Internacional
Figo
Luís Figo comandou a recuperação do Barça ante o Chelsea nos "quartos" da Champions 1999/2000.Belíssima bola de Stoichkov, Figo recebe e pica-a com leveza sobre o corpo de Lama. A final da Taça das Taças de 1997, disputada entre Barcelona e PSG, estava já nos minutos finais e aquela sublime conclusão do camisola 7 português podia ter fechado com o melhor estilo possível o encontro a favor da equipa
blaugrana, que já vencia por 1-0. A bola não entrou. Bateu na barra e no poste. Na barra e no poste! Um lance destes devia contar como golo, mas o que é que se pode fazer? Felizmente, Figo não esmoreceu com a traição dos ferros de Roterdão. Ao longo dos doze anos seguintes, assistimos a tantas outras jogadas igualmente surpreendentes que o tempo, que é sempre tão autoritário, neste caso não terá força suficiente para as poder eliminar da memória.
Do extremo a que Valdano se referiu um dia como “gladiador com elasticidade de bailarina”, ficam sobretudo os duelos super competitivos com Roberto Carlos e Lizarazu, as fintas de corpo, a potência muscular que permitia fabulosas mudanças de velocidade nas faixas laterais, os cruzamentos efetuados com superior precisão e as resoluções heróicas em grandes desafios da seleção nacional. Figo foi sobretudo um jogador mais reconhecido pela sua capacidade de assistir os colegas, mas, entre os vários golos que marcou, há um que tem de ser destacado pela classe que comporta. Foi na Liga dos Campeões 2004/05, em Roma. Dominou uma bola suja na cabeça da grande área e, vendo que o grego Dellas se aproximava, fintou-o puxando a bola para o peito, deixou-a deslizar para o pé direito e rematou quase de perfil, cruzado e rasteiro. Que controlo.
No período final em Milão, a sua iniciativa para arrancar e travar ininterruptamente era, com naturalidade, mais diminuta. Mas, ainda assim, continuou a ser capaz de fazer a diferença pela forma como guardava a bola no bolso e a escondia dos adversários. Muito raramente perdia uma jogada e tomava sempre a melhor decisão. Agora, a última bandeira da Geração de Ouro fechou a cortina nos grandes palcos, mas a boa notícia é que nem o tempo vai resistir às suas fintas. O
Paso Doble é eterno.
Luís Catarino
» 2009-05-26