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O outro David


Poucos médios possuem a mesma capacidade que David Silva tem em gerir os ritmos de jogo. O pequeno esquerdino de 1.70m de altura é a unidade do Valencia de Quique Flores a quem, primeiramente, cabe perceber se é mais exequível acelerar ou pausar determinados lances de ataque. Sobretudo no lado esquerdo, é ele quem comanda o tempo da equipa. Aos 21 anos, Silva não só tem essa percepção de jogo bastante amadurecida, como também ostenta a necessária qualidade técnica para saber executar. É um jogador que colabora imenso no trabalho defensivo colectivo e que produz permanentemente movimentos de desmarcação em largura, provocando dificuldades aos adversários que defendem as linhas mais recuadas.

Por se tratar de um futebolista tão disponível, Luis Aragonés manteve-o sempre no onze titular da selecção espanhola que, face à expulsão prematura de Xabi Alonso, jogou 70 minutos com menos um jogador na complicadíssima partida recentemente disputada na Islândia.


A solução de Quique Flores para Gelsenkirchen

No confronto da Liga dos Campeões, em Gelsenkirchen, contra o Schalke 04, Quique Flores salvou o jogo com uma simples alteração. A meio da primeira parte, perante a avalanche ofensiva dos alemães, o treinador fez Helguera recuar para defesa-central e Marchena avançou para o pivot-duplo com Albelda. Desta forma, os espanhóis ganharam mais capacidade de choque e resposta física para tapar os espaços de recepção ao jovem croata Rakitic, que é o jogador que costuma definir o último passe (ou rematar em zona frontal) no conjunto orientado por Mirko Slomka.

A capacidade de combate estava garantida. O resto do trabalho ficou a cargo dos dois David. Silva e Villa: os dois jogadores mais influentes da actual equipa do Valencia.


Luís Catarino

» 2007-09-22
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