AZ
Um faz a diferença?
Se houve equipa que na temporada passada jogou futebol a sério e cujo cunho do treinador era perfeitamente visível, foi a do AZ, campeão holandês. Não havia dúvidas que aquela equipa era de Van Gaal, tal a forma como, por exemplo, os jogadores antecipavam a ocupação dos espaços e pressionavam “de mãos dadas”. O AZ era uma equipa extremamente personalizada e, sobretudo por esse motivo, existe, agora, com Ronald Koeman ao leme (Van Gaal mudou-se para o Bayern), um interesse acrescido em ver se o emblema de Alkmaar é capaz de manter o nível qualitativo exibido na época transata.
Nestas primeiras partidas da temporada oficial, notou-se que existe alguma preocupação em manter o sistema preferencial da época passada (4-4-2), se bem que a fluidez na interpretação do modelo ainda não seja a ideal. Deve-se isso ao facto de estarmos em início de época? À transição de métodos de treino? Até que ponto vai Koeman alterar as rotinas desenvolvidas por Van Gaal, nomeadamente ao nível da pressão e da circulação? Ainda é cedo para tirar conclusões.
Aquilo que, para já, mais sobressai neste início de 2009/10 é a ausência de Demy de Zeeuw, o pequeno buda do AZ que se transferiu recentemente para o Ajax. Este médio-centro era fundamental na fase de construção e tinha o dom de conseguir acalmar a equipa, tocando a bola com simplicidade, inteligência. Não é que Mendes da Silva, que agora faz dupla com o capitão Schaars no eixo do meio-campo, não seja bom jogador. A questão é que De Zeeuw, além de estabilizar, conferia bastante profundidade no corredor central (passe, condução e rotura), precisamente aquilo que, até agora, parece faltar à equipa de Koeman. O onze é praticamente o mesmo do ano passado e convém não perdê-los de vista na Liga dos Campeões. Mas é provável que, mantendo De Zeeuw, o futebol do AZ pudesse ser mais articulado.
Luís Catarino
» 2009-08-08