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Besiktas

As Águias Negras de Istambul





O Besiktas, que alcançou o segundo lugar na última edição da liga turca – nove pontos atrás do campeão Fenerbahçe –, encontra-se, actualmente, cinco pontos atrás do líder, o Galatasaray. Aliás, foi precisamente frente ao rival do Ali Sami Yen que as Águias Negras perderam no último fim-de-semana (7.ª jornada da liga turca). O actual treinador é Ertugrul Saglam, um antigo jogador do clube. Saglam, 37 anos, substituiu Jean Tigana no comando técnico do Besiktas e agora terá a dificílima tarefa de fazer boa figura na Liga dos Campeões. O Besiktas é uma equipa que não vem sendo capaz de esconder vários limites. A todos os níveis.


Provável 4-2-3-1

Na primeira jornada da Liga dos Campeões, frente ao Marselha (derrota por 2-0), os franceses começaram com um bloco muito recuado e deram a posse de bola aos turcos. Com esse abaixamento das linhas defensivas do adversário, a principal unidade na definição dos ataques do Besiktas, Matías Delgado, não teve espaços para criar jogo nos últimos trinta metros e os turcos raramente causaram perigo na grande área contrária. O argentino, ex-Basel, tem um toque de bola bastante apreciável. Face à lesão do médio-centro Ricardinho, Delgado terá, assim, de apresentar ainda mais influência nas transições ofensivas da equipa – condução de bola e a oferecer linhas de passe aos médios-centro e médios-ala. Não é muito crível que Saglam utilize Delgado atrás de mais dois pontas-de-lança. Isso seria um desenho demasiado arriscado e que teria de passar por uma qualquer outra descompensação – ao nível do eixo com a não-inclusão de um segundo médio-defensivo no trabalho de marcação, ou com a remoção do médio-ala direito Serdar Ozkan.

Assim, caso a aposta recaia no 4-2-3-1, o ponta-de-lança Bobô jogará sozinho no ataque, com Delgado nas suas costas. Esse foi o sistema apresentado em Marselha e é o que faz mais sentido. Caso Saglam prefira um 4-4-2 mais puro, Delgado até poderia ser relegado para o banco de suplentes. A solução passaria, então, por colocar dois pontas-de-lança (opções: Bobô, Márcio Nobre e Federico Higuaín), dois médios-defensivos no centro (Edouard Cissé e Koray), Tello (esquerda) e Ozkan (direita) nas alas. Mas essa hipótese de colocar Delgado no banco – foi suplente utilizado contra o Galatasaray – é muito remota e o argentino deve mesmo ser titular.


Ausência de Ricardinho

A ausência do médio-centro Ricardinho é preocupante para Saglam. O brasileiro – 31 anos, campeão mundial em 2002 – tem tido alguns problemas disciplinares no clube turco e recentemente não tem apresentado os melhores índices competitivos. No entanto, é um jogador com uma experiência que o faz destacar-se imediatamente da maioria dos colegas. Tem força, sabe rematar, tocar a bola, transportá-la e fazer circulação. A lesão que sofreu no Vélodrome de Marselha (entrada dura de Djibril Cissé) impede-o, agora, de defrontar o Porto e é provável que Saglam utilize Koray Avci, que é um jogador com essência de marcação, ao lado de Edouard Cissé num duplo-pivot defensivo. O francês, que defrontou o Porto na final de Gelsenkirchen (2004), não actuou contra o Galatasaray na última semana devido a castigo, daí que esteja em boas condições físicas para ser titular. O seu fortíssimo remate de longa distância em zona frontal é um aspecto que os adversários terão de ter em conta, bem como a presença no jogo aéreo – quer em bolas paradas, quer a saltar no meio-campo.


O regresso de Gokhan Zan e possíveis implicações na linha defensiva

Tendo em conta que o defesa-central Gokhan Zan está agora disponível depois de lesão, também existe a possibilidade de o treinador optar por Lamine Diatta para a posição de defesa-direito, na qual já havia actuado no Lyon e no St.Étienne, por exemplo. Assim, Ibrahim Toraman e Gokhan Zan constituirão, à partida, a dupla de centrais. Frente ao Galatasaray, uma vez que Cissé estava castigado, Saglam alinhou de início com o habitual lateral-direito Serdar Kurtulus a médio-direito numa espécie de 4-1-3-2. Diatta foi titular na defesa, mas saiu ao intervalo, deslocando-se Kurtulus para essa posição e Yozgatli mais para o flanco direito, com Ozkan no meio. Se Saglam vier, por algum acaso, a utilizar Diatta no onze titular como defesa-direito, então fica a dúvida se Kurtulus ganha a titularidade a Koray Avci. Mas uma vez que Kurtulus tem sido uma opção bastante regular, é mais provável que Diatta fique no banco.


