hickersberger faça no onze titular. As recuperações defensivas são demasiado lentas e os jogadores ocupam as suas posições de forma passiva e desorientada. Por outro lado, existe um acentuado défice de capacidade técnica em vários sectores, o que implica menor fluidez de jogo quando têm a posse de bola.
Ivanschitz é dos poucos que ainda tenta contrariar o negativismo generalizado. O capitão é o elo entre o meio-campo e o ataque, onde Kuljic e Linz, ponta-de-lança do Sp.Braga, são as opções mais viáveis para a titularidade.
O duríssimo Pogatetz (esquerdino do Middlesbrough) e Stranzl (Spartak Moscovo) podem ter a ajuda de Prödl na linha de defesas-centrais. Este era capitão dos sub-20 e irá trocar o Sturm Graz pelo Werder Bremen na próxima época.
A figura: Andreas Ivanschitz, Médio, 24 anos, PanathinaikosSendo praticamente o único jogador que consegue acrescentar técnica ao meio-campo austríaco, não surpreende que o capitão Andreas Ivanschitz seja visto como a principal figura da selecção. Deambulando atrás dos dois avançados, tenta desmarcá-los frequentemente com passes em rotura com o seu pé esquerdo. Embora não se trate de um verdadeiro especialista, é este médio-ofensivo do Panathinaikos que costuma assumir a responsabilidade das bolas paradas na selecção.
O seleccionador: Josef Hickersberger, 60 anosHickersberger já tinha sido o seleccionador da Áustria no Mundial 1990, mas, agora, tem o privilégio de comandar a selecção na primeira presença deste país em fases finais de Europeus. Teve divergências com o influente defesa-central Pogatetz, mas ambos chegaram a um entendimento e este já regressou às convocatórias. Porém, o mesmo não aconteceu com Scharner, jogador do Wigan que também tinha criticado o trabalho do técnico. Levou o Rapid Viena, com Ivanschitz, ao título de campeão nacional em 2005.
A jogada:

No particular contra a Holanda, Sebastian Prödl marcou dois golos a papel químico. Ivanschitz cobrou o canto do lado direito e o defesa-central, na pequena área, finalizou de cabeça. Houve algum demérito dos holandeses, mas Prödl, tal como Stranzl ou Pogatetz, pode constituir perigo nestes lances.
Luís Catarino
(trabalho publicado no Guia Euro 2008 do Diário de Notícias, 19/5/2008)
» 2008-06-07