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Borussia Dortmund

Como arrasar um adversário em meia-hora




Em 32 minutos, o Borussia Dortmund já vencia o Werder Bremen por 3-0. O que terá sucedido para tamanho desnivelamento entre as duas equipas, sobretudo tendo em conta a habitual força do conjunto de Thomas Schaaf? Aqui ficam algumas explicações para a goleada conseguida pelo Borussia, com ênfase para os dois motores da equipa da Renânia do Norte-Vestefália: são eles Tinga e Blaszczykowski.


Marcação individual a Diego

Thomas Doll colocou Tinga a fazer marcação individual a Diego - indiscutivelmente o jogador mais criativo do Werder Bremen. Para onde quer que Diego se deslocasse no meio-campo do Dortmund, Tinga acompanhava-o e não lhe dava um metro de espaço. No entanto, a este importante detalhe, também podemos juntar o facto de os restantes médios, bem como os defesas-laterais, Degen e Dedé, pressionarem os adversários com agressividade. Para mais, o Werder nunca deu largura à equipa nos últimos 35 metros. Assim, com concentração de jogadores em zonas interiores, tornou-se muito mais fácil aos jogadores do Borussia Dortmund recuperarem a bola.

Além da atenção demonstrada na marcação directa a Diego, Tinga foi importante no início da construção de jogo, assumindo-se como o líder na gestão do ritmo de jogo e denotando confiança no passe a partir das linhas mais recuadas – o possante Florian Kringe vacila no capítulo técnico e Giovanni Federico actua mais adiantado, tentando aparecer nas costas de Klimowicz e Petric.


Jakub Blaszczykowski – o jogador da moda em Dortmund

Depois da saída de Ebi Smoralek para Santander, este aguerrido médio-direito polaco tornou-se rapidamente no jogador da moda no Borussia Dortmund. Jakub ‘Kuba’ Blaszczykowski tem 21 anos e tivemos oportunidade de o ver no último Portugal – Polónia. Não é nada fácil ultrapassá-lo, pois conjuga agressividade e rapidez. Esteve envolvido nos dois primeiros golos da equipa – primeiro, com cruzamento rasteiro para o segundo poste (conclusão de Petric), e, depois, num contra-ataque conduzido pela faixa central, proporcionando a diagonal do argentino Klimowicz. Defende e ataca com elevado grau de intensidade e de consistência, mas ainda tem de se controlar um pouco mais na forma (dura) como divide os lances. Já não bastava a presença do suíço Philipp Degen para provocar os adversários...


Gerir na segunda parte

O jogo ficou decidido na primeira meia-hora com os golos dos avançados Diego Klimowicz (2) e de Mladen Petric – Alexander Frei ainda indisponível e Haedo-Valdez, ex-Werder Bremen, não saiu do banco. Na segunda parte, a equipa de Thomas Doll manteve a agressividade, mas passou a pressionar em linhas mais baixas, desenvolvendo ainda mais a sua estratégia de contra-ataque. Após as entradas de Kruska e Buckley (saídas de Dedé e Federico), o Dortmund actuou com dois médios-defensivos (Kruska e Tinga), mantendo-se Kringe inclinado para o lado esquerdo do meio-campo. Agora não a fazer dobras a Dedé, mas sim ao sul-africano Delron Buckley, que tentou dar mais profundidade ao lado esquerdo do ataque. No entanto, com a saída de Kringe e consequente entrada de Amedick a dez minutos do fim, Buckley fez todo o corredor esquerdo. Portanto, Amedick e Kruska como médios mais defensivos e Tinga a avançar para a segunda linha de médios, com mais liberdade para criar jogo e menos responsabilidade na marcação.


O que correu mal no Werder Bremen?

Thomas Schaaf apostou no habitual 4-4-2 em losango. Porém, sem poder contar com Frings ou Borowski, a equipa não apresenta a mesma elasticidade nas transições. Antes de ser substituído ao intervalo, Diego tentava receber a bola no seu meio-campo. Todavia, depois não conseguia fazer a diferença no 1v1, ou em tabelas com os colegas, revelando, inclusivamente, alguns sinais de nervosismo. Tanto o destro Daniel Jensen – interior-esquerdo; depois da entrada de Andreasen passou a jogar no vértice superior e tentar o remate frontal -, como o interior-direito de vocação mais defensiva, Jurica Vranjes, têm dificuldades em acelerar a circulação de bola. Face a essa evidência, que bloqueava praticamente todas as acções ofensivas do Werder no meio-campo do Dortmund, o médio mais defensivo Frank Baumann tentava dar algum tipo de apoio com a sua subida no terreno.

O problema surgia, depois, quando o Dortmund recuperava a bola. Os ataques rápidos de Blaszczykowski e os cruzamentos de Dedé para as costas da defesa - o Werder canalizava quase todos os ataques pelo corredor central e não preenchia devidamente a cobertura dos flancos - provocaram imensos embaraços a Naldo e Mertesacker. Assim, com toda esta desarticulação táctica do conjunto de Thomas Schaaf - lentidão nas transições, posições estáticas, situações defensivas sem superioridade numérica para os atacantes do Dortmund - é lógico que o estilo agressivo e compacto da equipa de Thomas Doll ia sair vencedor.


Luís Catarino


» 2007-09-15
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