AZ
Sob a indisfarçável marca de Van Gaal
El Hamdaoui e Ari: dupla de ataque do AZ.Dos seis campeonatos nacionais conquistados como treinador, três no Ajax, dois no Barcelona e o mais recente no AZ, este último foi o que mais satisfação deu a Louis van Gaal. O presidente Dirk Scheringa impulsionou o investimento no clube e Van Gaal foi trabalhando um grupo apto a jogar de acordo com os seus conceitos e de forma extremamente solidária. Mesmo tendo em conta que a liga holandesa não é o barómetro ideal e considerando também que o clube não se desgastou em provas europeias nesta época, a qualidade de jogo do AZ 2008/09 está a um nível técnico-tático que muito poucas equipas conseguem atingir.
E quando a bola ressaltou em Swerts…Estava tudo preparado para que, na noite de 18 de Abril, o AZ celebrasse o segundo título de campeão nacional da sua história
1. Para que tal acontecesse, bastava à equipa orientada por Louis van Gaal ganhar ao Vitesse.
Tendo em conta que os de Alkmaar vinham de 28 jornadas consecutivas sem derrotas e que o seu registo nos jogos em casa era quase perfeito
2, antevia-se que o objetivo seria mesmo alcançado naquele sábado. No entanto, aos 84 minutos do desafio, um remate de Alexander Büttner ressaltou em Gill Swerts, a bola sobrevoou o guarda-redes Joey Didulica e deu uma inesperada vitória ao Vitesse por 1-2. A realização televisiva exibia algumas imagens dos adeptos nas bancadas do DSB Stadion e não era de estranhar a apreensão da grande maioria dos rostos, uma vez que o AZ já tinha sofrido uma gigantesca desilusão muito recentemente - na época de 2006/07, perdera o título na última jornada para o PSV.
A exibição do AZ contra o Vitesse ficou muito abaixo do habitual, talvez fruto de algum nervosismo potenciado pela importância do momento. De qualquer modo, apesar da derrota, a margem que a equipa orientada por Louis van Gaal tinha para os 2.º e 3.º classificados (Twente e Ajax) era muito boa, pelo que, caso o Ajax não ganhasse em Eindhoven no domingo, o campeonato seria imediatamente entregue ao AZ. O Ajax perdeu por 6-2 com o PSV e, assim, Alkmaar celebrou finalmente o título.
1) o primeiro campeonato nacional da história do AZ foi conquistado em 1980/81, quando o clube ainda tinha a designação de AZ 67. Entre os dois títulos de campeão do AZ há, assim, um intervalo de 28 anos, período em que nenhum clube para além dos três grandes (Ajax, PSV e Feyenoord) conseguiu terminar a época em primeiro lugar na tabela.
2) 12 vitórias consecutivas em casa, a partir da 3.ª jornada com o PSV (20/9/2008), quebrada com o 0-0 com o Feyenoord na 28.ª jornada (22/3/2009). Nessas 12 vitórias consecutivas em casa, 29 golos marcados e 1 sofrido. “Ensinamos os jogadores a serem treinadores”. A ênfase na antecipação.“Ensinamos os jogadores a serem treinadores”. Esta era uma das explicações de Louis van Gaal para o sucesso extraordinário da jovem equipa do Ajax que liderou em meados da década de noventa. A ideia passava por fomentar a velocidade de raciocínio de cada jogador, de modo a que, perante a especificidade da situação de jogo, que podia ser mais ou menos inesperada, ele fosse capaz de tomar a melhor decisão e o mais rapidamente possível.
Ao vermos a maneira como joga a atual equipa do AZ, percebemos que o cunho de Van Gaal é indisfarçável e que o desempenho dos jogadores, embora num sistema tático diferente, continua a ser regido por princípios idênticos aos daquela geração concreta do Ajax. Todas as unidades em campo revelam um formidável entendimento da lógica global do jogo e é principalmente por esse motivo que, na grande maioria das vezes, conseguem antecipar-se ao adversário na ocupação dos espaços e nos duelos individuais.
É lógico que tem de haver muito treino e comunicação nesse sentido. Testam-se situações de jogo e a execução dos movimentos é feita com repetições exaustivas na busca da perfeição. O truque, que não é exclusivo a Van Gaal mas que é um traço caraterístico evidente no seu método de treino, consiste em desenvolver ao máximo a flexibilidade mental do jogador. Desencoraja-se, assim, a abordagem estandardizada e reforça-se a necessidade da leitura e da antecipação.
