Liga Portuguesa
Nacional
Para um clube que teve o pior registo atacante da primeira divisão em 2007/08 (23 golos marcados em 30 jornadas), o ideal era mesmo adquirir um avançado que desse garantias para a nova época. O brasileiro Nené foi o escolhido e, hoje, a direção alvinegra deve estar mais do que satisfeita com a decisão tomada. O antigo jogador do Cruzeiro finalizou a liga portuguesa com 20 golos, sagrando-se o melhor marcador da prova, à frente de Liedson, Cardozo ou Lisandro, e ajudou o Nacional a terminar a liga num ótimo 4.º lugar. Nené é um avançado que controla os espaços da grande área, encara o choque, é compenetrado, remata bem (melhor com o pé direito e com a cabeça) e tem a vantagem de saber marcar livres diretos. Não é particularmente explosivo, mas, nesse aspeto, os arranques do angolano Mateus (ex-Boavista) funcionaram como um excelente complemento na dinâmica atacante do Nacional em 2008/09. O Nacional teve um bom início de época – 3 vitórias nas 3 primeiras jornadas – e a partir daí Manuel Machado foi gerindo o grupo de trabalho com segurança.

Se é verdade que na temporada passada Jokanovic perdeu alguns pontos por não ter conseguido arranjar alternativas para cobrir as ausências dos lesionados Bruno Amaro (três cirurgias em 2008: ombro, joelho esquerdo e direito) e Fellype Gabriel, também foi notório que, nesta época, o novo treinador Manuel Machado teve mais sorte em termos de jogadores lesionados. Mesmo Edson Sitta, frequentemente titular no meio-campo, mas que esteve indisponível durante algumas jornadas, foi bem substituído por Bruno Amaro e posteriormente pelo combativo Leandro Salino. No entanto, um dos grandes destaques da época terá de ser dado a Ruben Micael, um médio-ofensivo que começou a dar nas vistas na parte final da primeira volta. Distribuiu jogo com liberdade, definiu o último passe com precisão e ofereceu a qualidade técnica necessária à linha média de uma equipa que ficara sem Rafael Bastos (partida prematura para o Brasil), já para não falar nos influentes Juliano Spadacio (Rapid Bucareste) e Fábio Coentrão (fim de empréstimo), que saíram no último verão.
Manuel Machado foi alternando várias vezes o sistema entre o 3-4-1-2 e o 4-4-2 em losango (com grande dinâmica dos laterais Patacas e Alonso), pelo que o médio-defensivo Cléber era um dos jogadores que mais rodou entre o meio-campo e as funções de terceiro defesa-central, ao lado de Maicon e Felipe Lopes, embora Halliche e até Igor Pita também pudessem ser opções. Ainda em relação ao meio-campo, o brasileiro Luís Alberto foi um dos elementos mais preponderantes da temporada. Deu músculo, presença nas várias linhas do meio-campo e a sua importância tática foi muito importante também quando era necessário preencher o espaço à frente da defesa para compensar o recuo de Cléber. Ainda uma nota de destaque para o brasileiro Rafael Bracali. O substituto de Diego Benaglio na baliza alvinegra efetuou boas defesas, não cometeu muitas falhas e foi um dos melhores guarda-redes da Liga 2008/09. O Nacional esteve perto de alcançar a final do Jamor, mas foi eliminado pelo Paços de Ferreira nas “meias”.
Classificação final: 4.º lugar.
Luís Catarino
» 2009-06-03