Benfica
Maxi Pereira e Cristian Rodríguez
Sem Chevantón e Pandiani, a selecção do Uruguai alcançou as meias-finais da Copa América, tendo sido eliminada pelo Brasil nas grandes penalidades. Refira-se que tal como a maioria das equipas presentes na competição os celestes não apresentaram um futebol de qualidade. O elevado número de perdas de bola foi um dos aspectos mais salientes na selecção de Cristian Rodríguez e Maximiliano Pereira, os novos reforços do Benfica. O primeiro destacou-se consideravelmente nesta edição da Copa América, mas conheçamos um pouco melhor ambos os jogadores.
Cristian Rodríguez (Médio-ofensivo/Segundo-ponta; 21 anos)
Os sucessivos arranques de Cristian Rodríguez deram uma maior projecção atacante à selecção do Uruguai na Copa América e o médio-ofensivo acabou por ser visto como uma das estrelas da prova. Apesar de a sua exibição não ter sido suficiente para garantir pontuação para a equipa, o ex-PSG (chegou a Paris com Carlos Bueno) realizou uma boa segunda parte no jogo inaugural frente ao Peru, que os uruguaios vieram a perder 3-0 (Rodríguez entrou ao intervalo a substituir Canobbio, com resultado em 1-0). Com deambulações em todo o perímetro do ataque – principalmente e entre o lado esquerdo e o centro, alternando com Vicente Sánchez – Rodríguez conseguiu, até certo ponto, eliminar um pouco da apatia instalada na sua equipa orientada por Oscar Tabárez. Frente ao Brasil, por exemplo, jogou ligeiramente inclinado para o lado esquerdo do ataque, atrás de Diego Forlán, enquanto Recoba se posicionava inclinado para o lado direito. Terá sido o jogo mais bem conseguido de Rodríguez, especialmente pela dinâmica que conseguiu criar com o lateral-esquerdo Fucile.
É um jogador que pode empolgar os adeptos, muito por causa da coragem com que arranca com a bola para cima dos adversários e pela vivacidade momentânea que a equipa pode adquirir com isso. Tem, de facto, o vício de querer ultrapassar os adversários. Não é, porém, adequado para defender e pressionar, revelando despreocupação em relação à recuperação da posse de bola. Apesar de ter saído com uma imagem positiva aos olhos do público, o seu desempenho na Copa América também ajudou a criar algumas reservas no que diz respeito à sua consistência ao longo dos noventa minutos e em relação à sua preparação táctica. Na realidade do Benfica, poderá ser um jogador interessante para, num plano mais imediato, ser lançado como suplente nas segundas partes, de modo a acelerar o ritmo da partida em caso de necessidade. Para já, os 21 anos dão-lhe algum desconto.
Maximiliano Pereira (Defesa/Ala-direito; 23 anos)
Não foi titular no primeiro jogo contra o Peru - Tabárez alinhou com Dário Rodríguez no lado esquerdo da defesa e Carlos Diogo do lado direito. Depois, quando o técnico alterou a estrutura para três defesas-centrais (Lugano, Scotti e Dário Rodríguez), Maxi Pereira teve a missão de correr todo o flanco direito (já sem Estoyanoff), com o portista Fucile no outro flanco.
Para jogar do meio-campo para a frente, falta-lhe capacidade técnica para cruzar ou conduzir a bola com a devida eficácia. Como defesa, teve algumas hesitações que não o deixaram muito bem visto. Muitos passes para o lado e pouca profundidade. É uma incógnita saber que proveito poderá Camacho tirar deste jogador.
Luís Catarino
» 2007-08-27