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Real Madrid

A opção Júlio Baptista


Bernd Schuster pode ter dado um passo decisivo na afinação ideal da equipa do Real Madrid. As recuperações dos lesionados Pepe e Robben têm uma importância considerável naquilo que diz respeito à mecânica da equipa e à gestão do plantel. Porém, há um jogador que, pelas suas características, já mostrou que é capaz de elevar a consistência do 4-3-3 e tornar a equipa globalmente mais competitiva. Basta observar as últimas partidas do Real Madrid (contra Athletic e Lázio) para perceber que Júlio Baptista é, neste momento, o melhor complemento aos dois outros médios: Diarra e Sneijder.


Baptista vs Guti

Fortíssimo do ponto de vista muscular e da resistência física, Júlio ‘La Bestia’ Baptista é um jogador que oferece condições das quais a equipa nunca poderia beneficiar se a opção recaísse antes em Gago ou Guti para o lugar do brasileiro. Desde o início de época que Schuster quis abandonar o duplo-pivot defensivo da era Capello (Diarra – Emerson). Como tal, elegeu Diarra como o médio-defensivo mais recuado e tentou desenhar um triângulo invertido, sendo que os dois médios-interiores, numa segunda linha mais adiantada, eram Sneijder e Guti. Como se veio a verificar em vários desafios, a equipa, apesar de evidenciar um potencial ofensivo interessante, não tinha depois capacidade suficiente para segurar as iniciativas do adversário, uma vez que Guti é bastante permeável em termos de marcação e de recuperação. Isso implicava que Sneijder se desgastasse muito mais quando a equipa não tinha a posse de bola – durante o período em que o holandês esteve lesionado, Gago foi várias vezes utilizado à frente da defesa, com Diarra a adiantar-se ligeiramente. Em suma, o Real Madrid jogava de forma desequilibrada, não conseguindo estabilizar devidamente as suas linhas no momento em que o adversário recuperava a bola.


Com Júlio Baptista esse tipo de problemas ao nível da recuperação da posse de bola tende a desaparecer. Isto porque tem uma cultura táctica e uma capacidade de sacrifício completamente distintas das de Guti, ao mesmo tempo que consegue aparecer com facilidade nos últimos trinta metros para rematar. É óbvio que Baptista não tem a mesma habilidade do médio espanhol para executar o último passe. Contudo, se tivermos em conta os vários atributos de ambos os jogadores, em conjugação com as necessidades actuais da equipa, o brasileiro levará vantagem quase certa, até porque permite a Schuster tirar o melhor partido do futebol de Sneijder. Agora, com Baptista a interior-esquerdo, Sneijder (interior-direito) pode aproximar-se mais vezes da grande área do adversário para tentar o remate sem que depois haja perda de equilíbrio na retaguarda em situações de contra-ataque do adversário. No fundo, existe uma divisão de esforços mais equitativa quando Sneijder e Baptista actuam juntos.

Com estes dois médios-interiores, o Real fica muito bem servido ao nível de rematadores de média e longa distância. Mas as qualidades de Baptista não se cingem apenas à capacidade de remate exterior. A sua resistência física e estatura fazem-no dominar grande parte do jogo aéreo no meio-campo, mas também em lances de bola parada. A principal diferença deste “novo” Real Madrid com Júlio Baptista é mesmo a maior capacidade de trabalho que a equipa adquiriu, sendo capaz de roubar mais facilmente a bola ao adversário e marcar a zona com mais incisão. O brasileiro imprime um cariz mais feroz e consegue, simultaneamente, executar bem a transição defesa-ataque após a recuperação da posse de bola, pois tem uma técnica razoável. Note-se que Baptista era predominantemente utilizado como médio de essência defensiva no São Paulo – onde era, aliás, colega de Kaká. Depois, no Sevilla, foi Joaquín Caparrós que o colocou em posições mais adiantadas e a quantidade incrível de golos marcados fê-lo manter-se como avançado durante mais três anos. Hoje, no seguimento do papel que Dunga lhe destinou na Copa América – médio com responsabilidades de clausura e de reforço das linhas do bloco (ler aqui) – Júlio Baptista, depois de noticiada a sua saída no mercado de Inverno, pode ter encontrado o seu espaço no Real Madrid. Não como avançado, como era esperado na altura da sua transferência do Sevilla, mas no meio-campo, não muito distante de Diarra.


O capitão dá o exemplo

A implementação de Baptista no onze do Real deu um novo fôlego à equipa, mas importa também referir que os avançados demonstram uma atitude muito diferente daquela que exibiam há poucas semanas. O caso mais paradigmático é o de Raúl. Picado com a sua situação titubeante na selecção espanhola, o capitão dá o exemplo aos colegas pela forma como está sempre em jogo, mesmo quando a equipa não tem a bola em seu poder. No último jogo contra a Lázio, a vencer por 3-1, foi impressionante como, aos 89 minutos, recuou ao meio-campo defensivo para lutar com garra pela recuperação da bola. Se no Barcelona - Real Madrid for assim...


Luís Catarino

» 2007-12-13
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