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Rasguem o rótulo


Seja em que divisão ou em que país for, gosto de ver jogadores que fazem tudo para se superarem, especialmente quando sujeitos a períodos críticos. Durante algum tempo, principalmente durante os dois/três primeiros anos vividos na equipa principal do Porto, Bruno Alves foi constantemente rotulado como um defesa-central que se excedia na agressividade com que abordava a bola e o adversário. Não é fácil a um atleta livrar-se deste tipo de generalizações que atingem a sua capacidade de auto-controlo. De qualquer modo, ainda que tivesse tido um bom acompanhamento por parte dos responsáveis que lhe eram mais próximos, foi devido ao seu profissionalismo e à sua dedicação ao treino que essa superação se concretizou.

Mesmo tendo cometido erros pontuais, levantou a cabeça e percebeu que essa era a única maneira de a equipa conseguir crescer e de cumprir os objetivos. Colegas do setor defensivo relativamente inexperientes como Cissokho (lateral que jogava mais próximo de si), Rolando e Fernando precisavam de toda a coordenação nos momentos cruciais e, nesse aspeto, Bruno Alves assumiu esse papel de líder com compenetração e consciente de que não podia comprometer o grupo.

De há dois anos para cá, mas sobretudo nesta temporada de 2008/09, a qualidade de Bruno Alves, e consequentemente a sua imagem, melhoraram substancialmente em todos os sentidos. Hoje, mostra mais precisão no passe médio/longo e mais confiança no toque de bola e na conversão de livres diretos, denota uma leitura de jogo mais trabalhada, impõe o grito de guerra que os outros escutam com admiração e, obviamente, mantém as suas botas especiais com trampolins topo de gama. É outro jogador. E sem cotovelos.

Luís Catarino
fotos: getty images, afp

» 2009-05-16
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