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Yaya Touré


No Olympiacos 2005/06 mora um jogador que alicia qualquer olheiro, também fruto dos floreados sucessivos feitos pela imprensa internacional que o rotula permanentemente de “novo Vieira”. Chama-se Yaya Touré e é irmão de Kolo, central do Arsenal. Porém, ainda existem algumas dúvidas que possa chegar a “grande”, como o actual médio da Juventus.

Este médio defensivo marfinense transferiu-se do Beveren para a Ucrânia antes de a equipa belga defrontar o Benfica na Taça Uefa, dai não valer a pena tentarem lembrar-se dele no confronto com os de Trapattoni. Rumou, mais exactamente, ao Metalurg Donetsk (transferência avaliada em 2,1M euros), mas a experiência correu mal e Touré fez pouco mais de 30 jogos em 2 anos. Quis experimentar um campeonato mais competitivo e o Metalurgh vendeu-o, a preço de saldo (1,2M euros), ao Olympiacos, que neste Verão tinha contratado o treinador norueguês Trond Sollied.

Aliás, foi Sollied (veio do Club Brugge) quem exigiu à direcção do clube grego que contratasse Touré, pois já conhecia o jogador da liga belga. Isto depois de Arsène Wenger ter tentado adquiri-lo para reserva do Arsenal, pelo que a transferência se esbarrou pela não atribuição da licença de trabalho - Touré ainda não obteve a notoriedade suficiente na selecção marfinense orientada por Henri Michel; foi inclusivamente preterido das últimas convocatórias para jogos de qualificação.

Mas também não se pense que o facto de Wenger ter estado de alguma forma interessado em Touré significa que ele seja um fora-de-série. O Arsenal tem acordos/parcerias com o Beveren que, por sua vez, é um dos grandes importadores de talentos da famosa academia do ASEC, supervisionada por Jean-Marc Guillou, em Abidjan.

Não se pode negar que tem uma técnica bastante apreciável para quem tem 1.90m e 81kg. Foi recuando progressivamente no terreno e agora é o médio mais defensivo do 3-4-3/4-3-3 (dependente de Mavrogenidis) de Sollied, que complementa bem Stoltidis e variavelmente Kafes no centro. Curiosamente, apesar da estampa física impressionante, que lhe vale um controlo imperial do jogo aéreo, Touré faz-se valer, sobretudo, com a bola nos pés (é destro). Tem uma boa capacidade de passe e distribuição, sabe efectuar um drible consequente e não se agarra a bola. No entanto, e se calhar ironicamente, aquilo que de mais negativo possui é mesmo o jogo sem bola. Muitas vezes anda a trote no centro do meio-campo e não manifesta o devido brio para ganhar segundas bolas na linha do pressing ofensivo. Parece até que fica mais a ver jogar. Nem sempre se deve levar ao extremo a entrega com que é feito um roubo de bola ou uma cobertura, mas Yaya Touré por vezes exagera na passividade e macieza - o golo de Govou frente ao Olympiacos é um dos alguns exemplos que pode demonstrar essa passividade, quando deixou Juninho com toda a liberdade para efectuar um passe em profundidade para a grande área.

Daí que as comparações com Vieira, até ver, são muitíssimo prematuras, apesar da possante aparência física ser relativamente semelhante. Touré, de facto, trata bem a bola (melhor do que Vieira) e sabe sair a jogar em situações de aperto, mas ao médio defensivo espera-se que seja muito mais expedito e célere nas recuperações. E que esteja mais concentrado, não só no sentido posicional, mas também numa fase de confronto mais directo com o adversário, de forma a ter resposta adequada no 1v1 defensivo.

Touré tem 22 anos e tem alguns atributos, como o controlo de bola e recepção, que estão bem desenvolvidos. Agora, para que se torne, um dia, tão grande como um Patrick Vieira (só para estabelecer a comparação que muita imprensa tem feito), tem de trabalhar mesmo muito ao nível táctico e arranjar um clube que lhe incuta essa tal ambição para recuperar mais bolas e ter vontade de exigir mais de si próprio. Porque o jogador até tem velocidade e acelera para recuperar uma ocasional bola dividida. Mas não tem aquela velocidade de decisão ou iniciativa para ir roubar uma bola ou antecipar-se; aquele extra que os melhores jogadores têm sempre além das capacidades físicas. Vai a tempo, mas também é bom que não espere muito tempo pelo salto táctico porque precisará dele para se tornar um jogador, para começar, de bom nível europeu. Mas se Henri Michel não o levar ao Mundial não deixa de ser um revés para quem se quer afirmar.


Luís Catarino


» 2005-10-26
Nome: Yaya Gnegneri Touré

Data de nascimento: 13 de Maio de 1983

Local de nascimento: Sokoura Boukake, Costa do Marfim

Posição: Médio-centro

Clubes:
2000/1: ASEC Abidjan
2001/2: Beveren
2002/3: Beveren
2003/4: Beveren e Metalurg Donetsk
2004/5: Metalurg Donetsk
2005/6: Olympiacos
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