Campeões depois do 11.º lugar
Por incrível que possa parecer, o atual campeão nacional holandês foi 11.º classificado na temporada passada, com menos 29 pontos que o campeão PSV. Entre 19 de Janeiro e 22 de Março de 2008, o conjunto liderado por Van Gaal atravessou um período de 12 jogos consecutivos sem vencer, um registo muito diferente daquele que se verificou nesta época de 2008/09: 28 jornadas consecutivas sem derrotas. O facto é que o presidente do clube, Dirk Scheringa, um dos homens mais ricos da Holanda e que tem investido bastante dinheiro na melhoria das infra-estruturas e do plantel, não deixou a sua confiança em Van Gaal ficar abalada pelo mau desempenho em 2007/08. Assim, o treinador prosseguiu o trabalho com um plantel sensivelmente semelhante e com mais meses de maturação, nomeadamente no que diz respeito à assunção dos princípios de jogo e das tarefas individuais.
A tua equipa é mais espetacular do que a minha?Louis van Gaal assumiu o comando técnico do AZ em 2005, após a saída de Co Adriaanse para o Porto, e é já o treinador que mais partidas efetuou à frente do emblema de Alkmaar (178). O anterior recordista era Georg Kessler (177), precisamente o treinador campeão de 1981. Kessler, aliás, considera hoje que a sua equipa praticava um futebol mais espetacular do que os campeões de Van Gaal. Obviamente que retratamos épocas temporalmente muito separadas, com realidades táticas largamente distintas, mas percebe-se aquilo que Kessler quer dizer. O AZ de 1981 era mais vertical, instintivo, explosivo e menos dado ao calculismo. O atual é mais frio, rigoroso, estudioso e cerebral, capaz de trocar a bola com passes curtos durante minutos seguidos, da frente para trás, à espera de encontrar o tal jogador livre com o melhor espaço para definir.
Terá Kessler razão em eleger o AZ de 1981 como sendo mais espetacular do que o AZ de 2009? Dependerá sempre do ponto de vista e da forma como se queira apreciar o jogo. Não há uma regra. Mas não será também a dinâmica da equipa de Van Gaal, potenciada por uma hiper-desenvolvida inteligência tática, uma outra forma de espetacularidade?
O perfil do AZ de 1980/81
Comportamentos táticos do AZ 2008/09Vale a pena assistir a uma exibição do AZ só para perceber como é que a equipa funciona tão bem nos vários momentos do jogo. Van Gaal desenvolveu uma equipa muitíssimo disciplinada e ordenada num sistema-base de 4-4-2 (o alternativo é o 4-3-3), mas aquilo que a torna mais interessante é o seu comportamento dinâmico, inteligente e solidário. Todos os jogadores têm tarefas muito bem definidas de acordo com as posições que ocupam em campo e têm a consciência que a equipa ficará muito mais vulnerável se houver falhas individuais. Em suma, no AZ de Van Gaal, a organização tática é primordial, sendo certo que qualquer quebra de responsabilidade individual será praticamente fatal para o sucesso coletivo.
Traços comuns à zona pressionante do Milan de SacchiA maneira como o AZ se apresenta quando o adversário tem a posse de bola é bastante parecida com a do Milan de Arrigo Sacchi, designadamente na questão da zona pressionante. No momento em que a equipa adversária quer iniciar a construção a partir da sua linha defensiva, os dois avançados do AZ posicionam-se quase lado a lado no círculo do meio-campo, sem grande desgaste físico, apenas para impedir que a oposição progrida pela zona central. Se aparecer um jogador adversário que recue para receber a bola entre os tais dois avançados do AZ, então De Zeeuw ou Schaars acompanham-no imediatamente para o anular.
A colocação permanente dos dois avançados na zona central (até quando estão a vencer em tempo de descontos) convida o adversário a progredir pelas faixas laterais. Porém, logo que a bola entra no meio-campo do AZ, a pressão e o corte de linhas são então feitos com muito maior agressividade, no limite da falta e quase sempre em superioridade numérica. O espaço do adversário fica muito condensado e é só uma questão de tempo até que cometa um erro e perca a bola. É tudo realizado com grande articulação e atenção nas dobras e a principal ideia a reter neste aspeto é a multifuncionalidade de todos os jogadores. Sem ela, não seria possível prensar o adversário com tanta eficácia.
