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A arte não chega a todos


A jogada de laboratório do Lyon foi altamente sofisticada, mas, nesta jornada da Liga dos Campeões, também Alessandro del Piero fez questão de demonstrar que possui créditos de excelência na cobrança de livres directos. O golo fabuloso que apontou ao Zenit faz lembrar aquele que registou em Viena, frente ao Rapid, na fase de grupos da LC 2005/06. O local da falta e a estupefacção dos guarda-redes são sensivelmente semelhantes, mas aquilo que torna este lance tão bonito é o momento do contacto com a bola.

A maneira como Del Piero a corta por baixo é sensacional e deixou o guarda-redes Malafeev sem perceber muito bem como é que tudo aquilo aconteceu. O segredo, talvez tão importante quanto essa técnica de contacto, está no posicionamento de Del Piero antes de começar a correr para a bola. Em situações iguais, um qualquer outro jogador destro, posicionado daquela forma, iria bater para o poste mais próximo, ou, então, fazer com que a bola pingasse na área para que um colega tentasse o desvio. Aquilo que o avançado da Juventus fez foi escolher o poste contrário e juntar-lhe uma execução infalível. Tymoschuk, o capitão do Zenit, não ficou muito contente com a abordagem de Malafeev, mas acredito que isso foi apenas um sinal de quem não sabe bater livres de outra forma que não seja em força. A arte não chega a todos.

Luís Catarino

» 2008-09-20
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