Benfica
Sete pelo valor de uso
Numa primeira impressão, talvez seja difícil compreender que o Benfica tenha pago 7M de euros pelo espanhol Javi García. Mesmo desconhecendo todos os dados relativos ao negócio – eventuais contrapartidas, prestações de pagamento mais ou menos prolongadas, alternativas possíveis no mercado, etc. – a quantia investida neste médio-defensivo não deixou de ser surpreendente. Apesar da juventude (22 anos).
No entanto, será necessário observar a transferência numa outra perspetiva que não diga apenas respeito à qualidade do futebolista. Por outras palavras, antes de concluir se esta foi uma compra cara, é fundamental ter em conta as necessidades prementes da equipa que o adquire.
Desde a saída de Petit para Colónia que o Benfica não tinha um jogador vocacionado para aquela função específica (a meu ver, nem Katsouranis). Daí que Jorge Jesus e a direção do clube quisessem preencher esse espaço em branco com alguma urgência, tendo ainda em vista o importante período de preparação.
Para além disso, o jogador que viesse ocupar esse posto teria de ser suficientemente possante de modo a compensar a leveza de outros médios como Di María e de Aimar, já para não falar no reforço coletivo em situações de bola parada. Mesmo Ramires, apesar de ter imensa fibra, também não é aquele médio que ajude a ganhar bolas pelo ar com regularidade na linha média.
Embora seja um médio tecnicamente algo limitado e de “muito passe para o lado”, Javi García acaba por ter um perfil que coincide com aquilo que o Benfica precisava para atenuar algumas debilidades latentes na sua estrutura. Não só este trinco irá imprimir altura e músculo à frente dos defesas-centrais, como também terá o papel específico de dobrar os laterais e os médios de segunda linha, à semelhança de Gabriel Gómez (Belenenses) ou do “transformado” Vandinho (Braga) noutras equipas de JJ.
Podia ter-se utilizado este dinheiro para comprar Reyes em definitivo? Talvez. Mas pensem na consequente desvalorização de Di María e, obviamente, no desequilíbrio que a equipa iria sofrer caso não fosse contratado um trinco de vocação e com aquelas caraterísticas já enunciadas. Aliás, esta ideia de prioridade e de noção dos ativos terá sido a razão pela qual também o Porto, sensatamente, rejeitou a aquisição de Reyes.
Mais do que pelo valor de mercado, o Benfica pagou 7M pelo valor de uso.
Luís Catarino
» 2009-07-25