Veja-se o exemplo de Martens e Dembélé. Ambos têm cariz claramente ofensivo, mas, atuando na posição de médios-ala, são extremamente solidários e ajudam os defesas-laterais e os médios-centro no momento da pressão e da recuperação da posse de bola. O mesmo exemplo de versatilidade se pode aplicar a Mendes da Silva, sempre disponível para aparecer no espaço de finalização e, simultaneamente, uma peça fundamental no processo defensivo.
A importância do passe e da receçãoApós a recuperação da posse de bola, a equipa revela outra das suas melhores facetas: a precisão no passe. Todos os jogadores, desde o guarda-redes ao avançado, são tecnicamente evoluídos e, obviamente, isso facilita o aumento da eficácia dos ataques, tanto os rápidos como aqueles que são realizados de forma mais apoiada. Sempre que possível, a bola rola rápido pelo chão, habitualmente a um ou dois toques.
De nada valeria a elevada técnica de passe se o recetor não soubesse procurar o melhor espaço. E aqui entra a questão que foi abordada anteriormente e que tem a ver com o aumento da capacidade de leitura de jogo que é incutida nos jogadores: saber discernir sobre a lógica do jogo, ou seja, perceber com rapidez qual o melhor tempo e espaço para a desmarcação.
Destaques individuais:
Sergio Romero (Guarda-redes, 22 anos)Se há uma localidade relativamente incómoda para se começar a ser guarda-redes é na cidade de Comodoro Rivadavia (na Patagónia argentina), que é conhecida pelos seus ventos muito fortes. Mas talvez tenha sido aí que um miúdo chamado Sergio Romero tenha desenvolvido alguns dos atributos que hoje fazem dele o melhor guarda-redes a atuar na liga holandesa. Depois de Comodoro, viajou para Buenos Aires para representar o Racing, onde foi treinado pelo mítico Ubaldo Fillol, antigo guarda-redes campeão mundial de 1978. Fillol foi parte decisiva na evolução técnica de Romero e este já integrou convocatórias de Maradona na alviceleste. Recorde-se, também, que foi o titular na vitória do mundial de sub-20 em 2007 e medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim em 2008. Preenche bem a baliza, é alto, ótimo entre os postes, geralmente seguro na interceção de cruzamentos e tem a particularidade de saber jogar a bola com os dois pés. Romero está no AZ há duas épocas, mas foi a presente que lhe trouxe as melhores marcas no emblema de Alkmaar, como por exemplo, estar 957 minutos seguidos sem sofrer golos (10 jogos, recorde do clube).
Gill Swerts (Lateral-direito, 26 anos)Internacional belga que jogava o ano passado no Vitesse, Gill Swerts veio colmatar a vaga de lateral-direito deixada em aberto com a saída do islandês Gretar Steinsson para o Bolton. Swerts é um lateral-direito rápido, ainda que não muito refinado, e a sua constituição física possibilita-lhe também lidar com atacantes mais possantes, embora tenha de melhorar o seu posicionamento na última linha de defesas. É muito bom a atacar a bola pelo ar ao primeiro poste em lances ofensivos de bola parada.
Sébastian Pocognoli (Lateral-esquerdo, 21 anos)Um dos quatro belgas habitualmente titulares do AZ, Sébastian Pocognoli tem estatura, sabe conduzir e dominar a bola, possui um bom cruzamento e remata bem à baliza. Tendo em conta a saída de Tim de Cler para o Feyenoord, Van Gaal foi buscar Pocognoli ao Genk no final de 2006/07, época em que ajudou aquele clube a classificar-se em 2.º lugar na liga belga. Alinhou a titular ao lado de Martens no último Euro sub-21 em 2007 e tem condições para se tornar num dos melhores laterais do futebol europeu a médio/longo prazo.
Héctor Moreno (Defesa-central, 21 anos)É nove anos mais novo que o “veterano” colega de setor Kew Jaliens e tem uma enorme margem de progressão. Héctor Moreno é um defesa-central mexicano com ótima colocação de bola com o pé esquerdo e que sabe sair a jogar em condução. Após as saídas de Ryan Donk e de Barry Opdam para o estrangeiro, esta temporada de 2008/09 seria a ideal para Moreno confirmar ainda mais o seu valor no centro da defesa do AZ. Porém, sofreu uma lesão grave no pé direito em Dezembro num jogo contra o Feyenoord e isso afastou-o da competição durante a segunda volta. Faz também a diferença pelo bom jogo aéreo.
