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Bristol City

O livre à... Gary Johnson


Decidir quem inventou, em primeira instância, uma determinada jogada de laboratório pode ser uma tarefa bastante complicada e até tornar-se ingrata, na perspectiva da justa atribuição de direitos de autor. Na transmissão televisiva da final da Taça de Portugal entre Porto e Sporting, Augusto Inácio fez questão de travar o narrador quando este dizia que o lance X era o designado “livre à Camacho”. “O André Cruz e o César Prates já o faziam”, lembrou Inácio.

Via o desafio entre o Crystal Palace, onde actua o defesa-central português José Fonte, e o Bristol City, a contar para a meia-final do play-off de acesso à Premier League inglesa, e assisti a um golo de bola parada executado de forma brilhante. Não tenho a certeza de qual a patente absoluta deste lance, mas, pelo menos neste texto, a menção honrosa vai para os homens de Bristol, comandados por Gary Johnson.


Elementos do golo:

1. Livre frontal a favor do Bristol City, a aproximadamente 30 metros da baliza.

2. Barreira do Crystal Palace com três homens. Um quarto jogador coloca-se ao lado da barreira para correr rapidamente a fechar o ângulo de remate.

3. David Noble, o jogador que, em teoria, iria rematar em força com o pé direito depois de Michael McIndoe ajeitar a bola, simula muito bem o lance. Toma balanço e volta a encaminhar-se para a zona do suposto remate para pisar a relva. E faz questão que os adversários vejam esse gesto para reforçar a sensação de que iria mesmo rematar.

4. Noble é um exímio marcador de livres directos. Remata muito bem.

5. Depois de pisar a relva, Noble volta a tomar balanço e, depois de McIndoe ajeitar a bola, vai surpreender a equipa contrária. Parte rapidamente para a bola, mas não remata, optando, antes, por um passe rasteiro para o interior da grande área.

6. Quem recebeu esse passe rasteiro foi o australiano Nick Carle, canhoto com boa capacidade técnica, que tinha conhecimento da jogada e que se soltou rapidamente da marcação individual de Victor Moses.

7. Carle colocou a bola, de primeira, rasteira, no outro lado da grande área. O destinatário foi Louis Carey.

8. Carey finalizou com o pé direito, com a bola colocada ao ângulo superior esquerdo da baliza, na perspectiva do guarda-redes. Belo remate.

9. Perto de Carey, havia um jogador do Bristol City que se tinha desmarcado em direcção à pequena área e que tinha arrastado consigo dois marcadores do Crystal Palace, deixando Carey com mais espaço para o remate. Toda esta sequência de movimentos surpreendeu, inevitavelmente, os jogadores do Crystal Palace.


Luís Catarino

» 2008-05-18
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