Ibrahim Usulmez

Usulmez, o único titular do onze-tipo do Besiktas que disputou a Liga dos Campeões em 2003/4 (na altura incluídos no grupo do Chelsea, Sparta de Praga e Lazio), é o habitual defesa-esquerdo. Não tem muita vocação ofensiva e é frequente a equipa conceder espaços de entrada ao adversário pelo flanco esquerdo dos turcos, pois Tello desloca-se algumas vezes para o eixo a partir do lado esquerdo e nem sempre há uma unidade a preencher esse vazio no pressing no meio-campo contrário. Daí que também haja necessidade de Delgado ganhar ainda mais influência nos movimentos entre linhas.


Vulneráveis no 1v1

Uma das principais causas para o fraco desempenho defensivo do Besiktas tem a ver com a falta de capacidade física dos elementos mais recuados. Toraman – possivelmente o melhor defesa da equipa – é baixo e não tem capacidade de choque perante avançados com mais peso muscular. A linha mais recuada do Besiktas falha várias vezes quando são colocadas bolas nas suas costas e existe ainda muita atrapalhação. Globalmente, é, de facto, uma equipa com imensas limitações e que não consegue unir-se tacticamente para compensar essas fragilidades técnicas. No 1v1 defensivo são bastante vulneráveis.


Os dois Serdar: Ozkan e Kurtulus

Serdar Ozkan é um médio-ofensivo que no Vélodrome começou no lado direito do meio-campo, mas que tem muita tendência para se deslocar para o eixo. Ozkan é um jogador de 20 anos, com rapidez, mas que tem pouca robustez muscular e que perde muitas bolas por esse motivo. Ainda assim, é uma das principais apostas do Besiktas a longo prazo, tal como Serdar Kurtulus, o lateral-direito, também de 20 anos, que tem uma boa resistência. Saiu lesionado na primeira parte contra o Marselha e foi substituído por Ibrahim Kas, que tem visíveis defeitos ao nível do posicionamento.


Outras notas:

- O Besiktas contratou o experiente guarda-redes Rustu Recber, mas é Hakan Arikan que tem sido titular. O croata Runje transferiu-se para o Lens.


- Federico Higuaín, 22 anos, é irmão mais velho de Gonzalo, actual avançado do Real Madrid. É igualmente bom jogador, mas ainda não encontrou o seu espaço no Besiktas. Se Saglam utilizasse um 4-3-3 mais pronunciado, talvez Higuaín pudesse jogar na direita do ataque, próximo da zona do ponta-de-lança. Outra hipótese seria num 4-4-2 em dupla com Bobô, embora não sejam exactamente os avançados com as características que mais se ajustam um ao outro. De qualquer forma, dadas as circunstâncias do plantel, teria sempre mais possibilidades de jogar num 4-4-2. A questão chama-se… Delgado. Comparando com o outro ponta-de-lança, Márcio Nobre, Federico Higuaín tem mais rapidez e inteligência no aproveitamento dos espaços. Porém, Nobre é mais possante.


- Os adversários deverão fazer com que Delgado fuja da zona central e, assim, ficar longe de Bobô. Convém também ter em atenção as já referidas deslocações rápidas de Ozkan da direita para o meio.


- Delgado é uma das referências do Besiktas. A sua capacidade técnica sobressai facilmente no clube de Istambul. Todavia, a influência de Rodrigo Tello é cada vez maior, fundamentalmente porque a equipa revela dificuldade em sair a jogar e Tello dá um bom auxílio nesse domínio. Joga pelo lado esquerdo do meio-campo e cai algumas vezes na zona central para procurar o remate exterior. O maior perigo poderá vir, não só dos seus livres directos, como dos seus cruzamentos para Bobô, ou até para Nobre, caso tenha possibilidade de jogar. Boa circulação de bola é algo que não existe no Besiktas, mas Tello vai fazendo os possíveis por dar um bom destino às jogadas no momento ofensivo.


Luís Catarino

» 2007-09-30
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