Niklas Moisander (Defesa-central, 23 anos)É muito possível que Jaliens possa perder a titularidade em definitivo na época 2009/10 devido à presença de Niklas Moisander. Antes se juntar ao AZ nesta temporada, estava escondido na segunda divisão (no Zwolle), já depois da sua experiência sem sucesso no Ajax. Internacional finlandês, esquerdino, tem um bom passe e adapta-se a qualquer um dos lados do centro da defesa sempre que é necessário haver alguma alteração. Moisander mede 1.82m, é forte na marcação, conduz a bola de cabeça levantada e foi uma opção importante tendo em conta a ausência de Moreno por lesão, reforçando também a ideia de que as segundas opções conseguem entrar facilmente na dinâmica da equipa titular.
Stijn Schaars (Médio-centro, 25 anos)Parece atuar com alguma discrição, mas é dos elementos mais valiosos e que oferece mais equilíbrio ao onze titular. O capitão não esteve disponível em 2007/08 devido a uma lesão grave no tornozelo e, em parte, isso explica o modesto 11.º lugar na tabela final. Stijn Schaars é um jogador de fibra, que imprime robustez física e que ao mesmo tempo consegue coordenar o eixo do meio-campo com liderança, simplicidade, serenidade e um trato fácil da bola com o pé esquerdo. Se é verdade que Romero esteve tantos minutos sem sofrer golos é porque havia jogadores como Schaars que constituíam uma notável barreira defensiva, com noções precisas de como desenvolver marcação e pressão sobre o adversário. Além disso, é inteligente no jogo sem bola, procurando bem os espaços de receção quando a fase de construção parece mais dificultada. Cobra os pontapés de canto e livres indiretos no lado direito. Foi capitão dos sub-21 holandeses que venceram o Europeu da categoria em Portugal (2006). Na altura, De Zeeuw já jogava consigo no centro do meio-campo da Jong Oranje.
Demy de Zeeuw (Médio-centro, 25 anos)Ao contrário do que acontece na seleção da Holanda, onde é frequentemente amarrado a tarefas demasiado defensivas, De Zeeuw encaixa-se muito bem na equipa do AZ. Na formação de Alkmaar, o pequeno buda holandês transforma-se num jogador muito mais confiante e capaz de expressar o seu futebol de forma personalizada, de um/dois toques, com visão, objetividade e percorrendo toda a extensão do campo - por isso se desgasta mais rapidamente do que a maioria dos colegas. Joga um pouco mais adiantado e confere mais profundidade do que Schaars. Normalmente rompe pela zona central para sustentar a manutenção da posse de bola, para fazer a ligação mais direta com a linha avançada (joga muito com o avançado que desempenhar as funções de pivô) ou mesmo para rematar. O AZ executa muito bem as saídas rápidas para o ataque e De Zeeuw é fundamental nesse domínio, pois não só toma boas decisões, como também lhes confere uma boa qualidade técnica, sobretudo ao nível do último passe. Por outro lado, além de saber distribuir jogo, também é um bom recuperador, embora aqui o principal mérito seja da organização defensiva coletiva, que, fruto de um trabalho conjunto, consegue apertar os espaços ao adversário. Marca cantos no lado esquerdo e também livres diretos.
David Mendes da Silva (Médio-direito/médio-centro, 26 anos)Internacional holandês nascido em Roterdão e descendente de cabo-verdianos. Embora cumpra razoavelmente no centro ou no lado direito da defesa, é no meio-campo que se sente mais confortável. Se é um facto que a equipa do AZ é um verdadeiro elogio da multifuncionalidade, David Mendes da Silva é um dos casos mais paradigmáticos desse desdobramento de funções. Tendo em conta a aposta de Van Gaal no sistema de 4-4-2, com Schaars e De Zeeuw posicionados no eixo do meio-campo, Mendes da Silva é colocado no lado direito, procurando utilizar a sua elasticidade tática. Transmite consistência defensiva, mas não deixa de ser um elemento muito válido na hora em que a equipa quer aparecer com vários jogadores na grande adversária para finalizar. Quando é utilizado em 4-3-3 como vértice inferior do triângulo do meio-campo, dá mais liberdade a De Zeeuw e Schaars. O seu controlo de bola é mediano e joga sempre sem adornos. Indiscutivelmente, uma boa ferramenta tática para Van Gaal.
