Milan
O anti slow-motion
Kaká venceu a Bola d'Ouro 2007; Cristiano Ronaldo ficou em 2.º lugar.Pouco tempo depois de Kaká ter chegado a Milão, em 2003, Carlo Ancelotti e Franco Baresi, tirando as primeiras radiografias ao novo craque rossonero, disseram que a forma como o brasileiro conduzia a bola e mudava de velocidade lhes fazia lembrar o estilo de Zvonimir Boban, antigo médio-ofensivo do clube da Lombardia. Tanto Kaká como Boban são, efectivamente, bons exemplos de jogadores fortíssimos a progredir com a bola controlada. Todavia, Kaká é, hoje, um jogador com características tão particulares que dificilmente encontrará paralelo em muitos anos da história do futebol.
Correr mais rápido com a bola do que sem elaNão estamos a falar de alguém de quem se possa dizer que demonstre a mesma irreverência e expressividade com a bola nos pés como Ronaldinho, Ibrahimovic, Zidane, ou, recuando alguns anos, Roberto Baggio. O que distingue claramente Kaká da concorrência é a combinação equilibrada que é feita entre vários elementos, dos quais se destacam a potência física, a capacidade técnica, a inteligência e leitura de jogo e a velocidade.
Quando se diz que Kaká é um jogador-tipo do futebol moderno é precisamente por isto. Perante situações em que os espaços são cada vez mais reduzidos, Kaká consegue ler e compreender correctamente o campo táctico (evoluiu bastante nesse aspecto nos últimos dois anos) e depois tem uma inacreditável capacidade de explosão que lhe permite entrar no meio-campo adversário em velocidade sem que ninguém lhe tire a bola. Para ultrapassar os marcadores directos nem sequer precisa de malabarismos especiais para driblar. A Kaká basta correr, correr, correr e, se lhe pedirem, até sobe à última fila do Giuseppe Meazza sem dar sinais de cansaço, sempre a desafiar o realizador que teima em pô-lo em slow-motion depois de uma jogada espectacular. “Ele (Kaká) é um dos poucos futebolistas que vi jogar que corre mais rápido com a bola controlada do que sem ela”, define, assim, Ruud Gullit, ex-Milan e também ele vencedor da Bola d’Ouro (1987).
Desde 2003/4, Kaká já contabiliza 70 golos em 211 jogos pelo Milan e muitos desses tentos resultaram não só de arrancadas monumentais pelo campo fora, mas também da tremenda eficácia do remate de longa distância. Em qualquer zona do terreno, a precisão dos tiros de Kaká é impressionante. Tem uma excelente técnica no passe, condução e recepção, e, além de assistir os seus colegas para o golo, tem também uma apetência especial para os marcar. Daí que Ancelotti tivesse quebrado o 4-3-1-2, em que Kaká actuava nas costas dos dois avançados-centro (ligeiramente inclinado para o lado direito), para usar o mais actual 4-3-2-1, com Kaká e Seedorf nas costas de um único ponta-de-lança. Exigem-se, portanto, dinâmicas diferentes na movimentação de Kaká, com mais deambulação pelo perímetro atacante. O principal objectivo do treinador do Milan é, fundamentalmente, o de tirar o máximo proveito da influência de Kaká, que, agora, pode aproximar-se ainda mais da linha atacante para estar sempre perto do golo.
Os oito vencedores da Bola d’Ouro pelo Milan1969: Gianni Rivera
1987: Ruud Gullit
1988: Marco van Basten
1989: Marco van Basten
1992: Marco van Basten
1995: George Weah
2004: Andrei Shevchenko
2007: KakáLuís Catarino
» 2007-12-07