Portugal
Natal no Casaquistão

Em Janeiro de 2004, altura em que jogava no Valladolid, Ariza Makukula foi escolhido para representar a figura do Rei Baltasar no cortejo dos Reis Magos naquela cidade castelhana. “As crianças vão adorar, pois não temos de recorrer a maquilhagem para pintar”, afirmara, satisfeitíssimo, o presidente da câmara local.
Mais de três anos depois, também quase dez milhões de portugueses ficaram extasiados com esta aparição proto-natalícia de Makukula no Casaquistão. No moroso desafio de Almaty, Ricardo Quaresma não encontrava o drible certo, Miguel não subia pelo flanco e Portugal, pura e simplesmente, não era capaz de desbloquear um aborrecido 0-0 – aborrecido na exibição e para as perspectivas de qualificação.
Passou uma hora de jogo e Murtosa, em telepatia com Scolari, encontra a solução mágica para quebrar o gelo: estrear o gigante que veio do Caldeirão. Melhor decisão não podia ser. Vinte minutos depois de ter entrado em campo, o outrora Rei Baltasar aproveitou a boleia do Mustang e ofereceu a melhor prenda possível ao seu país: uma estrela para guiar a selecção até à Áustria e Suíça.
Madeira, a fonte de rejuvenescimentoAriza Makukula, 26 anos, tem sido uma das principais figuras do Marítimo neste início de 2007/8 e mereceu esta primeira chamada à selecção, tendo já apontado 4 golos em 6 jogos (não jogou no Dragão, a única derrota dos madeirenses até agora).
Se bem se recordam, o ponta-de-lança actuou no Euro sub21 em 2002, na Suíça. Hélder Postiga era o titular no onze-tipo de Agostinho Oliveira, mas sempre que Makukula entrava em acção percebia-se que os defesas adversários sentiam algum temor pela sua enorme presença física.
O possante avançado teve vários problemas no joelho e a sua carreira nunca foi regular. À parte dos 20 golos que marcou em 2001/2 na segunda divisão espanhola pelo Salamanca – clube onde se tornou grande revelação –, a melhor fase de Makukula teve lugar em 2003/4. Era, então, o jogador mais influente do Valladolid (na altura emprestado pelo Nantes) e os 8 golos que anotou pelos blanquivioletas na principal divisão de Espanha despertaram o interesse de muitos clubes. Contudo, a pior notícia surgiu quando Makukula se lesionou gravemente no joelho, à 21.ª jornada. O Valladolid, que vinha coleccionando resultados positivos, perdeu os cinco jogos imediatamente subsequentes à lesão de Ariza e o clube acabou mesmo por se juntar ao Celta de Vigo e Murcia na descida à Segunda.
Depois de uma experiência menos produtiva no Sevilla e no Nástic, Makukula pode ter encontrado finalmente o seu espaço e a sua sorte no 4-2-3-1 de Sebastião Lazaroni. Não convém é que perca muitas vezes a cabeça como naquela entrada violentíssima que teve sobre Paulo Sérgio (Académica) - significou expulsão aos 7 minutos de jogo.
Luís Catarino
» 2007-10-17