PESQUISA:
Primeiro Toque logotipo
Nápoles

O reactivar do Vesúvio


No cômputo geral, o Nápoles – 6.º classificado com 14 pontos em 27 possíveis – não tem tido um mau desempenho nas primeiras jornadas nesta época de regresso à Serie A. A polémica vitória contra a Juventus (3-1) foi o último grande resultado, já depois do frenético 4-4 em Roma. Edoardo Reja tem utilizado o 3-5-2, que é o sistema que já transita da temporada passada, embora alguns jogadores que o compõem não sejam os mesmos. O eslovaco Marek Hamsik e o argentino Ezequiel Lavezzi são dois dos principais reforços para 2007/8.


Sistema-base de 3-5-2

O sistema-base que Edoardo Reja coloca em prática é o 3-5-2. Do onze-tipo, o guarda-redes, Gennaro Iezzo (34 anos), é um dos dois jogadores que efectivamente nasceu na região de Nápoles. O outro é o defesa-central Paolo Cannavaro, irmão do campeão do mundo, Fabio. Aos 26 anos, Paolo Cannavaro é o líder do eixo defensivo, marcando presença pela sua estatura (aprox. 1.85m) e pelo sentido de antecipação. Maurizio Domizzi, 27 anos, converteu em golos as duas grandes penalidades polémicas na recente vitória frente à Juventus por 3-1. É o defesa-central que actua mais encostado ao lado esquerdo, enquanto Andrea Cupi, 31, permanece no lado direito. Devido a um prolongado período em que esteve lesionado, Cupi não efectuou um único desafio em 2006/7, pelo que o titular da época passada na defesa do Nápoles foi o paraguaio Rubén Maldonado. Já recuperado dos problemas físicos, Cupi é um elemento que, hoje, confere mais experiência à linha mais recuada dos napolitanos. Pode rodar com Contini.

O ala-direito é Giörgy Garics. Embora nascido em Budapeste, na Hungria, Garics, 23 anos, é internacional pela selecção da Áustria. O ex-Rapid Viena chegou a Nápoles no ano passado, embora não tenha sido utilizado com muita frequência em 2006/7. Tem uma boa resistência física, mas possui algumas deficiências técnicas e tácticas que fazem com que, para já, não saia de um nível razoável. A alternativa mais directa a Garics é Gianluca Grava. No lado esquerdo joga Mirko Savini. Comparativamente com Garics, progride menos com a bola controlada pelo flanco. No entanto, sabendo a forma como Hamsik ataca pela zona interior-esquerda, Savini acompanha algumas subidas do eslovaco para que, em caso de perda de posse de bola, o tempo de recuperação seja reduzido.


Blasi, o principal médio de recuperação

Manuele Blasi, 27 anos, é um dos melhores reforços do Nápoles para esta época. A experiência que foi conquistando em clubes anteriores – Perugia, Juventus ou, na temporada anterior, na Fiorentina – é importante para garantir estabilidade posicional no sistema táctico de Reja. Não tem uma capacidade técnica muito requintada, mas a força e a disponibilidade física que emprega fazem facilmente a diferença num clube com ambições relativamente limitadas, como é o caso do Nápoles.


As semelhanças de Walter Gargano com David Pizarro

O internacional uruguaio Walter Gargano, que esteve na última edição da Copa América, é um médio-centro de características ofensivas que tem traços semelhantes aos de David Pizarro: é um jogador com baixa estatura, gosta de lançar a bola em profundidade e tem o mesmo estilo do chileno a conduzir a bola. No entanto, ao contrário do que acontece com Pizarro na Roma (e do que já acontecia na Inter), Gargano conta com jogadores na sua equipa que fazem uma boa parte do trabalho de clausura no meio-campo, facto que o deixa em melhores condições para definir os lances ofensivos. Na Udinese, Pizarro tinha atrás dele uma linha de dois/três médios de combate e o seu rendimento era bem superior. De qualquer forma, note-se que Gargano recua quase sempre para cobrir a zona central, apenas não tem de fazer a marcação com uma intensidade mais elevada. Apontou um grande golo no 4-4 do Estádio Olímpico, frente à Roma.


Marek Hamsik, o trintão de vinte anos

Este internacional eslovaco de 20 anos foi uma das maiores revelações na Serie B com a camisola do Brescia e assinou neste Verão pelo Nápoles, que pagou 5.5M de euros pela sua transferência. Serse Cosmi, que substituiu Mario Somma no comando técnico do Brescia a meio da época passada, dizia que Marek Hamsik era um jogador que demonstrava tanta maturidade que parecia estar na casa dos trinta anos de idade.

No sistema de Reja, posiciona-se como médio interior-esquerdo e é uma das peças essenciais no funcionamento do momento ofensivo, uma vez que surge bem nos espaços vazios e confere uma dinâmica muito interessante à equipa em posse de bola. Esse é um dos factores que justifica o elogio feito por Cosmi e que no Nápoles ganha especial importância pelas características do avançado Lavezzi, que efectua desmarcações constantes nos últimos 30 metros e possibilita muitas roturas a outros jogadores, como o próprio Hamsik ou Gargano. Contudo, é visível que Hamsik tem de melhorar no comportamento defensivo, pois muitas vezes ainda manifesta passividade na marcação à zona. É destro, mas também joga com facilidade com o pé esquerdo.


O irrequieto Lavezzi

No ataque, é provável que o nome mais conhecido do grande público seja o do uruguaio Marcelo Zalayeta. O antigo avançado da Juventus chegou neste Verão a Nápoles e Reja tem-lhe atribuído a titularidade em detrimento de Emanuele Calaiò, que tinha sido o melhor marcador da equipa na época anterior na Serie B, com 14 tentos. Contudo, Zalayeta é um avançado muito limitado tecnicamente e a lentidão com que decide alguns lances faz desesperar qualquer pessoa, mesmo que o urugaio possa ter a sua importância a segurar jogo. Porém, ainda que Zalayeta tenha registado uma boa marca de 4 golos até à 9.ª jornada, o avançado que está verdadeiramente em alta é Ezequiel Lavezzi.

Este internacional argentino de 22 anos foi contratado por mais de 6M de euros ao San Lorenzo – clube onde se sagrou campeão do Clausura 2007 – e é aquele que mais tem empolgado os adeptos no vulcânico San Paolo. Quase que chega a ser cansativo ver a forma insistente com que se desmarca nos últimos 30 metros, sempre a tentar ganhar as costas dos defesas adversários com diagonais rápidas. Além de ser muito irrequieto e lutador, tem um bom remate com o pé direito. No entanto, se é um facto que a velocidade é o seu grande ponte forte, refira-se também que tem de melhorar bastante a eficácia nos passes, inclusivamente os curtos.


Luís Catarino

» 2007-10-30
PRIMEIRO TOQUE © 2007
CONTACTOS semmais.com