Liga Portuguesa
Braga
Depois de uma temporada de 2007/08 (7.º lugar, 41 pontos) com quatro treinadores (Rogério Gonçalves, Jorge Costa, Manuel Machado e António Caldas), o Braga contratou Jorge Jesus para lutar pelos primeiros lugares da tabela.
Os Arsenalistas terminaram o campeonato de 2008/09 em 5.º lugar com 50 pontos e tiveram um percurso interessante na Taça UEFA, sendo apenas eliminados nos 1/8 de final frente ao PSG – pelo terceiro ano consecutivo, o conjunto bracarense ultrapassou a fase de grupos da competição.
O problema da Taça IntertotoO Braga acabou em 5.º lugar, atrás do Nacional, e uma das críticas apontadas a Jorge Jesus é a de que a equipa tinha potencial para fazer uma aproximação mais intensiva aos três grandes. Porém, é fundamental ter em conta que o facto de a temporada oficial do clube ter iniciado bastante prematuramente - a 20 de Julho, com uma partida na Turquia frente ao Sivasspor (3.ª eliminatória da Taça Intertoto) – poderá ter acelerado o desgaste físico dos jogadores na segunda metade da época. É verdade que o plantel era equilibrado, mas será que o Braga, que acumulou tantas partidas na Europa, tinha condições efetivas para poder fazer melhor do que aquilo que fez em todas as competições em que estava envolvido?
Síntese do percurso europeuComparativamente com a temporada anterior, a equipa pareceu mais bem organizada e o 4-4-2 desenvolvido por Jorge Jesus foi sempre claro. O Braga tinha largura, conferida tanto pelos defesas-laterais, como pelos médios-ala, e também profundidade, com Luis Aguiar a comunicar bem com dois avançados-centro: Rentería e Meyong. Equipa tecnicamente bem preparada para cultivar uma estratégia de posse de bola, mostrou capacidade para ir a qualquer campo e impor um futebol categórico e personalizado.
Ultrapassados o Sivasspor (Intertoto), o Zrinjski e o Artmedia, chegou a fase de grupos da Taça UEFA, que os minhotos vieram a superar na última jornada com uma vitória em Heerenveen por 1-2 (golo de livre direto de Luis Aguiar). Antes, exibições convincentes frente a Portsmouth, Milan e Wolfsburg, apesar da derrota infantilmente concedida ante os alemães, mostravam já uma equipa bastante competitiva.
Nos dezasseisavos de final, um desempenho demolidor, conjugado com a lesão do capitão belga Steven Defour, possibilitou ao Braga uma boa vitória por 3-0 contra o Standard. Os portugueses geriram bem a situação de vantagem na 2.ª mão em Liège e depois encontraram o PSG nos oitavos-de-final. Primeiro, um 0-0 em Paris, de novo com uma exibição fortemente personalizada, dava esperanças legítimas a Jorge Jesus para alcançar os quartos-de-final. Contudo, uma falha do guarda-redes Eduardo na 2.ª mão em Braga permitiu a Hoarau marcar golo, assinando, assim, o afastamento dos minhotos da Taça UEFA.
Faz golo, Rentería!A eliminação perante o PSG tem relação direta com uma má intervenção de Eduardo, mas até que ponto o próprio Rentería também não teve a sua dose de responsabilidade no afastamento? O facto é que o avançado colombiano teve uma oportunidade evidente para marcar um golo em Paris, mas não aproveitou a situação favorável (corria isolado em direção à baliza parisiense).
A incapacidade de Rentería em finalizar foi um dos temas mais discutidos na época do Braga. Mostrava-se um avançado com imensa disponibilidade física para furar as defesas, mas parecia faltar-lhe sempre a qualidade para definir. E a equipa bem precisava dela a partir do momento em que Meyong, o melhor finalizador da equipa, se lesionou.
Mesmo assim, Rentería ainda foi capaz de produzir momentos arrebatadores, como no golo em arco que marcou ao Standard, ou até na calma com que, em Alvalade (excelente vitória por 2-3), criou o seu próprio espaço para concluir.
Rentería e Meyong foram os dois principais avançados do Braga nesta temporada. O camaronês não disputou as últimas dez jornadas do campeonato devido a lesão, mas antes tinha sido bastante importante nos registos atacantes da equipa, não só nas competições domésticas (8 golos na Liga), mas também na Europa (hat-trick ao Artmedia). Numa segunda linha de opções surgiram Paulo César, atacante rápido e que aproveitou a ausência de Meyong para jogar mais minutos (6 golos na Liga) e também o promissor Orlando Sá, mais possante. Todos eles ajudaram Jorge Jesus a ultrapassar os problemas criados pelo controverso Roland Linz.
Duas séries de 10 jornadas consecutivas sem perderApesar da boa vitória conseguida frente ao Portsmouth para a Taça UEFA, o início de época não estava a ser o ideal. O Braga tinha apenas 5 pontos nas primeiras 5 jornadas do campeonato, mas uma goleada por 5-0 contra o Estrela da Amadora iniciou uma viragem mais positiva e a equipa aproximou-se dos lugares europeus. Durante toda a época, Jorge Jesus teve problemas com defesas-centrais lesionados, desde Paulo Jorge aos dois titulares, Alberto Rodríguez e Moisés.

Nem sempre foi fácil encontrar soluções que mantivessem a estabilidade no eixo da defesa, mas a verdade é que o Braga obteve um dos melhores registos, com 21 golos sofridos – o fraco desempenho defensivo na receção ao Benfica (29.ª jornada; derrota por 1-3) não é um exemplo fidedigno do trabalho realizado ao longo da época. O Braga completou duas séries de 10 jogos consecutivos sem perder no campeonato: da 4.ª à 13.ª e da 19.ª à 28.ª jornada.
Um dos pontos fortes da equipa residiu nos defesas-laterais João Pereira e Evaldo. Ambos revelaram muita iniciativa ofensiva e deram a largura que era necessária quando Alan e César Peixoto tinham de entrar em zonas interiores. Alan, Luis Aguiar e César Peixoto constituíram um tridente extremamente dinâmico e muito do sucesso da equipa esteve também nestes três jogadores. O modo como criavam linhas de passe, como temporizavam o tempo de entrada dos colegas e, essencialmente, a sua qualidade técnica ajudaram a que o Braga fosse capaz de gerir vantagens com a bola em sua posse. Para isso, também o papel de Vandinho à frente da defesa e a cobrir os espaços deixados pelos três médios-ofensivos, foi preponderante.
Um último destaque para o guarda-redes Eduardo, que pôs fim ao legado de Paulo Santos na baliza bracarense. Já internacional-A pela Seleção nacional, Eduardo teve desempenhos oscilantes ao longo da época, ainda que as boas intervenções tenham sido mais que as más. Veremos se é capaz de reduzir o número de erros cometidos, especialmente nas saídas.
Classificação final: 5.º lugar.
Luís Catarino
» 2009-06-20