Maarten Martens (Médio-esquerdo, 24 anos)Talvez seja dos jogadores que melhor interpreta a dinâmica de circulação e de desmarcações do AZ. No lado esquerdo ou no corredor central, o canhoto Martens é um elemento que oferece muita qualidade às ações ofensivas, aparecendo rapidamente nas costas dos defesas adversários ou encarando-os no 1v1. No trabalho defensivo, não hesita em acompanhar o defesa-lateral adversário que sobe pelo flanco. Juntamente com De Zeeuw, o internacional belga é, até esta altura (31.ª jornada), o jogador com mais assistências para golo na equipa (9). Remata e cruza muito bem.
Moussa Dembélé (Extremo/avançado, 21 anos)A grande solidariedade no AZ 2008/09 revela-se com nitidez na compenetração de Moussa Dembélé. O talentoso belga ostenta uma elevadíssima irreverência técnica, mas, ao mesmo tempo, esforçou-se ao máximo por ajudar o colega mais próximo nas tarefas de recuperação, mesmo sendo evidente que o sacrifício defensivo não está na sua natureza de jogo. Tem um pé esquerdo afinado e, também tirando proveito do seu porte muscular, é exímio a driblar e a esconder a bola do adversário enquanto a conduz do flanco direito para o meio. Possui um excelente remate (em força ou colocação) e tanto jogou no ataque em 4-4-2, como também alinha facilmente a extremo-direito no sistema alternativo de 4-3-3, a exemplo do que aconteceu em Eindhoven, frente ao PSV no mês de Fevereiro. Com a sua força, velocidade e técnica, pode decidir um jogo sozinho.
Ari (Ponta-de-lança, 23 anos)Se o italiano Graziano Pellè é a aposta ideal para quando Van Gaal pretende dar altura e poder físico ao ataque, Ari é, provavelmente, a solução mais adequada para uma estratégia de sucessivos ataques rápidos. Remata bem e tem um dom especial (mais ou menos comum a todos os avançados do AZ) para dominar a bola de costas para os defesas, sendo igualmente muito veloz a rodar e a atacar o espaço vazio. A alcunha de “Romário de Alkmaar” assenta bem a este ponta-de-lança brasileiro que veio do campeonato sueco (Kalmar) em 2007.
Mounir El Hamdaoui (Segundo-ponta, 24 anos)Classe. Desde Zlatan Ibrahimovic que a liga holandesa não via um avançado com tanta qualidade técnica, agilidade, que tocasse a bola com tanta rapidez e que simultaneamente evidenciasse um apurado sentido de baliza. Basta atentar no volume de jogo que Mounir El Hamdaoui produz para se perceber que ele é, provavelmente, o jogador mais importante na conquista deste título. Movimenta-se muito bem entre linhas para recolher a bola, consegue executar mudanças bruscas de velocidade e possui um controlo excecional com ambos os pés (preferencialmente destro): elementos que fazem toda a diferença nas situações em que, por exemplo, se encontra apertado por um, dois ou três adversários.
A sua carreira sofreu alguns desvios até chegar ao AZ. Após as boas exibições no Excelsior de 2003 a 2005, rumou ao Tottenham, mas as lesões impediram-no de brilhar, tanto em Inglaterra, como depois no regresso à Holanda, ao Willem II. Mesmo perante tantas adversidades, Van Gaal acreditou no seu potencial para preencher as vagas atacantes criadas com as saídas de Danny Koevermans e Shota Arveladze. O AZ contratou-o já com a temporada 2007/08 em andamento e, nessa sua primeira época em Alkmaar, participou em 23 partidas (11 a titular e 12 como suplente utilizado; 7 golos). A evolução de El Hamdaoui tem sido absolutamente sensacional tanto que, hoje, é um jogador com muito mais estabilidade, confiança e garantias dadas. À entrada para a 32.ª jornada do campeonato, o internacional marroquino (nascido em Roterdão) não só realizou 8 assistências, como é o melhor marcador da liga (22 golos, sem penalties) e também o jogador do AZ que mais tempo esteve em campo (2581 minutos em 30 jogos).
As quatro temporadas de Van Gaal no AZ:2005/06: 2.º lugar
2006/07: 3.º lugar
2007/08: 11.º lugar
2008/09: CampeãoLuís Catarinofotos: az.nl
» 2009-04-25