Lyon
Perceber Lisandro
Na partida de caráter particular entre Lyon e Deportivo, realizada este Domingo na pequena localidade de Aix-Les-Bains, Lisandro enfrentou um complicado desafio individual. Uma vez que o treinador, Claude Puel, colocou Gomis como ponta-de-lança, e tendo em conta que Bastos e Govou encostavam nas alas, o ex-Porto teve de recuar demasiadas vezes para fazer a ligação entre a linha do duplo pivô (Toulalan e Makoun) e o ataque.
O 4-4-2 que Puel desejava ver em ação nunca se conseguiu impor verdadeiramente, sobretudo porque nem Makoun, nem Toulalan têm assim tanta chegada à grande área adversária para compensar a ausência de um
trequartista no onze – embora Bastos possa descair no eixo quando Cissokho se adianta, o brasileiro constrói muito melhor quando recebe a bola no flanco. Isso implicou que Lisandro tivesse saído frequentemente do ataque e desempenhasse funções para as quais não está efetivamente especializado, apesar da sua constante determinação.
A situação melhorou na segunda parte, com a saída de Gomis e com a entrada de Pjanic. Este foi jogar à frente do duplo pivô e permitiu que Lisandro passasse a jogar como ponta-de-lança, num 4-2-3-1 muito mais nítido e clarividente.
Refira-se que Lisandro até veio a marcar um ótimo golo, com um forte disparo de fora de área. No entanto, aquilo que talvez seja mais interessante para Puel reter deste desafio é que, para jogar no eixo do ataque deste Lyon, é conveniente que o argentino marque presença na linha mais adiantada. Nesse papel, Lisandro pressiona os defesas adversários com mais incisão, liberta-se da marcação direta com agressividade e também as desmarcações curtas da frente para trás são executadas com maior naturalidade. Pelo contrário, colocando o argentino atrás do ponta-de-lança, Puel retira-lhe parte da magnífica capacidade de pressão, um dos atributos que mais o distingue da concorrência. É verdade que, nessa designada posição 10, até poderia pressionar o médio-defensivo contrário quando este tiver de construir jogo. Mas também o obriga a recolher a bola junto da linha do meio-campo, o que, obviamente, reduz o seu tempo de presença na grande área, onde poderia perturbar os defesas-centrais contrários com mais intensidade.
É precisamente para tirar este tipo de conclusões que servem as partidas de pré-época. Puel terá, assim, de captar as melhores caraterísticas de Lisandro se quiser tirar o máximo proveito daquela que foi a contratação mais cara da história do Lyon (24M euros).
Luís Catarino
» 2009-08-03