Cluj
Novatos da Transilvânia
O CFR Cluj, campeão romeno de 2007/08, fez na capital italiana a sua estreia absoluta na Liga dos Campeões e o desfecho foi surpreendente. O clube da Transilvânia venceu a Roma no Olímpico (1-2), mas aquilo que realmente causou mais entusiasmo talvez tenha sido a forma descomplexada como se exibiu perante um adversário incomparavelmente mais reputado. Assente num sistema de 4-2-3-1, o Cluj desenvolveu um modelo com princípios muitíssimo bem definidos, com vários jogadores a demonstrar qualidade técnica e confiança para jogar em apoio.

No onze titular que alinhou em Roma, só o ponta-de-lança Koné tinha participado na Liga dos Campeões (pelo Rosenborg). Deste modo, por se tratar de uma equipa sem experiência nos principais estádios da Europa, é ainda mais surpreendente que tenham actuado de forma tão confortável, sem receios e denotando uma boa organização colectiva.

Embora tenha perdido a bola para De Rossi quando este cruzou para o golo de Panucci, o argentino Juan Culio foi promovido a herói da semana devido aos dois golos (excelentes remates) que marcou a favor do conjunto romeno. Porém, não é o único a merecer destaque. Na outra ala, Sebastián Dubarbier (na foto), também canhoto e argentino, mostrou ter aceleração e qualidade técnica. Ambos os extremos colaboraram imenso no processo defensivo, mas foram, essencialmente, bastante activos no momento das saídas para o ataque. Trocando a bola de forma curta, com boas progressões e sentido posicional, o Cluj conseguiu manter a posse de bola no meio-campo adversário durante largos períodos do desafio, inclusivamente na fase em que a Roma estava à procura do golo do empate.
Além de Culio e Dubarbier, o médio-ofensivo Eugen Trica foi fundamental na gestão do jogo. Pelos seus pés, a bola rolava a um ou dois toques e ia ter com o jogador certo. O passe de calcanhar para o primeiro golo de Culio é uma jogada que exemplifica a sua qualidade técnica. Youssouf Koné, ponta-de-lança internacional pelo Burkina Faso, não tem o mesmo controlo de bola de Trica, mas, embora seja preferencialmente destro, tem a vantagem de também saber utilizar o pé esquerdo de forma eficaz. Uma curta referência para Sixto Peralta, o médio-ofensivo argentino que substituiu Trica na segunda parte e que esteve muito perto de marcar o terceiro golo do Cluj - o seu remate de cabeça bateu na trave da baliza de Doni. Tal como Trica, Peralta tem um bom toque de bola e não deixou que a equipa perdesse capacidade de circulação.
Gabriel Muresan e o português Dani (26 anos; revelação do Paços de Ferreira na primeira volta de 2006/07) fechavam os espaços à frente da linha mais recuada, mas tinham preocupação em auxiliar os elementos mais adiantados, oferecendo linhas de passe e fazendo progressões bem calculadas. Relativamente a Muresan, notou-se que era um dos jogadores com moral mais elevado.
Na linha mais recuada, o português e capitão Cadu fez dupla de centrais com o brasileiro Galiassi, enquanto o luso-francês Tony (ex-Estrela da Amadora) realizou mais uma exibição equilibrada. A sua conjugação de força e de resistência permite-lhe interpretar os vários momentos do jogo com grande fiabilidade e é um daqueles em quem os treinadores mais podem confiar. O canhoto uruguaio Álvaro Pereira fez um grande jogo na sua posição de lateral-esquerdo. Tem 22 anos e uma força impressionante. É alto, rápido, minimamente ágil e, caso evolua no entendimento do jogo, pode tornar-se, eventualmente, num jogador capaz de se afirmar em ligas mais competitivas. A rever.
O treinador:Maurizio Trombetta fez apenas o seu segundo jogo como treinador principal do Cluj. Na verdade, este italiano de 46 anos já era adjunto do anterior técnico, Ioan Andone, que abandonou o cargo após duas derrotas nos seis primeiros jogos da liga romena. Trombetta foi promovido a técnico principal e estreou-se, então, na passada sexta-feira, com uma vitória por 2-1 sobre o Gloria Bistrita. Um desses dois golos foi apontado pelo extremo brasileiro Didi (ex-Paços de Ferreira).
Os três titulares mais velhos: Trica (32), Galiassi (28), Tony (27)
Os três titulares mais novos: Dubarbier (22), Álvaro Pereira (22), Culio (24)
Nota: O CFR Cluj é um clube centenário com um passado ligado ao trabalho ferroviário, tanto que as iniciais CFR significam
Caile Ferate Romane: Caminhos-de-Ferro da Roménia.
Luís Catarino
» 2008-09-18