PESQUISA:
Primeiro Toque logotipo
Urawa Red Diamonds

Os heróis de Saitama



Em cima: Horinouchi, Nagai, Tsuboi, Tsuzuki, Túlio Tanaka, Washington.
Em baixo: Abe, Hasebe, Robson Ponte, Hirakawa, Keita Suzuki (c).


Um treinador alemão, um playmaker brasileiro e coreografias extraordinárias nas bancadas do estádio de Saitama foram alguns dos trunfos que fizeram do Urawa Red Diamonds o novo campeão asiático de clubes. Na eliminatória final, disputada a duas mãos (1-1 e 2-0), a equipa japonesa derrotou os iranianos do Sepahan e conquistou o título pela primeira vez. O nível de jogo evidenciado pelas duas equipas esteve longe de ser o mais agradável, mas, ainda assim, há motivos para analisar um ou outro aspecto na formação vencedora.


Sistema 3-4-1-2

À imagem do que acontece com a maioria das equipas japonesas, o sistema táctico mais utilizado pelo Urawa Red Diamonds foi o 3-4-1-2. Tal como aconteceu há uma semana no jogo da primeira mão no Irão, o Urawa Reds recorreu ocasionalmente aos quatro defesas, com Horinoushi a ocupar uma posição mais adiantada no meio-campo defensivo e os dois alas a recuar. No entanto, o 3-4-1-2 é mesmo a táctica predefinida e essa passagem para o 4-4-2 ocorre com menor frequência.


A ausência do capitão Yamada e as vantagens de Abe

Sem poder contar com o influente capitão Nobuhisa Yamada, que costuma jogar na ala direita, Holger Osieck, o técnico alemão do Urawa Reds, deslocou Yuki Abe do centro da defesa para a posição de ala-direito nestas duas mãos frente ao Sepahan. Uma vez que é um jogador rápido, resistente, e com capacidade para efectuar excelentes cruzamentos, rende mais quando funciona do meio-campo para a frente. Jogando como defesa-central, como também é habitual quando actua pela selecção japonesa, não consegue tirar proveito dessa habilidade para cruzar.

O jogador que mais beneficiou com a lesão de Yamada foi Satoshi Hironoushi, que teve entrada directa no onze titular. Como foi dito acima, tanto se posicionava como médio-defensivo quando a equipa se alinhava em quatro defesas, como jogava como terceiro defesa-central, encostado ao lado esquerdo. É um dos jogadores com menos capacidade de afirmação e teve alguns problemas em lidar com a velocidade do avançado Mahmoud Karimi no jogo da 1.ª mão.


Túlio Tanaka, o patrão da defesa

Embora tenha raízes brasileiras – nasceu em São Paulo há 26 anos –, Marcus Túlio Tanaka é internacional japonês, tendo a sua ausência na última Taça da Ásia (devido a lesão) sido bastante sentida na selecção orientada por Ivica Osim. Considerado o melhor jogador do campeonato japonês em 2006, Túlio esteve ausente na 1.ª mão da final (jogou o brasileiro Nené). Porém, regressou para o desafio de Saitama e deu um enorme contributo ao eixo defensivo do Urawa Reds, principalmente na fase final da segunda parte, em que o Sepahan intensificou o ataque. É um defesa-central com personalidade, leitura de jogo e que ganha muitas bolas pelo ar. Fazendo uma possível projecção para desafios em competições com nível qualitativo mais elevado, Túlio revela um dos defeitos que envolve o futebol japonês há muitos anos: a falta de agressividade extra e a percepção/disposição para saber quando se deve jogar feio. De resto, para a dimensão das actuais competições em que tem vindo a participar na Ásia, não haja dúvidas de que é um belo futebolista.


Robson Ponte, o Riquelme de Saitama

Juntamente com o médio-centro Shinji Ono, o brasileiro Robson Ponte é o jogador do Urawa Reds com mais experiência ao nível de futebol europeu, não tivesse ele realizado várias partidas pelo Bayer Leverkusen na Liga dos Campeões da UEFA. Aos 31 anos, talvez sem fôlego para competir na dura liga alemã, Robson Ponte tem agora um papel de evidente destaque na dinâmica ofensiva dos campeões nipónicos. Sem necessidade de desempenhar tarefas de marcação, despende o seu esforço única e exclusivamente para distribuir jogo. Recebe a bola um pouco por todas as zonas do meio-campo adversário e nota-se que ainda conserva um pouco da aceleração que tinha para conduzir e driblar. O golo que anotou no Irão foi fundamental para a conquista desta Liga dos Campeões da Ásia (remate forte de fora de área). Já marcava muitas vezes livres directos em Leverkusen e agora no Urawa Reds tem a responsabilidade quase total de apontar todos os lances de bola parada, mesmo que no plantel haja um grande marcador de livres directos: o também destro Yuki Abe.

