Nice
Bakari Koné
O Nice tem realizado uma época muito acima das expectativas iniciais e a última vitória frente ao PSG colocou a equipa treinada por Frédéric Antonetti no 5.º lugar da tabela, à 15.ª jornada. Se é verdade que a formação da Riviera francesa perde bastantes pontos nas deslocações, já nos desafios disputados em casa o registo é bem mais positivo: nas 8 partidas jogadas no Stade du Ray, o Nice ainda não perdeu, tendo vencido 5 encontros e empatado 3.
Um dos jogadores com melhor rendimento na equipa é, indiscutivelmente, o marfinense Bakari Koné, que, na recente recepção ao PSG, somou o seu sétimo golo nesta edição 2007/8 do campeonato. Aos 26 anos, pode dizer-se que atingiu o pico da carreira, plenamente afirmado e consolidado como um dos avançados mais perigosos da principal divisão francesa. Conheçamos, então, o percurso e o estilo de Bakari Koné, o pequeno elefante que marca golos na Côte d’Azur.
O impulso de GourcuffÀ imagem do que acontece com os futebolistas mais talentosos da Costa do Marfim, Bakari Koné, irmão de Arouna, actual avançado do Sevilla, entrou na famosa academia de Jean-Marc Guillou, em Abidjan, quando ainda tinha 12 anos. Veio a tornar-se profissional no ASEC e, mais tarde, rumou ao Qatar, para representar o Al-Ittihad. Curiosamente, o primeiro grande salto de ‘Baky’ deu-se nessa estada no Qatar, uma vez que, durante os seis meses em que esteve em Doha, foi treinado pelo francês Christian Gourcuff – pai de Yoann, o médio-ofensivo do Milan.
Entretanto, Christian Gourcuff aceitou uma proposta para regressar ao comando técnico do Lorient, na segunda divisão francesa (2003/4), e sugeriu à direcção a contratação imediata de Bakari Koné, que, por sua vez, não hesitou em viajar para França.
O pequeno elefante que destrói defesasO facto de Koné ser um jogador extremamente baixo (1.63m) pode não inspirar muita confiança numa primeira observação, mas Gourcuff conhecia a capacidade do avançado e sabia aquilo que poderia trazer ao Lorient. ‘Baky’ adaptou-se bem na primeira temporada, mas foi durante a segunda época, em 2004/5, que em França se começou a ouvir falar no nome de Bakari Koné com mais frequência. Foi o melhor marcador da Ligue 2 com 24 golos (4 deles de penalty) e, apesar de o Lorient ter ficado em 14.º lugar, foi igualmente eleito o melhor jogador daquela temporada. Assim, depois de duas épocas muito benéficas a trabalhar com Christian Gourcuff, deixou, então, o Lorient para se juntar ao Nice, da Ligue 1, por uma verba próxima dos 2M de euros.

Hoje, mesmo envolto num certo low-profile, já conquistou um lugar de destaque na liga francesa. No último jogo com o PSG, face à ausência do talentoso brasileiro Ederson, o técnico Antonetti, mantendo a estrutura habitual de 4-3-3, colocou Habib Bamogo, Lilian Laslandes e Bakari Koné na frente. O Nice é uma equipa idealizada para contra-atacar, que desenvolve um bloco médio/baixo e que tira proveito da velocidade de Koné para rasgar as defesas adversárias. A fim de saber beneficiar das características de ‘Baky’, os outros dois avançados, Bamogo e Laslandes, abriram nas alas ou recuavam para prender e arrastar as marcações. Na essência, esse é o “truque” utilizado em quase todos os jogos para que Koné cause a maior quantidade de danos possível – a linha mais recuada do adversário adianta-se alguns metros e o marfinense rompe em velocidade para ganhar as costas dos defesas e depois encarar a baliza (foi assim que marcou ao PSG). Outra estratégia vulgar é a de fixar um ou dois avançados na grande área e Koné surgir em zona de finalização a partir de linhas mais recuadas, sempre em grande velocidade.

Nos Éléphants – como também é conhecida a selecção da Costa do Marfim –, face à presença de vários avançados-centro mais categorizados (Drogba, na foto com Bakari Koné, é um deles), é habitual actuar como médio ou extremo-direito, posições que desempenha com facilidade. A título de curiosidade, refira-se que foi finalista derrotado da última edição da CAN e esteve presente no Mundial de 2006, onde apontou um bom golo à Holanda, na sequência de um remate de fora de área.
O seu ponto forte é, sem dúvida, a elevada velocidade de corrida e a enorme confiança que possui no seu jogo. Não é um avançado que seja particularmente criativo e tecnicista, que invente um drible mágico, mas joga com muita convicção e explora bem os espaços vazios. Perante o facto de ser um atacante com apenas 1.63m e de não ter uma capacidade técnica do outro mundo, vale-lhe a inteligência nas desmarcações, tornando-se numa presença sempre incómoda para os defesas adversários.
Os golos de Bakari Koné em França:2003/4: Lorient, L2 (9)
2004/5: Lorient, L2 (24)
2005/6: Nice, L1 (7)
2006/7: Nice, L1 (8)
2007/8: Nice, L1 (7)**15 jornadas disputadasLuís Catarino
» 2007-11-27