Pela maturidade competitiva que trouxe à equipa, Robson Ponte é um dos que faz claramente a diferença no conjunto de Holger Osieck. O camisola 10 demonstra ter um bom entendimento com o compatriota Washington e a sua liderança em campo teve de ser ainda maior face à ausência de Shinji Ono.


O eixo do meio-campo e dois campeões do mundo...

Keita Suzuki tem 26 anos e é um dos favoritos do seleccionador do Japão, Ivica Osim. Na ausência de Yamada, foi o capitão dos Urawa Reds. É o jogador mais aguerrido na conquista da posse de bola. Ao seu lado no meio-campo esteve Makoto Hasebe, ainda que este tenha maior volume de jogo ofensivo e seja menos dado à marcação.

Com o adiantamento do Sepahan e com o recuo de Horinoushi para a defesa, Hasebe tendia a recuar a sua posição-base e alinhava-se com Suzuki no eixo do meio-campo. Na posição de defesa ou ala-esquerdo jogou Tadaaki Hirakawa, um destro com apetência atacante que sob o comando de Guido Buchwald jogou frequentemente no lado direito do meio-campo. Já que se fala em Buchwald, refira-se que este antigo defesa-central foi campeão mundial pela RFA em 1990, quando o seleccionador era Franz Beckenbauer e tinha como adjunto… Holger Osieck. Já como treinador, Buchwald levou o Urawa Reds ao título de campeão nacional em 2006, mas a verdade é que Osieck, o seu sucessor na equipa japonesa, está muito bem encaminhado para o revalidar em 2007.


Os golos de Washington

É o goleador da equipa. Tem 32 anos e foi o melhor marcador da J-League no ano passado com 26 golos, depois de ter sido o principal goleador do Brasileirão em 2004, vestindo a camisola do Atlético Paranaense. Um avançado um pouco temperamental e lento a executar, mas que ainda assim se encaixa muito bem na dimensão do Urawa Reds, rendendo muitos golos.


Navidkia, o melhor do Sepahan

No adversário do Urawa Reds, destacou-se Moharram Navidkia, um médio-centro com qualidade para jogar em vários clubes europeus de média dimensão. Navidkia (na foto com Robson Ponte) teve uma experiência muito azarada no Bochum, clube para onde se tinha transferido do Sepahan no Verão de 2004. Aliás, por pouco que não se cruzou com outro iraniano, o ponta-de-lança Vahid Hashemian, que, depois dos muitos golos que foi marcando no Bochum, assinou pelo Bayern de Munique nessa temporada de 2004/5.

Três operações ao joelho esquerdo estragaram todos os planos que Navidkia teria para se afirmar no futebol alemão e na selecção iraniana – veio a ser convocado por Branko Ivankovic para o Mundial 2006, mas não participou num minuto sequer. Agora, aos 25 anos, de regresso ao Sepahan para tentar relançar uma carreira amaldiçoada pelas lesões, é o capitão e líder indiscutível da equipa iraniana com a qual até já tinha sido campeão nacional em 2002/3. Navidkia constituiu-se como o motor do meio-campo, desenvolvendo tabelas e passes verticais para os elementos mais avançados. É, de facto, um médio com boa iniciativa de jogo, mas que ainda precisa de melhorar substancialmente a sua preparação física para contrariar a pouca sorte que tem tido na carreira.


Resultados da final

1.ª mão (7/11/07): Sepahan - Urawa Reds (1-1: Mahmoud Karimi 47; Robson Ponte 45+1)

2.ª mão (14/11/07): Urawa Reds - Sepahan (2-0: Nagai 22, Abe 71)


Últimos 5 vencedores

2003: Al-Ain (Emirados Árabes Unidos)
2004: Al-Ittihad (Arábia Saudita)
2005: Al-Ittihad (Arábia Saudita)
2006: Jeonbuk Hyundai Motors (Coreia do Sul)
2007: Urawa Red Diamonds (Japão)


Luís Catarino

» 2007-11-15
PRIMEIRO TOQUE © 2007
CONTACTOS semmais.com